Uma das maiores fabricantes de pneus do mundo encerrou definitivamente as atividades de uma fábrica no Brasil. O fechamento colocou fim à produção no local e provocou o desligamento de aproximadamente 350 trabalhadores.
A unidade fabricava produtos para motocicletas, bicicletas e aplicações industriais. Além disso, fornecia componentes usados em outras etapas da cadeia produtiva.
A multinacional responsável pela decisão é a Michelin, gigante francesa que está entre as marcas de pneus mais conhecidas do mundo.
A fábrica ficava em Guarulhos, na Grande São Paulo, e carregava uma história industrial de mais de sete décadas. Após um processo gradual de desativação, as linhas de produção foram definitivamente desligadas.
Leia também
O encerramento brasileiro também aconteceu em meio a uma reorganização internacional. Nos últimos anos, a Michelin fechou fábricas ou encerrou atividades produtivas no México, França e Alemanha, atingindo milhares de trabalhadores.
Fabricante de pneus fecha fábrica e demite funcionários
O complexo de Guarulhos empregava aproximadamente 350 pessoas antes do encerramento.
A Michelin decidiu retirar gradualmente a produção da unidade. Durante a transição, a companhia negociou medidas para os trabalhadores afetados.
Entre as ações discutidas estavam compensações financeiras e programas de orientação profissional, além dos direitos previstos pela legislação trabalhista.
A produção terminou definitivamente depois da conclusão desse processo, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
A unidade fabricava principalmente câmaras de ar para pneus de motocicletas e bicicletas. Também saíam da fábrica pneus industriais e produtos semiacabados destinados a outras operações da companhia.
Com o fechamento, toda essa atividade industrial deixou de existir no endereço.
Importações asiáticas pesaram na decisão
A Michelin relacionou o encerramento diretamente às mudanças no mercado brasileiro.
Segundo a fabricante, a entrada crescente de produtos importados da Ásia criou uma situação de supercapacidade produtiva em determinados segmentos.
Parte desses produtos chegava ao mercado com preços inferiores aos custos enfrentados pela produção nacional.
O problema atingiu especialmente o mercado de câmaras de ar para motocicletas e bicicletas, justamente uma das principais atividades da fábrica.
Antes de fechar a unidade, a Michelin informou que avaliou alternativas para manter a operação.
No entanto, a empresa concluiu que o cenário de mercado não apresentava perspectivas suficientes para tornar a fábrica sustentável no longo prazo.
Dessa forma, o encerramento avançou até a retirada definitiva da produção.
Fábrica carregava mais de 70 anos de história
Embora estivesse sob controle da Michelin havia menos tempo, a instalação possuía uma história muito mais antiga.
A estrutura pertencia anteriormente à Levorin, tradicional fabricante brasileira de pneus adquirida pela multinacional francesa em 2016.
A produção ligada à antiga Levorin já fazia parte da história industrial da região havia mais de 70 anos.
Após a aquisição, a Michelin incorporou a fábrica à sua operação brasileira e manteve diferentes linhas produtivas no local.
Portanto, o fechamento encerrou uma trajetória que atravessou várias décadas da indústria nacional de pneus.
Fabricante de pneus também fechou fábrica no México
Quase simultaneamente ao processo brasileiro, a Michelin promoveu outro importante ajuste industrial na América Latina.
A fabricante decidiu encerrar sua fábrica localizada em Querétaro, no México.
A unidade contava com aproximadamente 480 trabalhadores.
Nesse caso, o motivo apresentado pela empresa estava relacionado principalmente à transformação do mercado de pneus para automóveis e veículos comerciais leves.
Os consumidores passaram a buscar pneus maiores. Entretanto, a fábrica mexicana estava estruturada para produzir modelos menores.
Segundo a Michelin, adaptar completamente a unidade exigiria investimentos que não tornariam a operação competitiva.
Por isso, a companhia decidiu pelo fechamento.
A Michelin, porém, continuou produzindo pneus no México por meio de sua fábrica de León, no estado de Guanajuato, inaugurada em 2016.
Somente os ajustes de Guarulhos e Querétaro envolveram aproximadamente 830 trabalhadores.
Gigante dos pneus também fechou fábricas
A redução da capacidade industrial não ficou restrita à América Latina.
No país onde nasceu a Michelin, a companhia também decidiu encerrar duas importantes fábricas.
As unidades de Cholet e Vannes, na França, somavam mais de 1,2 mil funcionários.
Cholet era a maior delas.
A fábrica empregava aproximadamente 955 pessoas e concentrava grande parte de sua operação na fabricação de pneus de até 17 polegadas para veículos comerciais leves.
Nos últimos anos, entretanto, o volume produzido caiu de maneira significativa.
A unidade fabricava aproximadamente 4,37 milhões de pneus em 2019. Em 2024, a produção havia recuado para cerca de 2,62 milhões.
Já a fábrica de Vannes contava com aproximadamente 299 trabalhadores.
No local, a Michelin produzia principalmente reforços metálicos usados posteriormente na fabricação de pneus em outras unidades europeias.
Pneus asiáticos também pressionaram mercado
Ao justificar as decisões na França, a Michelin voltou a citar mudanças provocadas pela concorrência internacional.
A companhia apontou um crescimento significativo dos pneus de entrada e dos produtos de menor preço, principalmente aqueles fabricados na Ásia.
Ao mesmo tempo, a empresa enfrentou inflação e custos maiores de energia na Europa.
Essa combinação reduziu a competitividade de determinadas fábricas e provocou excesso de capacidade em algumas operações.
A Michelin também afirmou que analisou possibilidades antes de optar pelos fechamentos.
Posteriormente, a fabricante rejeitou a interpretação de que simplesmente teria transferido toda a produção francesa para países de menor custo.
Segundo a companhia, os volumes remanescentes foram redistribuídos entre fábricas que já existiam.
Fabricante de pneus encerrou produção em unidades
Outra grande reorganização ocorreu na Alemanha.
A companhia decidiu interromper gradualmente a produção industrial nos sites de Karlsruhe e Trier.
Além disso, encerrou a fabricação de pneus novos e produtos semiacabados em Homburg.
A mudança atingiu aproximadamente 1.532 funcionários.
A Michelin também transferiu o centro de atendimento ao cliente localizado em Karlsruhe para a Polônia.
Nesse caso, a fabricante apontou principalmente a expansão dos pneus baratos para caminhões e a perda de competitividade de suas operações alemãs.
Embora existam diferenças entre os processos em cada país, todos fazem parte de uma redução da capacidade em operações consideradas menos competitivas.
Fechamentos e cortes atingem milhares de trabalhadores
Os principais movimentos recentes mostram o tamanho da transformação industrial enfrentada pela fabricante.
Guarulhos e Querétaro reuniam aproximadamente 830 trabalhadores afetados.
As duas fábricas francesas somavam cerca de 1.254 empregados.
Na Alemanha, outras 1.532 pessoas foram atingidas pela reorganização.
Somados, esses movimentos envolveram aproximadamente 3,6 mil trabalhadores.
Os casos, porém, não são idênticos.
No Brasil, México e França, houve decisões de fechamento de fábricas. Já na Alemanha, a reestruturação combinou encerramento de produção em determinados locais com a retirada de atividades específicas.
Ainda assim, as decisões mostram como a Michelin vem redesenhando sua estrutura industrial diante da concorrência de produtos baratos e das mudanças no mercado mundial de pneus.
Fabricante de pneus continua produzindo no Brasil
O fechamento da fábrica de Guarulhos não significa que a Michelin deixou o Brasil.
A multinacional continua mantendo uma ampla estrutura produtiva e tecnológica no país.
Entre suas operações estão fábricas de pneus no Rio de Janeiro, Itatiaia e Manaus, além de unidades relacionadas a equipamentos e tecnologia automotiva.
A empresa também possui centros administrativos, estruturas de pesquisa e atividades ligadas ao beneficiamento de borracha.
Quando anunciou a desativação da fábrica paulista, a Michelin informou que possuía mais de 8 mil trabalhadores no Brasil considerando sua cadeia de atividades.
Portanto, a companhia permanece no mercado brasileiro.
O que chegou definitivamente ao fim foi a produção da antiga unidade de Guarulhos.
O encerramento deixou aproximadamente 350 trabalhadores sem os postos mantidos pela fábrica, finalizou uma história industrial de mais de 70 anos e colocou a unidade brasileira na mesma sequência de reorganizações que alcançou operações da Michelin em outros países.