A Prefeitura da Serra já se prepara para um super El Niño. Um plano de trabalho produzido recentemente pelo Executivo municipal, liderado pelo prefeito Weverson Meireles, aponta que o fenômeno climático tem 81% de chance de atingir o patamar “muito forte” entre o fim de 2026 e o início de 2027. O documento coloca a cidade entre as regiões que devem sentir os efeitos, com risco de calor extremo, falta d’água e avanço da dengue.
O pico do fenômeno é esperado entre outubro e dezembro, os meses mais quentes do ano, quando a cidade recebe mais gente no litoral e a rotina já pesa com o calor. E há mais: a projeção indica 97% de chance de o El Niño seguir ativo até o começo de 2027. Ou seja, o período de risco entra no verão e na temporada de praia.
O plano da Prefeitura contra o El Niño
O documento é um plano de trabalho intersetorial, elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente. Ele nasceu de uma recomendação do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo. Na prática, o plano reúne o diagnóstico dos riscos e distribui responsabilidades entre as secretarias, da saúde à assistência social, da defesa civil à educação.
O que é o super El Niño
O El Niño é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Esse aquecimento desorganiza o clima em várias partes do mundo. No Brasil, ele costuma bagunçar o regime de chuvas e empurrar as temperaturas para cima. Quando esse aquecimento é intenso, os técnicos chamam de El Niño “muito forte”, ou super El Niño. É esse cenário que ganhou 81% de probabilidade para os próximos meses.
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Segundo o plano, o fenômeno pode comprometer parte da estação chuvosa no Sudeste, elevar as temperaturas médias, agravar a falta d’água e dificultar a recuperação dos reservatórios. As ondas de calor tendem a ficar mais intensas e mais frequentes. Ao mesmo tempo, a seca não afasta o risco de chuva. Pelo contrário: períodos secos podem ser interrompidos por pancadas concentradas em pouco tempo, o que favorece alagamentos, enxurradas e deslizamentos.
O que pode mudar na vida do morador da Serra
O impacto não fica só no clima. Ele chega na saúde, na escola e no bolso. O calor e a chuva irregular criam o ambiente perfeito para o Aedes aegypti, mosquito da dengue, da chikungunya e da zika. Com mais casos, cresce a pressão sobre postos de saúde, UPAs e prontos-socorros. As ondas de calor também aumentam os atendimentos por desidratação, exaustão térmica e piora de doenças crônicas, principalmente entre idosos, crianças e quem trabalha exposto ao sol.
Nas escolas, o calor excessivo pode reduzir o conforto nas salas, atrapalhar o aprendizado e, em casos extremos, levar à interrupção das aulas. Algumas unidades podem até ser usadas como abrigos temporários se houver famílias desalojadas por chuvas fortes.
Na assistência social, a tendência é de mais procura por benefícios, mais insegurança alimentar e maior exposição da população em situação de rua ao calor e à falta d’água. Famílias que moram em área de risco entram na linha de frente do problema.
