Uma gigante mundial dos eletrodomésticos decidiu mudar a rota de parte da sua produção na América do Sul e escolheu o Brasil para receber uma nova etapa de expansão industrial. A operação envolve marcas muito conhecidas dos consumidores brasileiros e promete movimentar uma cadeia inteira de fornecedores, trabalhadores e tecnologia.
A decisão chama atenção porque a empresa encerrou a fabricação de um tipo de produto no país vizinho e transferiu a estrutura para o mercado brasileiro. Com isso, o Brasil ganha mais protagonismo dentro da estratégia regional da companhia, enquanto a Argentina perde uma operação inaugurada há menos de três anos.
A mudança envolve a Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul. A multinacional anunciou investimento superior a R$ 300 milhões para ampliar e modernizar a fábrica de Rio Claro, no interior de São Paulo, que passará a concentrar a produção de lavadoras antes feita em Pilar, na região metropolitana de Buenos Aires.
Produção deixa a Argentina e passa para o Brasil
A Whirlpool decidiu encerrar a produção de máquinas de lavar na Argentina e direcionar os ativos para a unidade brasileira. A fábrica argentina de Pilar havia sido inaugurada em 2022, mas deixou de produzir lavadoras em menos de três anos de operação.
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Agora, a produção dos modelos front-load, como lavadoras de abertura frontal e máquinas lava e seca, ficará concentrada em Rio Claro. Esses produtos vêm ganhando espaço entre os consumidores por reunirem tecnologia, economia de espaço e funções mais modernas.
Segundo a empresa, a transferência faz parte de uma estratégia para tornar a operação mais eficiente e competitiva. Na prática, a Whirlpool quer ganhar escala, reduzir custos industriais e fortalecer a fábrica brasileira como base de atendimento para outros mercados da América Latina.
Fábrica da Brastemp e Consul terá robôs
O investimento de mais de R$ 300 milhões também vai transformar a linha de produção em São Paulo. A unidade de Rio Claro receberá mais de 20 robôs industriais e novos equipamentos para ampliar a automação.
Além disso, a companhia pretende nacionalizar grande parte da cadeia produtiva. A previsão é que cerca de 95% dos componentes usados nas novas lavadoras sejam fabricados no Brasil.
Com isso, a empresa reduz a dependência de peças importadas e deixa a produção menos vulnerável a problemas como variação cambial, atrasos logísticos e dificuldades no comércio internacional.
A expectativa é que as primeiras máquinas produzidas dentro da nova estrutura comecem a sair da linha de montagem em setembro.
Investimento pode gerar 2,8 mil empregos
A expansão também deve impactar a economia de Rio Claro e de municípios próximos. A Whirlpool estima que o projeto tenha potencial para gerar aproximadamente 2,8 mil empregos diretos e indiretos, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
O anúncio reuniu representantes da empresa, autoridades municipais, integrantes do governo de São Paulo e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
Para o setor industrial brasileiro, a decisão reforça a disputa entre países da América do Sul por fábricas, investimentos e postos de trabalho. Enquanto a Argentina perdeu a produção de lavadoras, o Brasil foi escolhido para receber a nova fase do projeto.
Fábrica na Argentina durou menos de três anos
A unidade de Pilar, na Argentina, havia sido apresentada como um projeto importante para a produção local de eletrodomésticos. Na época, a fábrica recebeu um investimento expressivo e tinha capacidade para fabricar até 300 mil máquinas de lavar por ano.
No entanto, o cenário mudou em pouco tempo. A Whirlpool decidiu encerrar a produção no país vizinho e transferir parte da estrutura para reforçar a operação brasileira.
Mesmo com o fim da fabricação local de lavadoras, a empresa afirma que continuará atendendo os consumidores argentinos. Os produtos devem chegar ao país por meio de outras unidades do grupo e da rede de distribuição da companhia.
Brasil ganha força na produção de eletrodomésticos
A transferência chama atenção porque envolve duas marcas muito populares no Brasil: Brastemp e Consul. Além disso, ocorre em um momento de reorganização da indústria na América do Sul, com empresas buscando operações mais enxutas, competitivas e próximas de seus principais mercados.
De um lado, a Whirlpool tenta concentrar produção, ampliar escala e reduzir custos. Do outro, a decisão reacende o debate sobre a perda de fábricas na Argentina e a capacidade do Brasil de atrair investimentos industriais.
Com o novo aporte, Rio Claro passa a ocupar posição ainda mais estratégica dentro da operação da Whirlpool. A cidade paulista deve se consolidar como um dos principais polos de produção de lavadoras da companhia na América Latina.