A Chilli Beans, uma das redes de óculos mais conhecidas dos shoppings, pediu recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões em dívidas com bancos. A empresa protocolou o pedido na sexta-feira (30), depois de fechar acordo com os principais credores.
Pelo plano, a dívida ganha novos prazos e condições de pagamento. Além disso, os próprios credores vão colocar dinheiro novo no negócio: um aporte de até R$ 50 milhões, com Itaú, Akron e Vega à frente.
Chilli Beans pede recuperação, mas não é falência
A recuperação extrajudicial funciona de um jeito diferente da judicial. Nela, a empresa negocia diretamente com os credores e só depois leva o acordo à Justiça. O juiz precisa homologar o plano para que ele valha para todos os credores da mesma categoria. Já na recuperação judicial, todo o processo corre sob supervisão de um juiz e atinge todas as dívidas, inclusive as trabalhistas.
No caso da Chilli Beans, a renegociação fica restrita às dívidas financeiras. Segundo a empresa, fornecedores, funcionários e demais parceiros serão preservados.
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O que muda nas lojas
Para quem compra na rede, a operação segue normal, e a empresa não anunciou fechamento de lojas. Hoje, a Chilli Beans soma mais de 900 lojas em 14 países e funciona principalmente por franquias.
O fundador e CEO, Caito Maia, tenta passar confiança. No comunicado, ele disse que a marca segue lançando produtos e abrindo lojas na América Latina. Segundo ele, a empresa está pronta para “celebrar três décadas de história em 2027”.
Crise vinha dando sinais
A dificuldade não surgiu agora. Em setembro, a Chilli Beans já tinha anunciado um plano para renegociar as dívidas. Na mesma época, trouxe o executivo André Dela Togna, com experiência em transformação de empresas, para a vice-presidência, ao lado de Caito.
A marca nasceu de uma aposta do fundador num estande de óculos escuros no Mercado Mundo Mix, em São Paulo. Quase três décadas depois, virou uma das maiores redes do setor na América Latina.
Onda de recuperações no varejo
Com o pedido, a Chilli Beans entra numa lista que cresceu em 2026. Em outubro, a Ri Happy, dona também da PB Kids, pediu recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões. Antes, o Grupo Pão de Açúcar seguiu o mesmo caminho, com uma dívida de R$ 4,5 bilhões.
Outras empresas conhecidas recorreram à recuperação judicial, como Casas Bahia, Estrela, o grupo dono do Habib’s e o dono da Tok&Stok e da Mobly. No comunicado, Caito reconheceu que o varejo brasileiro atravessa um período desafiador.