Um navio de aproximadamente 67 metros que permanece no fundo do mar há 133 anos poderá finalmente ser retirado. Conhecido como “Titanic do Brasil”, o Pallas virou um obstáculo para um importante projeto de expansão portuária e sua remoção deve custar cerca de R$ 23 milhões.
Grande parte da embarcação continua enterrada sob o leito marítimo. Por isso, especialistas estudam uma operação complexa, que precisa conciliar segurança da navegação, questões ambientais e a preservação de um naufrágio considerado parte da história marítima brasileira.
Uma proposta com possíveis métodos para retirar os destroços já chegou às autoridades portuárias. A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) desenvolveu o estudo após analisar as condições do Pallas e experiências internacionais envolvendo arqueologia subaquática.
No entanto, a operação ainda não recebeu autorização definitiva. Antes que qualquer intervenção comece, órgãos responsáveis pelo patrimônio histórico e pela navegação precisam avaliar o projeto.
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Retirada do Titanic do Brasil deve custar R$ 23 milhões
A estimativa aponta um custo próximo de R$ 23 milhões, com previsão de utilização de recursos federais para executar o trabalho, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
A Superintendência do Porto de Itajaí contratou a Univali para elaborar os estudos de viabilidade e indicar alternativas capazes de retirar o navio com o menor impacto possível.
É nessa região de Santa Catarina, próximo ao molhe de Navegantes, que o Pallas permanece submerso desde o fim do século XIX.
Os pesquisadores também levam em consideração o valor histórico da embarcação. Assim, a intenção não se resume a destruir ou retirar os destroços rapidamente. O estudo busca encontrar uma solução que, dentro das possibilidades técnicas, preserve partes relevantes do navio.
Segundo Jules Soto, pesquisador e diretor do Museu Oceanográfico da Univali, a equipe reuniu décadas de conhecimento acumulado sobre o Pallas e também analisou experiências conduzidas por especialistas e universidades de outros países.
Operação para retirar navio pode levar anos
Ainda não existe um prazo fechado para concluir a retirada. Como uma parcela significativa do casco permanece enterrada, o avanço dependerá da dragagem e do método que as autoridades escolherem.
Operações semelhantes mostram que esse tipo de trabalho pode demorar muito mais do que o previsto inicialmente. Existem casos internacionais em que projetos estimados para durar um ou dois anos acabaram exigindo sete ou oito anos.
A Capitania dos Portos deverá encaminhar a documentação para análise das instituições competentes.
Entre elas está o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável por avaliar os impactos sobre o patrimônio cultural e arqueológico.
A Marinha do Brasil também acompanha o processo. Com as autorizações necessárias, novas etapas poderão avançar até que a retirada efetiva seja definida.
Titanic do Brasil afundou em 1893
O Pallas chegou ao fundo do mar em 1893, durante a Revolta da Armada, conflito que marcou os primeiros anos da República brasileira.
Apesar de permanecer submerso por mais de um século, o navio voltou ao centro das atenções durante trabalhos de dragagem realizados em 2017. As operações identificaram novamente os destroços e reforçaram a necessidade de encontrar uma solução para a embarcação.
Estudos posteriores apontaram que o Pallas possui aproximadamente 67 metros de comprimento.
Agora, mais de 130 anos depois do naufrágio, sua localização interfere diretamente nos planos de modernização do complexo portuário.
Por que o navio precisa ser retirado?
A presença do Pallas limita a expansão da Bacia de Evolução do Complexo Portuário de Itajaí. O projeto pretende ampliar a área de manobras para receber embarcações de maior porte.
A nova configuração prevê uma bacia com aproximadamente 530 metros de diâmetro. Com mais espaço, navios maiores poderão realizar manobras dentro do complexo.
Além disso, a expansão é considerada estratégica para aumentar a capacidade operacional do porto e acompanhar o crescimento de outros terminais brasileiros.
Por isso, a retirada do chamado Titanic brasileiro deixou de ser apenas uma questão histórica ou arqueológica. O naufrágio passou a ocupar uma posição central em um projeto de infraestrutura que pode modificar a operação portuária da região.
Mesmo com os estudos avançando, porém, o Pallas ainda não tem data para deixar o fundo do mar. A decisão dependerá das autorizações, da metodologia escolhida e das condições encontradas durante a execução do projeto.