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Super El Niño: novo boletim do ES praticamente confirma crise climática até início de 2027

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Imagem de satélite mostra faixa de águas quentes no Pacífico, marca do El Niño que preocupa o Espírito Santo
Faixa em vermelho mostra o aquecimento do Pacífico equatorial, sinal do Super El Niño que pode atingir intensidade histórica até o fim do ano
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A chuva que cai desde sábado (17) trouxe alívio a parte do Espírito Santo, mas não muda o cenário desenhado pelo próprio governo para os próximos meses. O 10º boletim de monitoramento do El Niño no Espírito Santo, elaborado pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec), aponta 83% de chance de o fenômeno atingir, até dezembro, intensidade comparável à dos episódios mais fortes desde 1950.

O documento usa dados coletados até 12 de outubro, antes da chuva. Mesmo assim, os pontos centrais continuam de pé. A seca moderada alcança os 78 municípios, uma cidade já vive rodízio de água (Mantenópolis) e dez sistemas municipais de abastecimento não informaram ao Estado a situação de seus mananciais.

El Niño no Espírito Santo pode ganhar força histórica

Segundo projeções da agência climática americana NOAA citadas no boletim, a chance de um El Niño muito forte é de 100% nos trimestres de setembro a novembro e de outubro a dezembro. Além disso, a probabilidade de um evento histórico chega a 54% no primeiro período, 83% no segundo e 70% entre novembro e janeiro. Nesse patamar, o aquecimento do Pacífico supera 2,5 °C acima do normal. O fenômeno, ainda de acordo com o documento, pode se estender até o primeiro trimestre de 2027.

O Estado, no entanto, pede cautela. Para os técnicos, ainda é cedo para atribuir somente ao El Niño o tamanho dos impactos no território capixaba. Isso porque a temperatura do Atlântico e a circulação atmosférica também pesam na distribuição das chuvas.

Chuva do fim de semana não encerra a seca

Desde sábado, temporais provocaram alagamentos em Cachoeiro de Itapemirim e Muqui, além de granizo em Castelo, no Sul. A previsão indica acumulado entre 80 e 100 milímetros entre 17 e 23 de outubro. Enquanto isso, o Inmet mantém alerta amarelo para chuvas intensas em mais de 50 municípios até esta terça-feira (20).

Volume de chuva, porém, não significa recuperação imediata. O boletim mostra que a água primeiro repõe a umidade do solo e só depois chega aos rios. Em São Mateus e Marilândia, por exemplo, o balanço hídrico registra deficiência contínua de abril a outubro.

Antes da chuva, os rios Santa Joana e São Mateus corriam abaixo da metade da vazão de referência usada pela Agerh. Na bacia do Santa Joana, inclusive, já vigoram restrições de uso da água. Em agosto, a seca moderada passou a cobrir 100% do território capixaba, segundo o Monitor de Secas da ANA. Um ano antes, apenas 19,6% do Estado estava nessa categoria.

Falta de água no ES já tem rodízio

Em Mantenópolis, no Noroeste, a Cesan adotou rodízio a partir de quinta-feira (15), com abastecimento em dias alternados, das 7h às 19h. O Córrego Manteninha, que abastece a sede do município, chegou ao nível extremamente crítico. Logo atrás aparecem Barra de São Francisco e Montanha, com captações em situação crítica.

No total, o número de municípios com captações da Cesan em alerta subiu de oito para 11. Ainda assim, 82 dos 102 pontos monitorados pela companhia seguiam normais. Na Grande Vitória, incluindo a Serra, as captações estavam em situação normal, porém com rios e reservatórios trabalhando no limite.

Dez cidades não enviaram dados

Dos 25 municípios atendidos por serviços autônomos de água (SAAEs e Sanear), apenas 15 enviaram informações atualizadas. Ficaram de fora Baixo Guandu, Colatina, Guaçuí, Ibitirama, Itaguaçu, Jerônimo Monteiro, Linhares, Marilândia, São Domingos do Norte e São Mateus.

O caso mais delicado é o de São Mateus. A última informação, de 28 de setembro, classificava a captação da cidade como extremamente crítica. Para o próprio boletim, a ausência de dados recentes não permite presumir que os sistemas voltaram ao normal. Rio Bananal, por sua vez, piorou e passou de atenção para situação crítica.

Focos de calor caem, mas o Norte segue no radar

Pelo satélite de referência do Inpe, setembro teve 35 focos de calor, bem abaixo da média de 92 para o mês. Agosto, ao contrário, somou 89 e ficou perto dos recordes. Já o conjunto de satélites ativos detectou 518 focos entre 1º e 11 de outubro, com Pinheiros (68), Aracruz (48) e São Mateus (44) no topo.

Os técnicos lembram que foco de calor não é necessariamente incêndio e que os dois métodos não devem ser comparados. Por isso, a orientação do Estado continua a mesma: economizar água, evitar queimadas e acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 diante de qualquer foco de fogo.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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