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Super El Niño vai atingir pico em 2026 e será o mais forte dos últimos 150 anos com calor extremo no Brasil

Super El Niño vai atingir pico em 2026 e será o mais forte dos últimos 150 anos.
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Calor Super El Niño
Super El Niño vai atingir pico em 2026 e será o mais forte dos últimos 150 anos. Crédito: Divulgação
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Uma combinação de temperaturas elevadas, risco de ondas de calor e mudanças no comportamento das chuvas poderá marcar os próximos meses. Projeções internacionais indicam que um fenômeno climático de grandes proporções está ganhando intensidade e pode alcançar níveis nunca registrados desde o início das observações meteorológicas modernas.

O cenário preocupa especialistas porque o aquecimento das águas oceânicas está avançando rapidamente. Além disso, a quantidade de calor acumulada no planeta pode ampliar os efeitos do fenômeno, favorecendo temperaturas acima da média e episódios de tempo extremo.

As previsões também apontam para uma possível mudança histórica. Caso os modelos climáticos se confirmem, o episódio poderá superar grandes eventos registrados ao longo dos últimos 150 anos, provocando consequências que poderão continuar durante boa parte de 2027.

Trata-se do Super El Niño de 2026, que está em desenvolvimento no Oceano Pacífico e já mobiliza centros meteorológicos internacionais. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou novas projeções sobre o período de maior intensidade, enquanto órgãos brasileiros alertam para os riscos de calor, estiagem e chuvas intensas.

Super El Niño aumenta risco de calor extremo no Brasil

Uma das principais preocupações dos meteorologistas envolve as temperaturas que poderão atingir diferentes regiões nos próximos meses.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), grande parte do território brasileiro deverá apresentar temperaturas acima da média durante a primavera de 2026 e o início do verão de 2027.

Esse cenário poderá favorecer períodos prolongados de calor, principalmente nas regiões que já enfrentam temperaturas elevadas e redução das chuvas.

Além disso, a combinação entre calor intenso, baixa umidade e estiagem pode aumentar o risco de queimadas, comprometer reservatórios e provocar impactos na agricultura.

A Organização Meteorológica Mundial também prevê temperaturas acima dos padrões habituais em extensas áreas do planeta entre outubro e dezembro.

Entretanto, ainda não existe uma previsão oficial que estabeleça uma temperatura máxima única, como 45°C ou 50°C, para o Brasil durante o auge do fenômeno.

Os especialistas explicam que a intensidade das ondas de calor dependerá de fatores regionais, incluindo a atuação de massas de ar, frentes frias e sistemas de alta pressão atmosférica, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Pico do Super El Niño já tem data confirmada para 2026

As projeções meteorológicas apontam dezembro de 2026 como o período mais provável para o Super El Niño atingir sua intensidade máxima.

A previsão aparece no relatório climático que a Organização Meteorológica Mundial divulgou em 8 de outubro.

Segundo a entidade, as águas de uma região do Pacífico equatorial poderão apresentar temperaturas aproximadamente 3,7°C acima da média durante o trimestre de outubro a dezembro.

Os pesquisadores utilizam essa região, conhecida como Niño 3.4, para acompanhar a evolução e a intensidade do El Niño.

O aquecimento projetado chama atenção porque ultrapassaria significativamente os números registrados em alguns dos maiores episódios conhecidos.

Durante o El Niño de 2015 e 2016, por exemplo, a anomalia trimestral máxima considerada pela OMM alcançou aproximadamente 2,6°C.

Portanto, a confirmação de um aquecimento próximo de 3,7°C representaria uma diferença expressiva em relação àquele evento histórico.

Apesar disso, dezembro ainda representa uma previsão para o pico. Os cientistas precisam acompanhar as medições das próximas semanas para verificar se o fenômeno realmente alcançará a intensidade projetada.

Fenômeno pode ser o mais forte dos últimos 150 anos

A possibilidade de um recorde histórico ganhou destaque em julho de 2026, quando a revista científica Nature apresentou análises sobre a evolução do El Niño.

Na ocasião, pesquisadores apontaram que o fenômeno estava seguindo uma trajetória capaz de transformá-lo no mais intenso em pelo menos 150 anos.

A avaliação considera modelos climáticos e registros históricos utilizados para comparar grandes episódios de aquecimento do Pacífico.

Posteriormente, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) reforçou a possibilidade de um evento excepcional.

Em sua atualização de 8 de outubro, a agência calculou 83% de probabilidade de o El Niño alcançar, entre outubro e dezembro, uma intensidade superior à dos eventos anteriores da série histórica utilizada pela instituição, iniciada em 1950.

No Brasil, o cenário também despertou atenção.

O INPE divulgou um boletim que aponta 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte durante o último trimestre de 2026.

Esses números indicam uma possibilidade elevada de ocorrência de um evento histórico, mas não representam uma confirmação definitiva do recorde.

Além disso, a expressão “Super El Niño” funciona como uma denominação popular para episódios excepcionalmente intensos, e não como uma categoria meteorológica oficial.

Oceano Pacífico já apresenta aquecimento excepcional

Os dados coletados durante os últimos meses mostram uma elevação acelerada das temperaturas oceânicas.

Segundo a NOAA, a região Niño 3.4 apresentou aquecimento de aproximadamente 2,1°C acima da média em setembro.

Em determinadas áreas do Pacífico equatorial oriental, os equipamentos identificaram anomalias superiores a 4°C na superfície do mar.

O monitoramento também encontrou grandes quantidades de calor armazenadas abaixo da superfície.

Em algumas profundidades do Pacífico oriental, a temperatura da água superou em mais de 10°C os valores normalmente registrados nos mesmos níveis.

Esse calor acumulado ajuda a explicar por que o fenômeno pode continuar ganhando força.

Além disso, alterações na circulação dos ventos favorecem o deslocamento das águas aquecidas e contribuem para a manutenção das condições associadas ao El Niño.

Consequentemente, os especialistas acompanham tanto a temperatura do oceano quanto as mudanças atmosféricas antes de confirmar a intensidade final do evento.

Quais regiões do Brasil poderão enfrentar os maiores impactos?

O avanço do Super El Niño poderá provocar consequências diferentes entre as regiões brasileiras.

No Sul, a tendência envolve volumes de chuva acima da média. Esse comportamento aumenta a preocupação com temporais, transbordamentos de rios, alagamentos e enchentes.

Por outro lado, o Norte e parte do Nordeste poderão enfrentar redução das chuvas e períodos mais prolongados de estiagem.

Nessas áreas, as temperaturas elevadas podem agravar a falta de água e criar condições favoráveis à propagação de incêndios florestais.

O Centro-Oeste também exige atenção, principalmente diante do calor intenso e da possibilidade de redução da umidade em determinados períodos.

Já o Sudeste, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, poderá apresentar temperaturas acima da média e alterações na distribuição das chuvas.

Entretanto, o comportamento do clima não depende exclusivamente do El Niño.

A passagem de frentes frias, a temperatura do Oceano Atlântico e a circulação dos ventos também influenciam as condições em cada estado.

Por isso, o fenômeno não significa que todas as regiões brasileiras enfrentarão temperaturas recordes ou eventos extremos ao mesmo tempo.

Super El Niño pode provocar temperaturas recordes também em 2027

Mesmo que o fenômeno alcance seu auge em dezembro, os efeitos climáticos poderão continuar durante os primeiros meses de 2027.

A Organização Meteorológica Mundial aponta uma probabilidade próxima de 100% de permanência das condições de El Niño até fevereiro do próximo ano.

Enquanto isso, a NOAA considera provável a continuidade de um episódio forte a muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027.

A preocupação não envolve somente o aquecimento do Pacífico.

Pesquisadores também analisam como o El Niño poderá atuar em conjunto com o aquecimento global provocado pelas atividades humanas.

Uma reportagem científica publicada pela Nature em julho apontou que essa combinação poderá transformar 2027 no ano mais quente já registrado no planeta.

Nesse cenário, a elevação das temperaturas médias globais aumentaria o risco de episódios de calor extremo em diferentes continentes.

Contudo, a previsão não significa que todas as cidades enfrentarão recordes de temperatura. Os impactos dependerão das condições atmosféricas e geográficas de cada região.

Próximos meses serão decisivos para confirmar recorde histórico

O período entre novembro e dezembro deverá fornecer informações fundamentais para determinar a intensidade máxima do Super El Niño de 2026.

Durante essas semanas, os centros meteorológicos continuarão monitorando a temperatura do Pacífico, a circulação dos ventos e a evolução dos modelos climáticos.

A NOAA prevê divulgar uma nova atualização de suas projeções em 12 de novembro, quando os especialistas poderão revisar as probabilidades de um recorde histórico.

Caso os cenários mais extremos se concretizem, o evento poderá superar marcas observadas desde o século XIX e se consolidar como um dos maiores episódios de El Niño já estudados.

Enquanto isso, a recomendação dos órgãos meteorológicos é acompanhar os boletins climáticos e os alertas regionais, principalmente diante da possibilidade de calor intenso, secas prolongadas e chuvas volumosas.

Por enquanto, dezembro de 2026 permanece como o mês previsto para o pico de um Super El Niño que poderá entrar para a história e influenciar o clima durante os primeiros meses de 2027.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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