O calor dos próximos meses pode estar associado a cerca de 19,5 mil mortes a mais no Brasil entre outubro e março, segundo uma projeção internacional. O número, porém, divide especialistas. Meteorologistas brasileiros dizem que a estimativa precisa ser vista com muita cautela e parece exagerada para o clima do país.
A projeção é do Climate Impact Lab, grupo de pesquisa ligado à Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. Somando também os meses de junho a setembro, o estudo calcula 26,7 mil mortes adicionais por calor no Brasil durante o super El Niño, entre junho de 2026 e março de 2027. No mundo, a estimativa chega a 857,4 mil.
Brasil é o sexto no ranking de mortes por calor
Com esse número, o Brasil aparece em sexto lugar entre os países com as maiores estimativas. À frente estão Índia (160 mil), China (85,4 mil), Nigéria (69,7 mil), Sudão (53,2 mil) e Indonésia (49,5 mil).
Os números também cresceram nas últimas semanas. Segundo o próprio grupo, a revisão para cima ocorreu porque agosto e setembro foram mais quentes do que o previsto e porque o período de análise passou a incluir março de 2027.
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O que a projeção de mortes por calor no Brasil mede
A projeção não conta mortes que já aconteceram. Também não afirma que cada uma delas será causada diretamente pelo El Niño. Na verdade, a ferramenta usada, chamada El Niño Heat Mortality Tracker, compara as temperaturas projetadas com a média de mortes registrada entre 1996 e 2005 e calcula quantas a mais podem ocorrer.
Para o cofundador do Climate Impact Lab, Michael Greenstone, prever esse efeito ajuda governos e serviços de saúde a identificar os grupos mais vulneráveis e agir antes que as mortes aconteçam.
Por que meteorologistas contestam o número
A MetSul Meteorologia considera o número superdimensionado. O principal argumento é o calendário: entre novembro e março, grande parte do Brasil vive o verão e a temporada de chuvas, sobretudo no Centro-Oeste, no Sudeste e em parte do Norte. Assim, a chuva frequente e o céu nublado costumam interromper sequências longas de calor extremo.
Isso não significa que o país estará livre de ondas de calor. Segundo a MetSul, episódios fortes podem ocorrer, principalmente no Sul e no Rio de Janeiro. Ainda assim, a empresa avalia que apresentar dezenas de milhares de mortes como consequência esperada passa uma certeza que uma projeção de meses não tem.
Quem corre mais risco com o calor
Mesmo com a contestação, especialistas concordam que o risco é real e não deve ser minimizado. Idosos, crianças e pessoas com doenças preexistentes são os mais vulneráveis em dias de temperatura muito alta.
Enquanto isso, o super El Niño segue em formação, com pico previsto para dezembro. Por isso, a recomendação é acompanhar os alertas de calor da Defesa Civil e redobrar a atenção com quem está nos grupos de risco.