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Após 70 anos no Brasil, multinacional fecha fábrica e retira toda a produção do país

A multinacional fechou fábrica e retirou toda a produção do Brasil após 70 anos no país.
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Multinacional
A multinacional fechou fábrica e retirou toda a produção do Brasil após 70 anos no país. Crédito: Divulgação
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Uma indústria que atravessou mais de sete décadas encerrou definitivamente suas linhas de produção em 2026. A decisão colocou fim à fabricação nacional de materiais usados em casas, edifícios comerciais, indústrias, veículos e grandes projetos de infraestrutura.

Com o fechamento, a multinacional deixou de produzir seus produtos no país. Mesmo assim, a empresa continuará atendendo o mercado brasileiro. Para isso, decidiu transformar o espaço da antiga fábrica em uma estrutura voltada à armazenagem e distribuição.

A mudança também atingiu trabalhadores ligados diretamente e indiretamente à unidade. Além disso, a companhia iniciou um processo de desmontagem dos equipamentos industriais que deve continuar nos próximos anos.

A empresa responsável pela decisão é a Isover, fabricante de materiais para isolamento térmico e acústico controlada pelo grupo francês Saint-Gobain. A unidade encerrada fica em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo.

Multinacional fecha fábrica após 70 anos de produção

A história industrial da Isover no Brasil começou em 1951.

Desde então, a fábrica paulista concentrou a produção nacional de lã de vidro, um material amplamente utilizado principalmente na construção civil, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Na prática, a lã de vidro ajuda a reduzir a passagem de calor e ruídos entre diferentes ambientes. Por isso, aparece em imóveis residenciais, estabelecimentos comerciais, instalações industriais e outros tipos de projetos.

A empresa também fabricava mantas, painéis, feltros, tubos e diferentes soluções de isolamento.

Porém, essa produção chegou ao fim em 2026.

Com isso, a Isover deixou de manter fabricação própria de lã de vidro no território brasileiro.

Produção da multinacional

A multinacional realizou o encerramento de forma gradual.

Primeiro, a empresa paralisou a fabricação de lã de vidro em Santo Amaro no dia 4 de julho de 2026.

Depois, avançou com o desligamento e a desmontagem da estrutura utilizada no processo industrial.

Entre os equipamentos mais importantes estava o forno responsável pela fusão do vidro. O planejamento previa o desligamento definitivo dessa estrutura até o final de julho.

Assim, o mês marcou o encerramento de uma operação industrial iniciada ainda no começo da década de 1950.

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Multinacional retira produção do Brasil

A desativação provoca uma mudança significativa no modelo de atuação da Isover.

Antes, a empresa fabricava parte dos produtos vendidos no mercado brasileiro dentro da unidade paulista. Agora, a companhia continuará comercializando seus materiais, mas sem produção industrial local.

Entretanto, a marca não deixará o mercado brasileiro.

A empresa pretende manter vendas, atendimento aos clientes e distribuição dos produtos no país.

Para viabilizar essa nova fase, a Isover decidiu aproveitar justamente o espaço que antes abrigava sua fábrica.

Antiga fábrica vai virar centro de distribuição

O imóvel de Santo Amaro terá uma função completamente diferente.

Em vez das linhas industriais, o local deverá receber atividades de logística, armazenamento e distribuição.

Dessa forma, a empresa conseguirá continuar abastecendo clientes brasileiros mesmo após encerrar sua produção nacional.

Os produtos comercializados no Brasil, portanto, passarão a depender de outras unidades produtivas da companhia.

Até o anúncio da desativação, porém, a empresa não havia indicado uma única fábrica responsável por abastecer todo o mercado brasileiro.

Fechamento atingiu trabalhadores

A transformação da operação também trouxe consequências para os profissionais que trabalhavam no local.

No início do processo de encerramento, a unidade tinha aproximadamente 100 funcionários diretos.

Além disso, cerca de 50 trabalhadores indiretos mantinham atividades relacionadas à fábrica.

Dessa maneira, aproximadamente 150 postos de trabalho ficaram envolvidos na reorganização.

Isso não significa, contudo, que todos esses profissionais tenham sido demitidos.

A empresa afirmou que conduziu o fechamento de maneira gradual e adotou medidas para tentar diminuir os impactos da transição.

Além disso, o futuro centro de distribuição continuará exigindo trabalhadores, embora tenha uma estrutura diferente daquela necessária para manter uma fábrica em funcionamento.

Multinacional mantém fábricas em outros países

Apesar de encerrar a fabricação brasileira, a Isover continua com uma ampla presença internacional.

A companhia informa possuir mais de 9 mil colaboradores e operações em 39 países.

Além disso, mantém aproximadamente 60 fábricas distribuídas por 28 países.

A Isover pertence à Saint-Gobain, multinacional francesa com forte atuação nos setores de construção, materiais e indústria.

O grupo reúne aproximadamente 160 mil trabalhadores e mantém diversas operações ao redor do mundo.

Portanto, o encerramento em Santo Amaro não representa uma saída completa da Saint-Gobain do Brasil.

O grupo continuará presente no país por meio de outras marcas, unidades industriais, centros de distribuição e negócios.

Acordo definiu fechamento gradual da fábrica

O encerramento da fábrica ocorreu após um processo que envolveu a companhia, moradores da região e órgãos ambientais.

Em dezembro de 2025, a Isover firmou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

O acordo estabeleceu etapas para a desativação gradual da atividade industrial.

Antes disso, moradores das proximidades apresentaram reclamações relacionadas a odores, fumaça, ruídos e emissões associados ao funcionamento da unidade.

Com isso, órgãos responsáveis passaram a acompanhar a situação.

Entre 2023 e 2025, a Cetesb também registrou autos de infração relacionados a questões ambientais, incluindo ocorrências envolvendo odores e poluentes atmosféricos.

Multinacional realizou mudanças antes de fechar fábrica

Antes de interromper definitivamente a produção, a Isover promoveu alterações na unidade.

Entre as medidas, a companhia reforçou o isolamento acústico de áreas da fábrica e adotou tecnologias voltadas à redução de emissões.

Além disso, mudou algumas rotinas operacionais.

A empresa restringiu determinadas atividades aos fins de semana e deixou de realizar alguns descarregamentos no período noturno.

Durante o processo, a Isover afirmou que seguia a legislação vigente e declarou que não havia comprovação de danos à saúde dos trabalhadores causados pela atividade industrial.

Mesmo assim, o acordo firmado com os órgãos responsáveis definiu o avanço da desativação.

Desmontagem da fábrica vai continuar até 2028

O fim da produção em 2026 não encerra imediatamente todas as atividades relacionadas à antiga fábrica.

Agora, a empresa precisa retirar equipamentos, desmontar estruturas e dar a destinação adequada aos resíduos da antiga operação industrial.

Além disso, o terreno deverá passar por acompanhamento e procedimentos de investigação ambiental.

Por isso, algumas etapas da desmobilização poderão continuar até 2028.

Paralelamente, a companhia avançará na adaptação do imóvel para receber a nova operação logística.

Fábrica funcionava há 70 anos

O fechamento representa o encerramento de um dos ciclos industriais mais longos da companhia no mercado brasileiro.

A Isover começou a produzir no país em 1951 e manteve sua fábrica em funcionamento durante aproximadamente 75 anos.

Ao longo desse período, a unidade acompanhou diferentes fases da industrialização brasileira e da expansão da construção civil.

Em 2026, porém, as linhas industriais foram desligadas.

A marca continuará presente no mercado e transformará o antigo complexo fabril em centro de distribuição.

No entanto, uma mudança se tornou definitiva: depois de mais de sete décadas, a Isover deixou de fabricar seus produtos no Brasil.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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