A Serra movimentou cerca de R$ 66 milhões em apostas on-line em junho de 2026. O valor é uma estimativa do Tempo Novo, feita a partir dos dados do Radar Econômico “Bets, Consumo e Saúde Mental no Espírito Santo”, da Fecomércio-ES. O estudo aponta a Serra como a cidade capixaba com o maior número de apostas, mas não informa quanto dinheiro elas somaram no município.
Como o Tempo Novo calculou o gasto com bets na Serra
Segundo o relatório, a Serra registrou 1,22 milhão de apostas em junho, 16,7% do total do estado. Além disso, o estudo informa que o valor médio de cada aposta no Espírito Santo foi de R$ 54,15 no mesmo mês. Ao multiplicar os dois números, o resultado fica em torno de R$ 66 milhões.
A conta usa a média estadual, já que o levantamento não traz o valor médio da aposta na Serra. Por isso, o número real pode ser um pouco maior ou menor. Uma segunda conta, a partir do gasto de R$ 125,71 por habitante divulgado no estudo e da população do Censo 2022, chega a um resultado próximo, de R$ 65 milhões.
O que R$ 66 milhões representam
Em média, a cidade apostou cerca de R$ 2,2 milhões por dia em junho. O montante também equivale a mais de 40 mil salários mínimos de 2026, hoje em R$ 1.621.
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No Espírito Santo inteiro, as apostas movimentaram R$ 397 milhões no mês. Ou seja, de cada R$ 6 apostados no estado, cerca de R$ 1 saiu da Serra.
Valor apostado não é o mesmo que dinheiro perdido
Há, porém, uma diferença que muda a leitura do número. O valor apostado não corresponde a tudo o que os apostadores perderam, porque parte do dinheiro volta como prêmio e pode ser apostada novamente.
O próprio estudo ajuda a dimensionar essa diferença no país. Em agosto de 2024, segundo o Banco Central, os brasileiros enviaram cerca de R$ 21,1 bilhões às empresas de apostas. Já o Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros calculou que a perda líquida, descontados os prêmios, ficou em média em R$ 4,7 bilhões por mês entre outubro de 2024 e março de 2026. Os períodos são diferentes, mas mostram que o prejuízo final é bem menor que o volume apostado, embora ainda alto.
Dinheiro que deixa de circular no comércio
Para a Fecomércio-ES, o dinheiro das bets disputa espaço com o consumo em lojas e serviços. O efeito tende a ser maior nas famílias de menor renda, que têm pouca folga depois de pagar alimentação, moradia e transporte.
Na Grande Vitória, a preocupação cresce. Serra, Vila Velha, Vitória e Cariacica concentram 54% das apostas do estado e também boa parte do mercado consumidor capixaba. Segundo o estudo, os sinais aparecem no varejo como mais procura por crédito, preferência por produtos mais baratos e compras concentradas nos dias de pagamento.
Proibição pode mudar esse cenário
Os dados de junho foram registrados antes da proibição das bets. Em 25 de setembro, o governo federal editou a Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe as apostas on-line no país, e os sites devem sair do ar a partir de 6 de outubro. A medida, no entanto, ainda passa pelo Congresso e é questionada no Supremo Tribunal Federal.