Uma gigante industrial vai encerrar uma fábrica histórica no Brasil após quase três décadas de operação. A unidade, que marcou uma fase importante da produção nacional, chegou a reunir cerca de 2 mil funcionários e agora terá suas atividades transferidas para outro complexo no interior de São Paulo.
O fechamento está previsto para o dia 30 de junho e encerra um ciclo de 28 anos em Indaiatuba. A planta foi responsável por mais de 1 milhão de unidades produzidas e se tornou uma das mais simbólicas da companhia no país.
A fábrica pertence à Toyota, que decidiu concentrar a produção em Sorocaba, também no interior paulista. A mudança faz parte de uma reorganização industrial anunciada pela montadora e não significa saída da empresa do Brasil.
Na prática, a companhia fecha uma unidade tradicional, mas mantém planos de expansão no mercado brasileiro. A estratégia inclui novos investimentos, ampliação da capacidade produtiva e preparação para modelos mais modernos e eletrificados.
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Produção será transferida para Sorocaba
Com o fechamento da unidade antiga, Sorocaba passa a ter ainda mais importância nos planos da Toyota no Brasil. A cidade já vinha recebendo ampliações e agora ficará no centro da nova organização industrial da montadora.
A empresa afirma que a mudança permitirá ganhos de escala e mais eficiência. Além disso, o complexo paulista será preparado para receber novos projetos da marca nos próximos anos.
A reorganização também acompanha uma tendência do setor. Grandes empresas têm concentrado operações em plantas maiores, mais modernas e com capacidade de adaptação para veículos eletrificados.
Por isso, embora uma fábrica seja fechada, a Toyota tenta transformar a decisão em uma nova fase de investimento no país, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Nova fábrica será inaugurada
Apesar do fechamento em Indaiatuba, a Toyota mantém planos de expansão no mercado brasileiro. A empresa prevê inaugurar, em novembro de 2026, uma segunda fábrica em Sorocaba.
A nova unidade faz parte de um pacote de investimentos de R$ 11 bilhões anunciado pela montadora para o Brasil até 2030. O projeto inclui aumento da capacidade produtiva, preparação para novos veículos e avanço em tecnologias de eletrificação.
Entre os principais focos da estratégia estão os modelos híbridos. Esse segmento já tem forte presença da Toyota no país e deve ganhar ainda mais espaço nos próximos anos.
Além disso, a ampliação em Sorocaba reforça a aposta da empresa em uma operação mais concentrada e com maior escala. De acordo com a montadora, a expansão do complexo paulista já criou cerca de 2 mil empregos diretos.
Funcionários tiveram opção de transferência
O fechamento da fábrica de Indaiatuba também mudou o destino dos trabalhadores da unidade. Quando anunciou a reorganização, a Toyota informou que a prioridade seria transferir os empregados para Sorocaba.
Na época, o presidente da Toyota do Brasil, Evandro Maggio, afirmou que o novo complexo teria capacidade para absorver todos os trabalhadores da unidade que seria encerrada.
No entanto, a mudança envolveu negociação com sindicatos. Parte dos funcionários aceitou seguir para Sorocaba. Outra parte preferiu aderir ao pacote de desligamento negociado com a empresa.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região avalia que a ampliação da Toyota pode fortalecer toda a cadeia automotiva da região. Segundo a entidade, além dos empregos diretos anunciados pela empresa, o investimento pode movimentar fornecedores e gerar cerca de 8 mil postos indiretos.
A entidade acompanha o processo de transferência dos funcionários e afirma que monitora o cumprimento dos compromissos assumidos pela montadora.
Fechamento teve greve e acordo
O anúncio do encerramento das atividades em Indaiatuba, feito em 2024, provocou reação entre os funcionários. Na época, trabalhadores cruzaram os braços e abriram negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região.
Depois das conversas, a Toyota firmou um acordo com os empregados. Segundo o presidente do sindicato, Jair dos Santos, a empresa vem cumprindo o que foi negociado.
O pacote garantiu condições diferentes para quem decidiu sair da empresa e para quem aceitou a transferência para Sorocaba. Os trabalhadores que optaram pelo desligamento receberam 45 salários, além de dois salários extras por ano trabalhado na montadora.
O acordo também garantiu estabilidade até julho de 2026, manutenção do convênio médico e do cartão cesta por 36 meses após a demissão.
Já os funcionários transferidos para Sorocaba terão estabilidade até julho de 2029. Quem aceitou trabalhar na nova cidade, mas não mudou de residência, recebeu dois salários e mais R$ 15 mil.
Por outro lado, os empregados que decidiram mudar de cidade tiveram direito a 2,4 salários adicionais. Além disso, o acordo permite que o trabalhador transferido peça desligamento em até sete meses depois da mudança.
Nesse caso, ele mantém o direito ao pacote negociado, com desconto dos valores pagos durante o processo de transferência.
Fim de uma fase, mas não dos investimentos
O fechamento da fábrica de Indaiatuba encerra um capítulo histórico da Toyota no Brasil. A unidade foi responsável por consolidar a produção nacional do Corolla e teve papel importante na presença da marca no país.
Por outro lado, a montadora tenta transformar a mudança em uma nova fase de expansão. Com a concentração em Sorocaba, a Toyota pretende aumentar a eficiência da operação, ampliar a produção e preparar a estrutura brasileira para os próximos anos.
Na prática, a empresa fecha uma fábrica tradicional, mas reforça sua aposta no Brasil com novos investimentos, mais empregos em Sorocaba e uma estratégia voltada para modelos mais modernos e eletrificados.