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Super El Niño vai trazer seis ondas de calor ao Brasil e Defesa Civil faz alerta para temperaturas extremas

Super El Niño vai provocar seis ondas de calor no Brasil.
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Super El Niño vai provocar seis ondas de calor no Brasil. Crédito: Divulgação
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O El Niño no Oceano Pacífico colocou o Brasil em estado de atenção para uma primavera marcada por temperaturas muito acima do normal. Análises climáticas indicam que o país pode enfrentar pelo menos seis ondas de calor até dezembro de 2026, enquanto órgãos de Defesa Civil reforçam os alertas diante do risco provocado pelas temperaturas extremas.

O cenário preocupa principalmente porque o fenômeno ganhou intensidade nas últimas semanas. Além disso, previsões meteorológicas apontam temperaturas acima da média em grande parte do território brasileiro durante os próximos meses.

Dados divulgados pela NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, indicam probabilidade superior a 90% de o El Niño alcançar intensidade muito forte. Para o trimestre entre outubro e dezembro, os modelos também apontam elevada possibilidade de o fenômeno atingir níveis excepcionais.

No Brasil, os efeitos das altas temperaturas já começaram a aparecer. Áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul enfrentaram avisos de calor intenso, enquanto Defesas Civis municipais passaram a divulgar recomendações para reduzir os riscos à saúde.

Brasil pode enfrentar seis ondas de calor até dezembro

A projeção de pelo menos seis ondas de calor considera aproximadamente 47 anos de registros meteorológicos e compara o comportamento das temperaturas durante períodos influenciados pelo El Niño.

Isso não significa, porém, que seis ondas já tenham datas definidas. O número representa uma estimativa construída a partir do histórico climático. Portanto, a quantidade de episódios poderá mudar conforme a evolução das condições atmosféricas durante a primavera.

Dados do Cemaden também mostram que as ondas de calor ficaram mais frequentes no país nas últimas décadas. Dependendo da região analisada, o Brasil registra historicamente entre oito e 14 episódios desse tipo ao longo de um ano.

Durante períodos de El Niño, áreas do Centro-Oeste e Sudeste podem apresentar condições mais favoráveis para sequências prolongadas de calor, especialmente quando bloqueios atmosféricos dificultam a chegada de frentes frias.

A expressão “Super El Niño” costuma aparecer para classificar informalmente episódios extremamente intensos. Os órgãos meteorológicos, por sua vez, utilizam classificações como El Niño forte ou muito forte, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Defesa Civil alerta para temperaturas extremas

O calor intenso já levou órgãos públicos a ampliar os alertas para a população.

No fim de setembro, áreas brasileiras ficaram sob aviso vermelho de onda de calor, classificação usada para situações consideradas de grande perigo. Em alguns pontos do Centro-Oeste, os termômetros chegaram à faixa dos 40°C.

Defesas Civis também passaram a orientar moradores sobre hidratação, exposição ao sol e riscos provocados pela baixa umidade.

Além das temperaturas extremas, o tempo seco preocupa porque aumenta a possibilidade de incêndios em áreas de vegetação. Um foco pequeno pode se espalhar rapidamente quando encontra solo seco, baixa umidade e vento.

Por isso, os órgãos recomendam evitar queimadas, não jogar materiais inflamáveis em áreas de vegetação e redobrar os cuidados durante os períodos mais secos.

Outubro deve ter temperaturas acima da média

O cenário para outubro reforça a preocupação com novos períodos de calor extremo.

As projeções climáticas apontam temperaturas acima do padrão histórico em praticamente todas as regiões do Brasil. Centro-Oeste e Sudeste aparecem entre as áreas com possibilidade dos maiores desvios.

Em Goiás e no Distrito Federal, por exemplo, as médias podem superar em mais de 2°C os valores normalmente registrados nesta época do ano.

Partes de Minas Gerais também podem apresentar desvios superiores a 2°C. Já áreas do norte de São Paulo poderão registrar temperaturas até aproximadamente 2°C acima da média.

No Norte, algumas localidades também podem ficar entre 1,5°C e 2°C acima do normal. Enquanto isso, regiões da Bahia aparecem entre as áreas do Nordeste com possibilidade de calor mais intenso.

Como a primavera segue até 21 de dezembro, ainda existe uma longa janela para novos episódios de temperaturas extremas.

El Niño pode ganhar ainda mais força

A evolução do Oceano Pacífico permanece no centro das atenções dos meteorologistas.

No início de setembro, órgãos brasileiros já indicavam probabilidade superior a 90% de formação de um El Niño muito forte durante os meses seguintes.

Posteriormente, novas análises internacionais reforçaram a possibilidade de intensificação do fenômeno até o fim de 2026.

Em agosto, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 apresentou anomalia próxima de 1,8°C. Outras áreas monitoradas do Pacífico registraram desvios ainda maiores.

Essas temperaturas elevadas ajudam a modificar a circulação atmosférica em diferentes partes do planeta e influenciam o regime de chuvas e de calor também no Brasil.

No entanto, um El Niño muito forte não significa que todas as regiões enfrentarão calor extremo simultaneamente. Frentes frias, massas de ar, bloqueios atmosféricos e sistemas de chuva continuam interferindo nas condições locais.

Centro-Oeste e Sudeste ficam entre as regiões de maior atenção

Os impactos do El Niño mudam conforme a região brasileira.

No Sul, episódios intensos do fenômeno costumam aumentar a possibilidade de chuvas acima da média, especialmente no Rio Grande do Sul.

Por outro lado, áreas do Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.

Já partes do Centro-Oeste e Sudeste podem registrar temperaturas elevadas, baixa umidade e maior ocorrência de ondas de calor.

Para outubro, as projeções também indicam possibilidade de chuva abaixo da média em Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e áreas de Mato Grosso do Sul.

Algumas regiões de Minas Gerais e do Espírito Santo apresentam tendência semelhante.

A combinação entre pouca chuva, solo seco e forte aquecimento pode criar condições favoráveis para novos períodos prolongados de calor.

Calor aumenta preocupação com incêndios

Outro reflexo do cenário climático aparece no risco de queimadas e incêndios florestais.

Com menos chuva, a vegetação perde umidade e se torna combustível para o fogo. Além disso, ventos podem ampliar rapidamente as chamas e dificultar o controle dos focos.

O risco aumenta principalmente caso a regularização das chuvas demore a ocorrer em áreas da faixa central e do Norte do país.

Dessa forma, as autoridades reforçam a necessidade de evitar qualquer prática que possa provocar incêndios durante períodos de baixa umidade.

Temperaturas extremas também ameaçam a saúde

As ondas de calor não representam apenas desconforto. A exposição prolongada a temperaturas elevadas aumenta o risco de desidratação, insolação e exaustão térmica.

O calor também pode agravar doenças cardiovasculares e respiratórias.

Idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas exigem atenção especial durante os episódios mais intensos.

Entre as principais recomendações estão beber água com frequência, evitar atividades físicas nos horários mais quentes, reduzir a exposição direta ao sol e procurar locais ventilados.

Também é importante observar sintomas como tontura, fraqueza, dor de cabeça, confusão mental e pele excessivamente quente.

Quando o calor vira uma onda de calor?

Nem todo período quente recebe oficialmente a classificação de onda de calor.

O Cemaden utiliza critérios relacionados à persistência de temperaturas excepcionalmente elevadas em comparação com o padrão climático de cada região.

Já os alertas operacionais do Inmet podem considerar situações em que as temperaturas ficam pelo menos 5°C acima da média durante vários dias consecutivos.

Portanto, diferentes órgãos podem usar metodologias distintas conforme o objetivo do monitoramento.

Em comum, os critérios levam em conta a persistência. Ou seja, uma onda de calor não depende apenas de um dia muito quente, mas da manutenção das temperaturas extremas durante vários dias.

As noites também podem permanecer abafadas, o que reduz a capacidade de recuperação térmica do organismo.

Seis ondas de calor são estimativa, não calendário fechado

Apesar do alerta para pelo menos seis episódios até dezembro, ainda não existe um calendário que determine quando cada onda de calor ocorrerá.

A projeção indica um cenário de risco baseado no histórico climático e na presença de um El Niño muito intenso.

Ainda assim, os sinais atuais reforçam a necessidade de atenção. O Pacífico permanece aquecido, as previsões apontam temperaturas acima da média em boa parte do país e órgãos de Defesa Civil já alertam para os impactos do calor extremo.

Com a primavera avançando e o El Niño ainda em intensificação, novos períodos de calor severo continuam no radar para o Brasil até o fim de 2026.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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