Seu cachorro corre, brinca, come bem e parece cheio de energia. Então está tudo bem com o coração dele, certo? Nem sempre.
Algumas doenças cardíacas podem permanecer silenciosas durante bastante tempo. E uma das alterações que pode aparecer antes de o animal demonstrar qualquer sinal evidente é o sopro cardíaco, um ruído diferente percebido durante a auscultação.
Isso é especialmente importante porque a doença mixomatosa da válvula mitral é a doença cardíaca adquirida mais comum nos cães, particularmente entre os animais de pequeno porte e idosos.
Uma pesquisa publicada em 2026 trouxe um dado curioso. Pesquisadores avaliaram 102 Dachshunds aparentemente saudáveis e encontraram sinais de regurgitação da válvula mitral em 63% deles quando realizaram ecocardiografia. Porém, apenas 5% apresentavam um sopro que podia ser ouvido durante a auscultação.
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Calma: isso não significa que 63% daqueles cães estivessem doentes. O estudo não permite fazer essa conclusão. Mas ele mostra algo importante: alterações cardíacas podem existir antes de aparecerem sinais óbvios — e nem toda alteração é percebida apenas ouvindo o coração.
Então, o que o tutor pode fazer?
Primeiro, não espere aparecer uma doença para começar a prestar atenção à saúde do coração. A avaliação periódica permite identificar alterações enquanto o cachorro ainda parece saudável.
Segundo, conheça o comportamento habitual do seu animal. Cansaço diferente do normal, menor disposição para atividades, tosse ou mudanças na respiração são informações importantes para compartilhar com o veterinário.
Terceiro, não tire conclusões apenas pelo comportamento. Um cachorro pode parecer perfeitamente bem e ainda apresentar uma alteração cardíaca que só será percebida durante uma avaliação.
A boa notícia é que a medicina veterinária conhece cada vez melhor a evolução dessas doenças. Estudos com milhares de cães também mostram que a doença valvar pode permanecer estável por períodos diferentes entre os animais, reforçando a importância de acompanhar sua evolução individualmente.
Porque, quando falamos de coração, sentir-se bem não é a mesma coisa que não ter nenhuma alteração.
E, muitas vezes, perceber cedo é justamente o que permite cuidar melhor depois.