A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (4) o Wegovy em comprimido, apelidado de “Ozempic em comprimido”, e a novidade pode aliviar o bolso de quem gasta todo mês com caneta emagrecedora. A pílula usa o mesmo princípio ativo das injeções, a semaglutida, e troca a aplicação semanal por uma dose diária.
O Wegovy é a versão do Ozempic para obesidade e sobrepeso, e os dois são da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk. No Brasil, o comprimido ainda não tem preço e deve chegar às farmácias no primeiro semestre de 2027. Nos Estados Unidos, onde já é vendido desde janeiro, ele sai mais barato que a caneta para quem paga do próprio bolso.
Quanto custa o “Ozempic em comprimido” lá fora
Por lá, a Novo Nordisk cobra US$ 149 por mês na dose inicial de 1,5 mg, cerca de R$ 818. Já a dose de 4 mg sai por US$ 199, perto de R$ 1.092, enquanto as de 9 mg e 25 mg custam US$ 299, em torno de R$ 1.641.
A caneta, por outro lado, custa US$ 349 por mês para quem paga sem plano de saúde. Novos pacientes têm uma oferta de entrada de US$ 199 nos dois primeiros meses, mas, mesmo assim, a pílula começa mais barata.
Leia também
A vantagem diminui com o tempo. Na fase inicial, o comprimido custa menos da metade do valor cheio da caneta. Na dose de manutenção, porém, a diferença cai para US$ 50 por mês, cerca de 14%.
Preço no Brasil ainda depende da CMED
Os valores americanos dão uma pista da estratégia da fabricante, mas não servem como previsão oficial. Antes da venda, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa fixar o teto de preço ao consumidor, e só então a Novo Nordisk anuncia quanto vai cobrar.
Além disso, a concorrência ficou mais dura. Com o fim da patente da semaglutida, a Anvisa já aprovou canetas genéricas do princípio ativo e, há poucos dias, liberou outras cinco canetas de GLP-1 para diabetes e obesidade. Por isso, o comprimido vai disputar espaço num mercado que tende a ficar mais barato.
Quem pode usar o Ozempic em comprimido
A indicação vale para adultos com obesidade, ou seja, com índice de massa corporal (IMC) igual ou acima de 30. Também entram pessoas com sobrepeso, a partir de IMC 27, desde que tenham pelo menos uma doença ligada ao excesso de peso, como diabetes tipo 2, hipertensão ou apneia do sono.
O remédio, no entanto, não age sozinho. Segundo a Anvisa, o tratamento deve vir acompanhado de dieta com menos calorias e prática de atividade física.
Jejum e meia hora de espera
A pílula cobra disciplina. O paciente precisa tomá-la em jejum, com um pouco de água, e esperar pelo menos 30 minutos antes de comer, beber ou engolir qualquer outro remédio.
A dose sobe aos poucos: começa em 1,5 mg, passa para 4 mg e 9 mg e chega aos 25 mg diários de manutenção. O número assusta quem compara com os 2,4 mg semanais da caneta, mas há explicação. Parte da substância se perde no estômago antes de chegar ao sangue, e a versão oral precisa compensar essa perda.
Quem já usa a injeção também poderá migrar para o comprimido, e vice-versa, quando houver indicação médica.
Quanto peso a pílula faz perder
A Anvisa se apoiou principalmente no estudo de fase 3 OASIS 4, que acompanhou adultos com obesidade ou sobrepeso por 64 semanas. Quem tomou a dose de 25 mg perdeu, em média, 13,6% do peso corporal, de acordo com os resultados publicados na revista The New England Journal of Medicine. No grupo que recebeu placebo, a queda ficou em 2,2%.
Já a Novo Nordisk afirma que, entre os participantes que seguiram o tratamento à risca, a perda média chegou a 16,6%. Segundo a empresa, um em cada três voluntários eliminou pelo menos 20% do peso.
Ainda assim, esses números não são promessa individual. A resposta muda de pessoa para pessoa, e o acompanhamento médico segue indispensável.