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Pico do Super El Niño já tem data confirmada para 2026 e fenômeno será o mais forte dos últimos 150 anos

Super El Niño pode se tornar o mais forte dos últimos 150 anos.
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Pico do Super El Niño
Super El Niño pode se tornar o mais forte dos últimos 150 anos. Crédito: Divulgação
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O Super El Niño de 2026 entrou em uma fase decisiva e poderá estabelecer um recorde histórico de intensidade. As previsões internacionais indicam que o fenômeno continuará se fortalecendo nas próximas semanas, com possibilidade de atingir níveis de aquecimento do Oceano Pacífico nunca registrados pelos sistemas modernos de monitoramento.

O cenário chama a atenção dos cientistas porque as temperaturas oceânicas já apresentam valores extraordinários. Além disso, uma grande quantidade de calor permanece acumulada nas camadas mais profundas do Pacífico, criando condições favoráveis para que o aquecimento continue avançando.

As projeções também indicam que o episódio poderá superar alguns dos El Niños mais intensos já observados. Pesquisadores consideram a possibilidade de o fenômeno se tornar o maior em pelo menos 150 anos, embora a confirmação dependa das medições realizadas até o encerramento de seu período de maior intensidade.

Enquanto isso, os órgãos meteorológicos acompanham os possíveis efeitos sobre o clima mundial. A expectativa inclui alterações importantes nas temperaturas, na distribuição das chuvas e na frequência de eventos extremos durante o verão de 2026/2027.

Super El Niño terá pico em 2026

Dezembro de 2026 é o mês apontado para o pico do Super El Niño, conforme as previsões divulgadas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Em atualização publicada em 8 de outubro, a entidade informou que o fenômeno deverá continuar ganhando intensidade ao longo de novembro, antes de alcançar seu auge em dezembro, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

A projeção considera um aquecimento médio de aproximadamente 3,7°C acima da temperatura habitual das águas na região conhecida como Niño 3.4, localizada no Pacífico equatorial, durante o trimestre de outubro a dezembro.

Esse índice é um dos principais indicadores utilizados pelos especialistas para acompanhar a evolução do El Niño.

Para efeito de comparação, a OMM aponta que o recorde anterior desse indicador foi de aproximadamente 2,6°C acima da média, registrado no trimestre de novembro de 2015 a janeiro de 2016, segundo a referência utilizada em sua análise.

Portanto, caso as projeções se confirmem, o atual episódio poderá ultrapassar significativamente a intensidade de eventos anteriores.

Entretanto, dezembro representa o mês previsto para o pico, e não uma data em que o recorde já esteja garantido.

Super El Niño de 2026 pode ser o mais forte dos últimos 150 anos

A possibilidade de um fenômeno histórico ganhou força depois que pesquisadores identificaram um aquecimento excepcional no Oceano Pacífico.

Em julho de 2026, a revista científica Nature apresentou análises sobre a evolução do El Niño e destacou que o episódio poderia alcançar uma intensidade sem precedentes em pelo menos 150 anos.

A comparação envolve eventos históricos que provocaram alterações importantes no clima mundial, especialmente os registrados em 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016.

Além disso, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) divulgou uma previsão que reforça a possibilidade de um novo recorde.

Segundo a atualização de 8 de outubro, existe uma probabilidade de 83% de que o índice de intensidade analisado pela agência ultrapasse os níveis registrados desde 1950 no trimestre de outubro a dezembro.

A estimativa considera um indicador específico de temperatura do Pacífico, conhecido como RONI, utilizado para medir a intensidade do fenômeno.

Apesar da elevada probabilidade, os pesquisadores ainda precisam confirmar os valores finais. Isso porque a classificação histórica depende tanto das temperaturas do oceano quanto da evolução das condições atmosféricas.

O termo Super El Niño, por sua vez, não corresponde a uma categoria meteorológica oficial. A expressão costuma ser utilizada para descrever episódios excepcionalmente intensos.

Temperatura do Oceano Pacífico dispara e reforça previsão de recorde

As medições realizadas ao longo de 2026 mostram uma rápida intensificação do fenômeno.

Em junho, a temperatura da região Niño 3.4 estava aproximadamente 1,6°C acima da média. Posteriormente, o indicador alcançou cerca de 2,5°C em agosto.

O aquecimento continuou avançando durante setembro e outubro.

Dados divulgados em 19 de outubro pelo International Research Institute for Climate and Society (IRI), ligado à Universidade de Columbia, mostram que a anomalia semanal chegou a aproximadamente 3,3°C em 14 de outubro.

Além disso, os pesquisadores identificaram grandes reservatórios de água aquecida abaixo da superfície do oceano.

Em determinadas regiões do Pacífico central e oriental, as temperaturas entre 50 e 150 metros de profundidade superaram os valores habituais em mais de 8°C.

A NOAA também registrou áreas com anomalias superiores a 10°C em determinadas profundidades do Pacífico oriental.

Esse calor armazenado é importante porque pode sustentar o aquecimento da superfície durante os próximos meses.

Consequentemente, os especialistas avaliam que o fenômeno ainda possui condições para ganhar intensidade antes de alcançar seu pico previsto.

As projeções do IRI reforçam essa possibilidade. Os 27 modelos climáticos utilizados na atualização de outubro apontam um El Niño muito forte no encerramento de 2026 e no início de 2027.

A média das previsões indica uma anomalia próxima de 3,5°C na região Niño 3.4 durante os trimestres de outubro a dezembro e de novembro a janeiro.

Novo boletim confirma risco de calor extremo e chuvas intensas no Brasil

Os possíveis efeitos do Super El Niño também preocupam os órgãos meteorológicos brasileiros.

Em 29 de outubro, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e outras instituições federais, divulgou o quinto boletim do Painel El Niño 2026-2027.

O documento reforçou a previsão de intensificação do fenômeno e apontou elevada probabilidade de um episódio muito forte a partir de novembro.

Além disso, o boletim apresentou as perspectivas climáticas para o período entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

A previsão indica maior possibilidade de temperaturas acima da média em praticamente todo o território nacional, principalmente na Região Norte.

No entanto, os efeitos sobre as chuvas deverão variar consideravelmente entre as regiões.

No Sul, o El Niño favorece condições para precipitações mais intensas e frequentes. Dessa forma, aumenta a atenção para temporais, elevação dos níveis dos rios e possíveis enchentes.

No Sudeste, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, os efeitos não serão necessariamente uniformes. Algumas áreas apresentam maior probabilidade de chuvas acima da média, enquanto outras poderão registrar períodos de calor intenso e alterações na distribuição das precipitações.

No Centro-Oeste, as previsões indicam diferenças entre as áreas da região. Parte do território poderá receber volumes elevados de chuva, enquanto outros setores apresentam tendência de precipitações abaixo do normal.

No Norte e Nordeste, a possibilidade de chuva insuficiente preocupa principalmente pelas consequências sobre os reservatórios, a vegetação e a disponibilidade de água.

Combinadas às temperaturas elevadas, as condições mais secas podem ampliar o risco de incêndios florestais e agravar situações de estiagem.

Entretanto, a ocorrência de um El Niño muito forte não significa que todas essas consequências acontecerão obrigatoriamente. Os impactos dependem também da atuação de frentes frias, sistemas de baixa pressão e outros fenômenos atmosféricos.

El Niño deve continuar influenciando o clima em 2027

Embora dezembro seja o mês previsto para a maior intensidade, o Super El Niño não deverá terminar imediatamente após o pico.

As projeções indicam que o fenômeno continuará atuando durante os primeiros meses de 2027, mantendo o potencial de interferir nas temperaturas e no regime de chuvas.

Na atualização de outubro, o IRI apontou probabilidade estimada de 100% de permanência das condições de El Niño até o trimestre de março a maio de 2027, conforme seu conjunto de modelos.

Posteriormente, a tendência é de enfraquecimento gradual.

A probabilidade de continuidade do fenômeno diminui para 92% no trimestre de abril a junho e para 60% entre maio e julho.

Já no trimestre de junho a agosto de 2027, os modelos passam a favorecer o retorno das condições neutras no Oceano Pacífico.

Essas estimativas, entretanto, podem mudar nas próximas atualizações.

Além disso, os impactos climáticos não desaparecem automaticamente quando as temperaturas oceânicas começam a diminuir.

Isso acontece porque a circulação atmosférica pode continuar respondendo ao aquecimento registrado anteriormente.

Portanto, parte das consequências do episódio de 2026 poderá permanecer durante o primeiro semestre de 2027.

Próximas semanas serão decisivas para confirmar recorde histórico

O avanço do Super El Niño será acompanhado com atenção especial durante novembro e dezembro.

Nesse período, os centros internacionais de meteorologia continuarão analisando a temperatura da superfície do Pacífico, o comportamento dos ventos e a movimentação do calor armazenado nas águas profundas.

Esses indicadores permitirão avaliar se o fenômeno realmente superou os episódios históricos utilizados como referência.

A combinação de temperaturas oceânicas excepcionais, projeções consistentes e elevada probabilidade de continuidade coloca o El Niño de 2026 entre os mais intensos já monitorados.

Entretanto, a confirmação de que será o maior dos últimos 150 anos dependerá da comparação definitiva entre os registros históricos e as medições do atual episódio.

Enquanto isso, as autoridades recomendam acompanhar os alertas meteorológicos e as atualizações dos órgãos oficiais, especialmente diante da possibilidade de calor intenso, estiagens e chuvas fortes durante o verão de 2026/2027.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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