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Segunda maior montadora do Brasil avança com fechamento de 4 fábricas e demissão de 100 mil funcionários

Montadora está avançando com o fechamento de 4 fábricas e demissão de 100 mil funcionários.
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Montadora Fábricas Funcionários
Montadora está avançando com o fechamento de 4 fábricas e demissão de 100 mil funcionários. Crédito: Divulgação
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Uma gigante mundial do setor automotivo colocou em andamento uma das maiores reestruturações de sua história. Entre redução de postos já programada e uma nova rodada de cortes que entrou em discussão, até 100 mil empregos podem desaparecer da estrutura do grupo nos próximos anos.

A reorganização também ameaça o futuro de quatro importantes complexos industriais. Sem garantia de novos modelos para manter todas as linhas ocupadas, algumas fábricas poderão perder produção, reduzir drasticamente sua capacidade ou, no cenário mais severo, encerrar as atividades.

A empresa no centro desse movimento é a Volkswagen, que possui uma das maiores operações automobilísticas do planeta e aparece entre as marcas líderes de vendas no mercado brasileiro.

As quatro fábricas atualmente sob pressão, porém, ficam na Alemanha. Até o momento, não existe anúncio de fechamento das unidades brasileiras da montadora relacionado a essa reestruturação.

Montadora admite possibilidade de cortar mais 50 mil empregos

A preocupação aumentou depois que o CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, indicou aos funcionários que novos cortes poderão ser necessários caso outras medidas de economia não entreguem os resultados esperados.

A possibilidade envolve aproximadamente 50 mil postos adicionais.

Esse número se soma a dezenas de milhares de vagas que já fazem parte de programas de redução definidos anteriormente dentro das diferentes empresas controladas pelo grupo.

Somando as duas frentes, a Volkswagen pode terminar o processo com uma força de trabalho até 100 mil funcionários menor.

Isso não significa, entretanto, que a montadora já decidiu demitir 100 mil pessoas, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Parte dessa redução já está prevista para ocorrer gradualmente. Outra parcela ainda aparece como uma possibilidade apresentada pela administração enquanto a empresa negocia maneiras de reduzir seus custos.

Montadora já prepara milhares de demissões

A Volkswagen AG já havia fechado um acordo para eliminar aproximadamente 35 mil empregos até o fim da década.

Outras empresas pertencentes ao grupo também trabalham com programas de redução.

Entre elas estão Audi, Porsche e Cariad, braço responsável por software e tecnologia automotiva.

Mais de 28 mil desligamentos e saídas já começaram a entrar nos planos do conglomerado.

Em muitos casos, a companhia tenta diminuir seu quadro sem recorrer diretamente a grandes demissões coletivas. Para isso, utiliza aposentadorias, programas voluntários e a decisão de não preencher determinadas vagas quando trabalhadores deixam a empresa.

Mesmo com essas medidas, a direção considera que o custo atual continua elevado.

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Por esse motivo, outros 50 mil empregos passaram a ser discutidos.

Quatro fábricas podem perder produção

Além da redução de funcionários, a reorganização coloca quatro grandes unidades industriais no centro das negociações.

As fábricas ficam em Emden, Hannover, Zwickau e Neckarsulm, todas na Alemanha.

Emden, Hannover e Zwickau fazem parte diretamente da operação da Volkswagen. Já Neckarsulm pertence à Audi, marca de luxo controlada pelo grupo.

O principal problema envolve o que essas fábricas produzirão nos próximos anos.

Alguns veículos atualmente montados nessas unidades se aproximam do fim de seus ciclos comerciais. Por isso, cada fábrica precisa receber novos projetos para manter suas linhas funcionando com capacidade suficiente.

Sem novos modelos, a empresa poderá reduzir turnos e diminuir o volume de produção.

No pior cenário, o fechamento de unidades entra como uma possibilidade.

Montadora tenta encontrar alternativa ao fechamento

A administração ainda avalia opções antes de abandonar completamente essas fábricas.

Uma delas seria reduzir a capacidade de produção e manter somente parte das linhas funcionando.

Outra possibilidade envolve compartilhar determinados espaços industriais com parceiros ou destinar áreas das fábricas para novas atividades.

A decisão dependerá principalmente da quantidade de veículos que a Volkswagen espera vender nos próximos anos e dos investimentos necessários para manter cada complexo competitivo.

Representantes dos trabalhadores, entretanto, pressionam a montadora para que apresente novos modelos e investimentos antes de discutir qualquer encerramento definitivo.

Trabalhadores dificultam fechamento das fábricas

A estrutura administrativa da Volkswagen torna uma decisão desse tamanho mais complexa.

Representantes dos empregados possuem forte participação no conselho de supervisão da companhia e conseguem influenciar decisões estratégicas relacionadas a fábricas e empregos.

Além disso, o estado da Baixa Saxônia é acionista da Volkswagen e também acompanha as negociações.

Sindicatos querem garantias sobre o futuro das unidades ameaçadas.

Eles cobram informações sobre quais automóveis serão produzidos em cada fábrica, quanto dinheiro será destinado às plantas e quantos postos realmente precisarão desaparecer.

A direção argumenta, por outro lado, que precisa diminuir gastos rapidamente.

Concorrência chinesa pressiona a montadora

Uma parte importante da crise está relacionada à transformação do mercado automotivo mundial.

Durante décadas, a China representou uma das principais fontes de vendas e lucros da Volkswagen.

Esse cenário mudou.

Fabricantes chinesas ganharam participação principalmente entre os veículos elétricos e híbridos. Muitas conseguem desenvolver novos modelos rapidamente e colocá-los no mercado com preços competitivos e grande quantidade de tecnologia embarcada.

A Volkswagen passou, portanto, a disputar compradores com empresas que não tinham o mesmo peso internacional poucos anos atrás.

Enquanto enfrenta essa concorrência, o grupo também precisa financiar sua própria transformação.

Bilhões são destinados ao desenvolvimento de veículos elétricos, baterias, softwares, plataformas e novas tecnologias.

Grupo quer produzir carros com menos custos

A redução de despesas também deverá atingir a quantidade de modelos e versões oferecidos pelas diferentes marcas.

O Grupo Volkswagen possui uma estrutura gigantesca.

Além da própria Volkswagen, fazem parte do conglomerado marcas como Audi, Porsche, Škoda, Seat e Cupra.

Muitos veículos compartilham plataformas, componentes e tecnologias. Mesmo assim, manter uma enorme quantidade de versões, motores e equipamentos aumenta a complexidade industrial.

A estratégia agora passa por concentrar investimentos nos projetos considerados mais importantes e rentáveis.

A empresa também pretende adequar suas fábricas europeias a uma demanda menor.

Uma unidade poderá produzir menos veículos. Outra poderá perder turnos. Algumas fábricas poderão receber novos produtos, enquanto outras terão parte de suas estruturas reaproveitada.

Resultado financeiro aumenta pressão por cortes

A necessidade de economizar também aparece nos resultados financeiros.

A Volkswagen terminou 2025 com margem operacional próxima de 2,8%.

Para 2026, a companhia trabalha com uma margem entre aproximadamente 4% e 5,5%.

O objetivo de longo prazo é alcançar níveis próximos de 8% a 10%.

Para chegar lá, a administração considera indispensável reduzir custos industriais, trabalhistas e administrativos.

É justamente nesse cenário que entram os cortes de empregos e a reorganização das fábricas.

Montadora vai fechar fábricas no Brasil?

As quatro unidades atualmente ameaçadas ficam na Alemanha.

Também não existe anúncio de que os possíveis 50 mil novos cortes serão concentrados no Brasil ou de que as fábricas brasileiras entrarão nessa rodada de encerramentos.

A Volkswagen mantém uma extensa operação industrial no país e ocupa posição de destaque no mercado nacional de veículos.

Portanto, o plano discutido atualmente não significa que quatro fábricas brasileiras serão fechadas.

Mesmo assim, uma reorganização internacional desse tamanho pode produzir consequências indiretas no futuro.

Decisões globais sobre plataformas, investimentos, novos modelos e divisão da produção entre países podem alterar a estratégia das operações locais.

Segunda maior montadora do Brasil pode demitir 100 mil funcionários

O cenário dentro da montadora ainda está em negociação.

A Volkswagen já possui uma redução significativa de funcionários programada para os próximos anos. Agora, sua direção admite acrescentar outros 50 mil postos aos cortes caso não encontre maneiras suficientes de diminuir despesas.

Com isso, a reestruturação total poderia alcançar cerca de 100 mil empregos.

Ao mesmo tempo, quatro fábricas enfrentam incertezas sobre quais veículos produzirão no futuro.

Nem os 100 mil cortes nem o fechamento das quatro unidades representam, neste momento, uma decisão definitiva e imediata.

No entanto, a dimensão das medidas discutidas mostra o tamanho da transformação enfrentada por uma das maiores montadoras do mundo enquanto tenta reduzir custos e recuperar competitividade diante da nova realidade da indústria automobilística.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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