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País prepara lei para proibir Roblox, TikTok e Snapchat para menores de 16 anos

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Mão segura celular com o logotipo do TikTok na tela; app entra no debate sobre redes sociais para menores de 16 anos
TikTok está entre as plataformas que a Noruega quer proibir para menores de 16 anos
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Proibir que menores de 16 anos tenham conta em redes sociais. A ideia, que hoje tramita na Câmara dos Deputados, está perto de sair do papel em um país da Europa. E a lista de plataformas na mira inclui TikTok, Snapchat e até o Roblox, jogo que virou febre entre as crianças brasileiras.

O governo desse país anunciou na segunda-feira (19) que a lei de proibição de redes sociais para menores de 16 anos está quase pronta e deve chegar ao Parlamento até o fim do ano. Por enquanto, nada mudou: a proibição ainda depende do voto dos parlamentares.

O país é a Noruega, e o movimento por lá reacende uma pergunta que já ronda as famílias brasileiras: até que ponto o Estado deve decidir o que uma criança pode acessar na internet?

Como vai funcionar a proibição de redes sociais para menores de 16 anos

No começo, a expectativa era que jogos online e aplicativos de mensagem ficassem de fora. O governo norueguês, porém, mudou de ideia e decidiu avaliar cada plataforma pelo risco que ela oferece às crianças.

Na prática, serviços considerados seguros, como aplicativos usados na comunicação da escola, podem continuar liberados. Já as plataformas vistas como nocivas entram na lista.

A ministra da Criança e da Família, Lene Vågslid, resumiu a posição do governo ao dizer que a segurança das crianças vem em primeiro lugar. Segundo ela, a lei quer proteger os menores de conteúdo nocivo, recursos que viciam, publicidade ilegal e contato com estranhos.

E quem vai conferir a idade? As próprias empresas. Elas terão de verificar quem está do outro lado da tela com sistemas que respeitem as regras europeias de proteção de dados.

Europa fecha o cerco às redes sociais

A Noruega não está sozinha. Na Dinamarca, restrições parecidas já valem, e a Espanha prepara uma proibição para menores de 16 anos. Em setembro, a França tentou barrar redes sociais para menores de 15, mas o Conselho Constitucional derrubou a medida por risco à liberdade de expressão.

Fora da Europa, a Austrália saiu na frente ao fixar 16 anos como idade mínima. No México, um senador apresentou nesta semana uma proposta para proibir contas de menores de 13 anos.

E no Brasil?

Por aqui, a regra que vale é o ECA Digital, em vigor desde março. A lei não proíbe redes sociais para menores, mas exige que contas de adolescentes de até 16 anos fiquem ligadas à de um responsável. Também obriga as plataformas a conferir a idade sem depender só da palavra do usuário.

Na Câmara, porém, o debate vai além. O PL 330/2026, do deputado Renan Ferreirinha (PSD-RJ), quer impedir que menores de 16 anos mantenham contas em redes sociais abertas. Apresentado em fevereiro, o texto tramita junto com mais de 20 propostas sobre o tema e ainda aguarda parecer da Comissão de Comunicação.

O Roblox, inclusive, já sentiu a pressão. Desde janeiro, a plataforma exige verificação de idade, por selfie ou documento, para liberar o chat no Brasil, o que provocou uma onda de reclamações de crianças dentro do próprio jogo.

Proteção ou exagero?

Autor do projeto brasileiro, Ferreirinha já comparou o celular sem restrição na mão de crianças ao cigarro de décadas atrás. Do outro lado, críticos alertam para o risco à liberdade de expressão e para a dificuldade de fiscalizar. Uma pesquisa de 2025 da Unico com a Ipsos mostrou que 3 em cada 10 adolescentes brasileiros já burlaram a idade mínima das plataformas.

Os adultos brasileiros, pelo menos, parecem ter lado. Levantamento do Instituto Locomotiva divulgado neste mês aponta que 82% condenam o uso de celular por crianças de até três anos.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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