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Chineses vêm ao Brasil construir a maior ponte da América Latina: gigante de R$ 11,6 bilhões terá 12 km sobre o mar

Chineses vêm ao Brasil para construir a maior ponte da América Latina.
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Maior ponte da América Latina Chineses
Chineses vêm ao Brasil para construir a maior ponte da América Latina. Crédito: Divulgação
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Uma das maiores obras de infraestrutura em andamento no Brasil começa a ganhar forma com participação direta de gigantes chinesas da engenharia. Com investimento estimado em R$ 11,6 bilhões, o projeto prevê uma estrutura de 12,4 quilômetros sobre o mar, além de túneis, viadutos, novas rodovias e acessos.

A obra é a Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, na Bahia. Quando concluída, deverá se tornar a maior ponte da América Latina em extensão sobre lâmina d’água, segundo o Governo da Bahia. Portanto, o recorde considera especificamente o trecho construído sobre a água.

O empreendimento ligará Salvador ao município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, atravessando a Baía de Todos-os-Santos. As obras tiveram início oficial em 1º de julho de 2026, e o cronograma prevê a conclusão em 2031.

Empresas chinesas estão à frente da construção da ponte

A participação chinesa vai muito além do fornecimento de equipamentos. A Concessionária Ponte Salvador–Itaparica reúne dois grandes grupos chineses do setor de infraestrutura: China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) e China Communications Construction Company (CCCC).

O consórcio venceu o leilão realizado pelo Governo da Bahia e assumiu o projeto por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). Além da construção, a concessionária também ficará responsável pela operação e manutenção do sistema durante o período previsto no contrato.

Além disso, a dimensão do empreendimento exigiu uma grande operação logística internacional antes mesmo do avanço das estruturas sobre o mar, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Navio saiu da China com mais de 800 toneladas para a obra

Em maio de 2026, um navio vindo da China chegou ao Porto de Salvador carregando materiais destinados às primeiras etapas da construção.

A embarcação havia partido do Porto de Xangai em 30 de março e percorreu aproximadamente 17 mil quilômetros até chegar à Bahia, onde atracou em 18 de maio.

Dentro do navio estavam mais de 800 toneladas de materiais, distribuídas em 44 contêineres. A carga reunia aproximadamente 1.550 itens e tinha valor estimado em US$ 3,5 milhões, mais de R$ 17 milhões na conversão divulgada na época.

Entre os equipamentos estavam painéis de vigas Bailey, estruturas metálicas, parafusos de suporte e pinos de trava.

Parte desse material seguiu para Vera Cruz, enquanto outra parcela teve como destino a região de São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, onde funciona uma das principais bases logísticas utilizadas na implantação do projeto.

Ponte provisória de 12 km será usada para construir a gigante

Um dos aspectos mais curiosos do projeto é que, antes da ponte definitiva, as equipes precisam montar praticamente outra estrutura sobre o mar.

Para isso, o projeto prevê uma Plataforma Linear Provisória com cerca de 12 quilômetros de comprimento, construída paralelamente ao trajeto da ponte principal.

Na prática, ela funcionará como uma grande estrada de serviço sobre a água. Dessa forma, trabalhadores, máquinas, guindastes, materiais e equipamentos poderão circular pela estrutura durante a execução das fundações e das demais etapas da obra.

Além disso, muitos dos componentes trazidos da China serão utilizados justamente nessa fase. Com a implantação da plataforma, a expectativa é reduzir significativamente a necessidade de embarcações de apoio durante parte da construção.

Somado a isso, a mobilização inicial não se limitou às mais de 800 toneladas desembarcadas do navio. O projeto também recebeu aproximadamente 3.900 toneladas de tubos de aço, volume equivalente a centenas de caminhões e destinado à montagem da plataforma de trabalho.

Maior ponte sobre o mar da América Latina terá trecho a 85 metros de altura

A estrutura definitiva terá 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos. Ao longo desse percurso, o projeto divide a ponte em três grandes partes: um trecho de aproximadamente 4,6 km na aproximação pela Ilha de Itaparica, outro de 6,9 km pelo lado de Salvador e cerca de 900 metros de estrutura estaiada.

É justamente nesse trecho estaiado que a ponte atingirá aproximadamente 85 metros acima do nível do mar.

No entanto, a altura não foi definida apenas para impressionar. O vão central precisa preservar a navegação de grandes embarcações pela baía. Por isso, o projeto considera a passagem de navios de grande porte, incluindo cargueiros, petroleiros e embarcações de passageiros.

Além disso, a ponte terá pistas nos dois sentidos, com faixas destinadas ao tráfego de veículos e uma estrutura preparada para atender ao grande fluxo esperado após a inauguração.

Ponte de R$ 11,6 bilhões será maior sobre a água que a Rio-Niterói

A comparação com a Ponte Rio-Niterói ajuda a mostrar o tamanho do projeto.

A Rio-Niterói possui aproximadamente 13,2 quilômetros de extensão total. Entretanto, cerca de 8,3 quilômetros ficam sobre a água. Já a ligação Salvador–Itaparica terá seus 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos.

Por isso, a nova estrutura deverá assumir o título de maior ponte da América Latina quando considerado o comprimento sobre lâmina d’água.

Obra vai muito além dos 12 km de ponte

Apesar de a ponte concentrar as atenções, o projeto de R$ 11,6 bilhões envolve uma transformação muito maior no sistema viário.

Em Salvador, as equipes vão construir cerca de 4 quilômetros de novos acessos, incluindo viadutos e dois novos túneis paralelos aos que já existem na região da Via Expressa.

Do outro lado, em Vera Cruz, o projeto prevê uma nova via expressa de aproximadamente 22 quilômetros, ligando a área de Mar Grande às proximidades de Cacha Pregos.

Além disso, as equipes vão duplicar aproximadamente 8,8 quilômetros da BA-001 entre a região de Cacha Pregos e a Ponte do Funil.

Dessa forma, o empreendimento criará uma nova ligação rodoviária entre Salvador, a Ilha de Itaparica, o Recôncavo e outras regiões do estado.

Construção deve gerar 7 mil empregos

A previsão é que a construção gere aproximadamente 7 mil empregos diretos e indiretos ao longo das obras. A concessionária também afirma que pretende priorizar trabalhadores baianos e moradores dos municípios diretamente envolvidos no empreendimento.

Segundo as estimativas oficiais, o novo sistema poderá beneficiar 250 municípios e cerca de 10 milhões de pessoas, principalmente por criar uma ligação mais curta entre Salvador e importantes corredores rodoviários, como BR-101, BR-116 e BR-242.

Caso o cronograma seja cumprido, a gigantesca estrutura construída com participação das empresas chinesas deverá ficar pronta em 2031, mudando definitivamente a ligação rodoviária entre Salvador e a Ilha de Itaparica.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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