Uma gigante mundial dos eletrodomésticos decidiu mudar a rota da produção na América do Sul e reforçar sua aposta no Brasil. A Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, vai concentrar em território brasileiro a fabricação de lavadoras que antes saíam de uma unidade na Argentina.
A empresa anunciou investimento de mais de R$ 400 milhões para ampliar e modernizar a fábrica de Rio Claro, no interior de São Paulo. Com a mudança, a unidade brasileira ganha mais força dentro da estratégia da multinacional na América Latina.
Na prática, o Brasil vai receber a produção de lavadoras e lava e seca de abertura frontal, conhecidas como front-load, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo. Esses modelos eram fabricados em Pilar, na região metropolitana de Buenos Aires, mas a Whirlpool decidiu encerrar essa operação no país vizinho.
Gigante dos eletrodomésticos terá produção reforçada no Brasil
A decisão envolve duas marcas muito conhecidas pelos brasileiros: Brastemp e Consul. A Whirlpool pretende transformar a fábrica paulista em um polo mais moderno e competitivo para a produção de lavadoras.
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Além disso, a companhia vai ampliar o uso de tecnologia na linha de montagem. A nova estrutura deve contar com mais de 20 robôs industriais, que vão atuar em diferentes etapas da fabricação dos equipamentos.
Outro ponto importante está na nacionalização dos componentes. A empresa informou que cerca de 95% das peças usadas nas novas lavadoras deverão ser fabricadas no Brasil. Com isso, a operação reduz a dependência de itens importados e ganha mais proteção contra variação cambial, atrasos logísticos e dificuldades no comércio exterior.
Produção na Argentina durou menos de três anos
A saída da Argentina chama atenção porque a fábrica de Pilar era recente. A unidade havia sido inaugurada em 2022 e tinha capacidade para produzir até 300 mil máquinas de lavar por ano.
Mesmo assim, a Whirlpool decidiu mudar a estratégia. A empresa encerrou a fabricação de lavadoras no país vizinho e transferiu parte dos ativos para fortalecer a operação brasileira.
Apesar do fim da produção em Pilar, a companhia informou que continuará atendendo os consumidores argentinos. Nesse caso, os produtos devem chegar ao país por meio de outras unidades do grupo e pela rede de distribuição local.
Investimento pode gerar 2,8 mil empregos
O novo aporte também deve movimentar a economia de Rio Claro e de cidades próximas. A Whirlpool estima que a expansão possa gerar cerca de 2,8 mil empregos diretos e indiretos.
A previsão é que as primeiras máquinas fabricadas dentro da nova estrutura comecem a sair da linha de produção em setembro deste ano.
O anúncio contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, além de representantes do governo paulista, autoridades municipais e executivos da empresa.
Brasil ganha força na disputa por fábricas
A decisão da Whirlpool reforça a disputa entre países da América do Sul por investimentos industriais. Enquanto a Argentina perdeu a produção de lavadoras, a Whirlpool escolheu o Brasil para receber a nova etapa de expansão da companhia.
Para a empresa, a concentração da produção em Rio Claro ajuda a ganhar escala, melhorar a eficiência e tornar os produtos mais competitivos. Para o Brasil, o movimento fortalece a cadeia nacional de eletrodomésticos e amplia o peso da indústria paulista no setor.
Com o investimento, a fábrica de Rio Claro passa a ocupar papel ainda mais estratégico na operação da Whirlpool. A unidade deve se consolidar como base importante para a produção de lavadoras Brastemp e Consul destinadas ao mercado brasileiro e a outros países da América Latina.