Uma multinacional com mais de 9 mil funcionários encerrou uma operação industrial mantida por mais de sete décadas e deixou de fabricar seus produtos no Brasil. A mudança pôs fim a uma linha de produção que abastecia setores como construção civil, indústria, comércio e infraestrutura.
Apesar da decisão, a companhia não abandonará o mercado brasileiro. A estratégia agora será importar materiais produzidos em outras unidades e utilizar o antigo complexo industrial como base para armazenagem e distribuição.
A fábrica encerrada pertence à Isover, empresa especializada em isolamento térmico e acústico e controlada pelo grupo francês Saint-Gobain. A unidade funcionava em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo.
Com o fechamento, a Isover encerrou toda a fabricação de lã de vidro que mantinha no país.
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Multinacional encerra produção após 75 anos
A presença industrial da Isover no Brasil começou em 1951. Desde então, a unidade paulista se tornou responsável pela fabricação nacional de diferentes soluções de isolamento.
Entre os produtos estavam mantas, painéis, feltros, tubos e materiais feitos com lã de vidro.
Esses itens são utilizados para controlar temperatura e ruídos. Por isso, aparecem em residências, prédios comerciais, fábricas, veículos e grandes empreendimentos.
A produção, porém, chegou definitivamente ao fim em 2026.
A paralisação das linhas ocorreu de maneira planejada. A fabricação de lã de vidro foi interrompida em 4 de julho. Depois disso, a companhia iniciou o desligamento dos principais equipamentos industriais.
Um deles era o forno usado no processo de fusão do vidro, peça fundamental para manter a fábrica em funcionamento, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Fábrica deixa de produzir no Brasil
O encerramento muda completamente a forma como a Isover atenderá os clientes brasileiros.
Até então, parte dos materiais vendidos no país saía diretamente da fábrica de Santo Amaro. Agora, a empresa dependerá de unidades instaladas no exterior para abastecer o mercado nacional.
Isso significa que a marca continuará vendendo seus produtos no Brasil, mas sem manter produção industrial própria no território brasileiro.
A Isover também continuará com atividades comerciais, atendimento aos clientes e distribuição.
Até o anúncio da mudança, a companhia não havia apontado uma única unidade estrangeira como responsável por fornecer todos os produtos destinados ao Brasil.
Antiga fábrica será transformada
O complexo que durante décadas recebeu máquinas e linhas industriais ganhará uma nova função.
A Isover decidiu transformar parte da estrutura em um centro voltado à logística.
O imóvel deverá receber operações de armazenamento e distribuição dos produtos comercializados pela empresa.
Dessa forma, o endereço continuará fazendo parte da operação brasileira, mesmo sem fabricar os materiais.
A adaptação acontece paralelamente ao processo de retirada dos antigos equipamentos industriais.
Mudança envolve 150 trabalhadores
A fábrica ainda mantinha aproximadamente 100 funcionários diretos quando o processo de encerramento começou.
Além deles, cerca de 50 profissionais indiretos trabalhavam em atividades relacionadas à operação.
Portanto, aproximadamente 150 postos estavam ligados ao complexo industrial durante a mudança.
Esse número, porém, não corresponde necessariamente ao total de demissões.
A empresa informou que conduziu a desativação de forma gradual e adotou medidas para reduzir os impactos sobre os trabalhadores.
Além disso, a nova estrutura logística continuará precisando de funcionários. O número de vagas e as funções, entretanto, são diferentes das exigidas por uma fábrica.
Multinacional tem 9 mil funcionários
Embora tenha encerrado sua fabricação no Brasil, a Isover mantém uma estrutura industrial de alcance mundial.
A companhia informa possuir mais de 9 mil colaboradores e presença em 39 países.
Sua rede internacional também reúne cerca de 60 fábricas distribuídas por 28 países.
A empresa pertence à francesa Saint-Gobain, um dos grandes grupos internacionais ligados aos segmentos de construção e materiais.
O conglomerado possui aproximadamente 160 mil funcionários em suas diferentes operações.
Por isso, o fechamento da Isover em Santo Amaro não significa a saída da Saint-Gobain do mercado brasileiro. O grupo mantém outras marcas, negócios e estruturas industriais no país.
Fechamento ocorreu após acordo
A desativação da fábrica ocorreu dentro de um processo acompanhado por órgãos ambientais.
Em dezembro de 2025, a Isover assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
O documento estabeleceu etapas para a redução e posterior encerramento das atividades industriais no endereço.
Antes do acordo, moradores da região haviam apresentado reclamações envolvendo fumaça, odores, ruídos e emissões relacionados à operação da fábrica.
Entre 2023 e 2025, a Cetesb também registrou autos de infração envolvendo questões ambientais na unidade.
Multinacional fez mudanças antes de encerrar fábrica
Antes de desligar definitivamente a produção, a Isover realizou intervenções para reduzir os impactos da atividade industrial.
A empresa reforçou sistemas de isolamento acústico e instalou tecnologias destinadas ao controle de emissões.
Também alterou alguns horários e procedimentos internos.
Determinadas atividades passaram a sofrer restrições nos fins de semana. Além disso, alguns descarregamentos deixaram de ocorrer durante a noite.
Durante esse período, a companhia declarou que cumpria a legislação aplicável e afirmou que não existia comprovação de danos à saúde dos trabalhadores provocados pela operação industrial.
O acordo firmado posteriormente, contudo, estabeleceu um cronograma para a desativação.
Desmontagem pode seguir até 2028
Embora as máquinas tenham parado de produzir em 2026, o encerramento completo do antigo complexo industrial ainda levará tempo.
A empresa precisa desmontar equipamentos, remover estruturas e dar destinação adequada aos resíduos gerados pela antiga operação.
O terreno também deverá passar por acompanhamento e procedimentos relacionados à investigação ambiental.
Por isso, algumas etapas podem continuar até 2028.
Ao mesmo tempo, a Isover deverá adaptar o espaço para a nova atividade de distribuição.
Multinacional encerra ciclo iniciado há 75 anos
O fechamento representa o fim de aproximadamente 75 anos de produção industrial da Isover no Brasil.
Durante esse período, a fábrica acompanhou diferentes momentos da expansão da construção civil e da indústria brasileira.
Agora, a companhia inicia uma fase diferente.
A marca continuará comercializando produtos e atendendo clientes no país. A antiga fábrica também permanecerá integrada à operação por meio da logística.
Uma mudança, entretanto, já está consolidada: depois de mais de sete décadas, a Isover encerrou sua fabricação no Brasil e passou a depender da produção realizada em outros países.