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Homem resolve ir andando para a casa da mãe e chega 28 anos depois

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Karl Bushby em 1998, de mochila no início da volta ao mundo a pé, e em 2026, já grisalho, à beira-mar
Karl Bushby tinha 29 anos quando saiu de casa, em 1998, e voltou aos 57, depois de 28 anos de caminhada.
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Depois de 28 anos e 50 mil quilômetros percorridos a pé, Karl Bushby chegou nesta segunda-feira (2) à porta da casa onde cresceu. Assim que o viu, a mãe, Angela, o abraçou chorando e fez uma pergunta simples: “Onde você esteve?”. Com aquele abraço, o ex-paraquedista encerrou, enfim, a volta ao mundo a pé que começou em 1998.

A cena, registrada pela Al Jazeera, aconteceu em Hull, cidade do norte da Inglaterra, em frente à casa de onde ele saiu aos 29 anos. Além disso, uma faixa na fachada dizia “Bem-vindo de volta, filho”. Até então, Bushby, hoje com 57 anos, não via a mãe havia uma década.

Como começou a volta ao mundo a pé

Segundo a agência AP, a caminhada começou em Punta Arenas, no extremo sul do Chile, em 1º de novembro de 1998. Desde o primeiro passo, Bushby seguiu duas regras: não usar transporte motorizado para avançar e só voltar para casa andando. Por isso, ele atravessou a nado o Mar Cáspio e o Canal da Mancha, em vez de pegar barco ou avião.

Na verdade, a ideia nasceu de um cartão de aniversário. Em meados dos anos 1990, o pai dele, Keith, veterano do Exército, escreveu no cartão sobre uma discussão entre dois militares das forças especiais. O debate era se alguém conseguiria ir a pé de Londres a Nova York, passando pelo Estreito de Bering.

A princípio, Bushby calculou que levaria cerca de cinco anos. Logo depois, a conta subiu para mais de 12. “Nunca, nem nos sonhos mais loucos, imaginamos 28 anos”, afirmou.

Prisão, urso-polar e anos parado na fronteira

Desde o início, porém, o caminho cobrou caro. Em 2001, ele enfrentou a Selva de Darién, região sem estradas e marcada por conflitos entre a América do Sul e a Central. Logo em seguida, passou 18 dias preso no Panamá por entrar numa zona de fronteira restrita.

Em 2006, cinco anos depois, encarou os 90 quilômetros de gelo do Estreito de Bering ao lado do aventureiro americano Dimitry Kieffer. Na primeira tentativa, uma aeronave precisou retirar os dois do gelo. Mesmo assim, eles recomeçaram e ainda ficaram frente a frente com um urso-polar. Pelo caminho, também caíram em águas congeladas e quase perderam os suprimentos quando os trenós afundaram. Ao completar a travessia, por fim, acabaram na cadeia, sob ameaça de deportação, por entrar ilegalmente na Rússia.

Além disso, atravessar o território russo levou quase dez anos, por causa de problemas de visto e do clima. Em 2012, quando a Rússia negou o visto, Bushby caminhou de Los Angeles até a embaixada russa em Washington, em protesto. Como resultado, ele conseguiu os documentos. Também pesaram a crise financeira de 2008, que secou o dinheiro dos patrocinadores, e a pandemia, que parou tudo de novo em 2020.

Reencontro com a família no fim da caminhada

No mês passado, depois de cruzar o Canal da Mancha a nado, ele encontrou o pai e os irmãos à espera na praia de Dover. Nos últimos meses, ele também reencontrou o filho Adam, de 36 anos, que pouco viu ao longo da vida. Além disso, conheceu a neta, de 12 anos.

Já no último dia, Bushby empurrou o carrinho com seus pertences até a prefeitura de Hull, onde centenas de pessoas o aplaudiram. “Desculpem a demora”, brincou. Em seguida, agradeceu a quem o ajudou pelo caminho. Segundo ele, foi preciso “o maior time de todos: a Terra”.

Agora, porém, o desafio é outro. Ele vai morar no porão da casa da mãe e admite que não sabe o que vem pela frente. “É como atravessar a borda de um buraco negro, não tenho ideia do que vai acontecer na minha vida”, disse.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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