A Gerdau encerra a produção de aço em uma de suas usinas, e cerca de mil trabalhadores, entre funcionários próprios e terceirizados, devem sentir o impacto. A empresa confirmou a decisão nesta terça-feira (3). Segundo ela, pesaram dois fatores que vêm apertando a siderurgia: o minério de ferro sem preço competitivo e o avanço das importações de aço.
A unidade fica no bairro Interlagos, em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Pelas contas da prefeitura, os mil trabalhadores atingidos equivalem a cerca de 7,4% de todo o emprego industrial da cidade.
Por que a Gerdau encerra a produção de aço
Em nota, a Gerdau afirmou que a operação perdeu competitividade, principalmente pela falta de fornecimento de minério de ferro a custos competitivos, o que pressionou os custos de produção. De acordo com a empresa, o cenário piorou com a entrada crescente de aço importado no mercado brasileiro. As condições desfavoráveis lá fora também atrapalham, já que as exportações sempre tiveram peso na unidade.
A companhia diz ainda que a decisão segue a estratégia de concentrar a fabricação de aço em usinas mais eficientes e com maior nível tecnológico. Por enquanto, não se sabe se outras atividades vão continuar no local, porque a nota não detalha o destino das instalações.
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O que muda para os trabalhadores da Gerdau
A empresa não informou quantas demissões vai fazer. Por outro lado, afirma que estuda transferir parte dos funcionários para outras unidades. Também promete oferecer cursos de qualificação técnica e workshops para ajudar na recolocação.
Enquanto isso, a prefeita Janete Aparecida (Avante) disse que a prioridade da administração será apoiar quem foi atingido e proteger a economia local. A prefeitura promete apresentar ainda nesta semana um programa para reduzir o impacto sobre trabalhadores e empresas da cidade.
O fechamento, porém, não pegou todo mundo de surpresa. Os rumores começaram em agosto, quando a Gerdau demitiu 150 funcionários da filial do Recife. Na época, a empresa negou que a medida atingisse a operação mineira. Ainda em agosto, o Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis e Região (Sindmetal-Div) fez um protesto na porta da usina em defesa dos empregos.
E o aço no Espírito Santo?
A pressão do aço importado atinge todo o setor, mas o polo capixaba vive outro momento. Na Serra, a ArcelorMittal aprovou em agosto um investimento de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões na unidade de Tubarão. O projeto prevê um laminador de tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo, com capacidade de 560 mil toneladas por ano. A operação deve começar no primeiro semestre de 2030.
Com a nova linha, as bobinas produzidas em Tubarão poderão ser transformadas na própria Serra em aço para carros e eletrodomésticos, segundo o governo do Estado. Hoje esse processamento é feito em Santa Catarina. Assim, enquanto uma usina mineira para de produzir aço, a siderurgia capixaba aposta em produtos de maior valor agregado.