O brasileiro está mudando o que coloca no copo. Em vez da cerveja comum, mais gente escolhe rótulos mais caros e mais leves, com menos calorias, sem glúten ou até sem álcool. O retrato aparece no balanço da Ambev do terceiro trimestre, divulgado na quinta-feira (29).
Segundo a cervejaria, o grupo de bebidas que ela chama de “bem-estar” cresceu 157% em volume entre julho e setembro. Enquanto isso, as marcas de preço médio, as mais vendidas do país, perderam espaço.
Cerveja com menos calorias puxa a alta
A maior estrela do trimestre é a Michelob Ultra, uma cerveja clara e leve, de baixa caloria, lançada no Brasil em 2021. O volume vendido subiu 478%, ou seja, a marca vendeu quase seis vezes o que vendia um ano antes.
Logo atrás aparece a Stella Pure Gold, sem glúten e com menos calorias, que cresceu 195%. Além disso, as cervejas sem álcool avançaram 43% no período.
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Os percentuais, porém, pedem cuidado. A Michelob Ultra parte de uma base pequena, e a Ambev não informa quantos litros cada marca vende. Por isso, os números mostram velocidade de crescimento, e não tamanho.
Premium sobe e cerveja comum recua
A troca também aparece na faixa de preço. As cervejas premium, as mais caras da prateleira, cresceram 19% em volume. Já as marcas de preço médio caíram, segundo o balanço, que não informa o percentual exato.
Na prática, a Ambev vende quase o mesmo volume, mas fatura mais por litro. As entregas a distribuidores e pontos de venda subiram só 0,5% no trimestre. Ainda assim, cada litro vendido no país rendeu em média R$ 4,68 de receita líquida, 19 centavos a mais que um ano antes, pelas contas do site Guia da Cerveja.
O movimento não é exclusivo da Ambev. A Heineken, que divulgou seus números um dia antes, também viu as cervejas premium crescerem no mundo quase cinco vezes mais que as de preço médio.
Lucro sobe, mas a troca custa caro
O lucro líquido ajustado da Ambev chegou a R$ 4,4 bilhões, alta de 14,3%. Por outro lado, o lucro contábil caiu 10,2%, porque o mesmo período de 2025 teve ganhos tributários pontuais.
Convencer o consumidor a trocar de rótulo, no entanto, exige investimento. Para isso, a cervejaria aumentou em 9,2% os gastos com vendas, marketing e distribuição de cerveja no Brasil. Ao mesmo tempo, o custo para produzir cada litro subiu 5,4%, porque rótulos mais caros também custam mais para fazer.