E veja as notícias do Brasil e do ES com destaque nas suas buscas

Toyota, Volkswagen e 21 montadoras exigem proibição de fabricação e venda de carros chineses

Montadoras pressionam por lei que proíbe a fabricação e venda de carros chineses.
Compartilhe:
Carros chineses Montadoras
Montadoras pressionam por lei que proíbe a fabricação e venda de carros chineses. Crédito: Divulgação
Compartilhe:

Algumas das maiores fabricantes de automóveis do mundo estão defendendo uma medida que pode impedir definitivamente a expansão das montadoras chinesas em um dos principais mercados automotivos do planeta. A proposta prevê ampliar as restrições à fabricação, importação e venda de veículos chineses, além de limitar tecnologias utilizadas nesses automóveis.

Entre as empresas representadas pelo movimento estão Toyota, Volkswagen, General Motors, Ford, Honda, Hyundai e outras grandes fabricantes internacionais. A pressão ocorre em meio ao crescimento acelerado da indústria automobilística chinesa, que vem conquistando consumidores em diferentes países.

Além disso, o objetivo é transformar as restrições já existentes em uma legislação permanente. Dessa forma, a entrada de empresas chinesas seria dificultada mesmo que elas decidissem instalar fábricas e produzir veículos localmente.

A mobilização ganhou força nesta segunda-feira (2), quando uma entidade que representa grandes fabricantes voltou a cobrar uma decisão dos parlamentares. Com isso, a intenção é conseguir a aprovação da proposta antes do encerramento dos trabalhos legislativos de 2026.

Toyota, Volkswagen e outras montadoras querem proibir carros chineses

A iniciativa é conduzida pela Alliance for Automotive Innovation, associação que reúne grandes empresas do setor automobilístico e atua na defesa dos interesses da indústria nos Estados Unidos.

Atualmente, a entidade representa 23 fabricantes e grupos automotivos, incluindo Toyota e Volkswagen. Além disso, reúne empresas fornecedoras de equipamentos e tecnologias.

Em comunicado, a organização solicitou ao Congresso americano a aprovação de uma legislação que estabeleça uma proibição permanente à fabricação, importação e comercialização de veículos conectados vinculados à China.

Além dos carros completos, a medida também pretende impedir a entrada de determinados softwares e equipamentos considerados de risco à segurança nacional.

O presidente da associação, John Bozzella, argumenta que a expansão das montadoras chinesas representa uma ameaça à indústria instalada no país. Segundo ele, a entrada desses veículos poderia comprometer investimentos realizados durante décadas.

“Precisamos proteger o mercado dos Estados Unidos de uma enxurrada de importações chinesas que trazem risco de vigilância e colocam em desvantagem os fabricantes atuais que fizeram investimentos de longo alcance nas comunidades americanas”, declarou.

De acordo com a entidade, empresas chinesas poderiam utilizar sistemas de conectividade dos veículos para coletar e transmitir informações sensíveis de motoristas.

Além disso, a organização afirma que a concorrência com fabricantes chineses ameaça investimentos industriais realizados ao longo de décadas.

Quais montadoras fazem parte da associação?

A Alliance for Automotive Innovation reúne algumas das marcas mais conhecidas do setor automobilístico mundial, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Entre os 23 fabricantes e grupos de veículos que aparecem na relação de associados estão:

  • Aston Martin;
  • BMW;
  • Bugatti Rimac;
  • Ferrari;
  • Ford;
  • General Motors (GM);
  • Honda;
  • Hyundai;
  • Isuzu;
  • Jaguar Land Rover;
  • Kia;
  • Mazda;
  • McLaren;
  • Mercedes-Benz;
  • Mitsubishi;
  • Nissan;
  • Porsche;
  • Stellantis;
  • Subaru;
  • Toyota;
  • VinFast;
  • Volkswagen;
  • Volvo.

A manifestação foi apresentada pela associação em nome dos interesses do setor, e não por meio de declarações individuais de cada fabricante.

Além dessas montadoras, a entidade representa fornecedores de peças, fabricantes de baterias, empresas de tecnologia e outras organizações ligadas à indústria automobilística.

Dessa maneira, a mobilização envolve diferentes segmentos da cadeia produtiva, que buscam preservar sua participação no mercado americano.

Estados Unidos já impedem carros chineses

Embora o Congresso ainda esteja analisando a nova proposta, o mercado americano já possui restrições que praticamente impedem a atuação de fabricantes chineses de automóveis de passeio.

As medidas começaram a ser estabelecidas durante o governo de Joe Biden, com uma regulamentação adotada no início de 2025.

Na ocasião, o governo americano decidiu restringir tecnologias de conectividade desenvolvidas por empresas vinculadas à China. A justificativa, por sua vez, envolveu preocupações com a segurança das informações dos consumidores.

Na prática, as regras dificultam tanto a comercialização quanto a produção de veículos chineses conectados em território americano.

Além disso, os Estados Unidos mantêm tarifas superiores a 100% sobre determinados veículos elétricos importados da China, criando outra barreira à entrada desses automóveis.

Entretanto, as montadoras representadas pela associação consideram que essas restrições precisam ser fortalecidas.

Por isso, defendem a aprovação de uma lei federal que estabeleça uma proibição permanente. Assim, futuras administrações teriam menos liberdade para flexibilizar as regras por meio de decisões administrativas.

Projeto para proibir fabricação e venda de carros chineses avança no Congresso

A proposta já passou por uma etapa importante de tramitação.

Em julho de 2026, uma comissão do Senado americano aprovou um projeto destinado a ampliar e consolidar as restrições contra veículos chineses conectados.

Enquanto isso, na Câmara dos Representantes, uma iniciativa semelhante já reúne mais de 100 parlamentares como coautores.

Apesar desse apoio, a proposta ainda precisa superar outras etapas legislativas para se transformar em lei.

Em setembro, senadores responsáveis pela iniciativa concordaram em adiar a tentativa de acelerar sua aprovação até novembro. Dessa forma, a discussão ficou concentrada na reta final dos trabalhos legislativos.

Agora, as fabricantes querem aproveitar a retomada das atividades do Congresso após as eleições legislativas de meio de mandato para concluir a votação.

A expectativa do setor é conseguir a aprovação definitiva ainda em 2026, antes do encerramento da atual sessão legislativa, previsto para dezembro.

Entretanto, assessores parlamentares e representantes da indústria avaliam que o calendário apertado poderá dificultar a conclusão das votações.

Mesmo assim, a associação mantém a pressão para que os congressistas priorizem a proposta antes do fim do ano.

Donald Trump admite fabricação de carros chineses nos Estados Unidos

Outro fator que aumentou a preocupação das montadoras foi uma declaração do presidente americano Donald Trump.

Em setembro, durante uma entrevista, Trump afirmou que aceitaria a instalação de fabricantes chinesas de automóveis nos Estados Unidos.

O posicionamento, entretanto, contraria a proposta defendida pela associação, que busca impedir não apenas a importação de carros chineses, mas também sua fabricação em território americano.

Além disso, a declaração presidencial levantou dúvidas sobre o futuro das restrições atualmente em vigor.

Isso porque a instalação de fábricas chinesas poderia representar novos investimentos e empregos. Por outro lado, também intensificaria a concorrência com empresas tradicionais que já operam no país.

Diante desse cenário, a indústria passou a pressionar por uma legislação que estabeleça limites permanentes à atuação de fabricantes chineses.

Dessa maneira, a aprovação da lei também reduziria a possibilidade de mudanças na política industrial americana em relação às montadoras chinesas.

Avanço dos carros chineses na Europa aumenta preocupação

A expansão das montadoras chinesas em outros mercados é um dos principais argumentos utilizados pela entidade para defender a proibição.

Segundo John Bozzella, a União Europeia importou mais de 1,1 milhão de veículos produzidos na China entre janeiro e agosto de 2026.

O volume registrado nesses oito meses já superou todas as importações europeias de automóveis chineses realizadas durante 2025.

Para a associação, os números demonstram a velocidade com que as fabricantes asiáticas estão ampliando sua presença internacional.

Além disso, a entidade teme que um movimento semelhante aconteça nos Estados Unidos caso as restrições sejam flexibilizadas.

A preocupação também envolve a expansão das marcas chinesas na América do Sul, no México, na Austrália e em países do Sudeste Asiático.

Nesse contexto, o presidente da associação defende que o Congresso americano adote medidas para preservar a indústria instalada no país e impedir que fabricantes chinesas conquistem participação semelhante à obtida na Europa.

Segundo Bozzella, a legislação também seria necessária para proteger a base industrial e os investimentos realizados pelas empresas que já atuam no mercado americano.

China reage à proposta de proibição dos veículos

O governo chinês já se manifestou contra as medidas que dificultam a comercialização de automóveis produzidos no país.

O Ministério das Relações Exteriores da China defendeu que os Estados Unidos respeitem as regras da economia de mercado e os princípios de concorrência justa.

Além disso, representantes chineses classificaram iniciativas anteriores contra empresas do país como uma forma de repressão injustificada.

Para Pequim, a imposição de barreiras comerciais e regulatórias compromete a competição internacional e prejudica o funcionamento do mercado automobilístico.

Por outro lado, a indústria automotiva representada pela Alliance for Automotive Innovation sustenta que a restrição é necessária para proteger informações sensíveis e investimentos industriais.

Enquanto isso, as fabricantes continuam pressionando os parlamentares americanos para que a proposta seja votada ainda neste ano.

A proibição permanente ainda não foi aprovada. No entanto, a decisão do Congresso poderá definir o futuro da fabricação e comercialização de veículos chineses conectados no mercado dos Estados Unidos nos próximos anos.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

Leia também