Uma multinacional com atuação em dezenas de países e 9 mil funcionários vai encerrar as atividades industriais de uma de suas unidades no Brasil. A decisão atinge diretamente funcionários da fábrica e também preocupa trabalhadores indiretos ligados à cadeia de produção, transporte e serviços.
A unidade pertence à Isover, marca do Grupo Saint-Gobain, e fica em Santo Amaro, na zona Sul de São Paulo. A fábrica produz materiais de isolamento térmico e acústico, principalmente lã de vidro, usada em setores como construção civil, indústria automotiva, agronegócio e infraestrutura.
O Ministério Público e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo firmaram um acordo com a empresa para encerrar a produção industrial da unidade. Com isso, a Isover deverá parar a fabricação de lã de vidro até 4 de julho de 2026.
Em seguida, a companhia terá que desligar o forno de fusão de vidro até 31 de julho de 2026. Esse equipamento é apontado como uma das principais fontes de emissão da fábrica.
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Multinacional vai deixar de produzir na fábrica
A Isover integra o Grupo Saint-Gobain e tem presença internacional. A empresa conta com mais de 9 mil colaboradores em 39 países e opera 60 fábricas em 28 nações.
No Brasil, no entanto, a unidade de Santo Amaro deixará de funcionar como fábrica. Com isso, o local não terá mais atividade industrial e passará a operar apenas como centro de distribuição dos produtos da companhia.
Portanto, a decisão não representa o encerramento total da empresa no país. Ainda assim, marca o fim da produção industrial da Isover nessa unidade brasileira, que funciona há décadas na capital paulista.
A companhia confirmou a assinatura do termo e o encerramento da produção dentro do prazo estabelecido, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Fechamento de fábrica pode afetar famílias
A paralisação da fábrica deve impactar mais de 100 famílias de trabalhadores diretos. Além disso, a mudança também pode atingir profissionais indiretos que dependem da operação da unidade, como prestadores de serviço, fornecedores e trabalhadores ligados à logística.
A empresa informou que o prazo previsto no acordo será usado para reduzir os impactos sociais provocados pela desativação da produção. Até o fechamento definitivo das atividades industriais, a companhia também deverá cumprir obrigações ambientais previstas no termo.
Entre elas, estão medidas de gestão de áreas contaminadas, tratamento de resíduos e destinação correta dos materiais existentes no local.
Moradores reclamavam de produção da multinacional
O encerramento da produção ocorre após anos de reclamações de moradores da região. A população do entorno relatava incômodo com fumaça, cheiro forte e ruídos constantes, especialmente durante a noite.
Entre os problemas apontados por moradores estavam dificuldade para respirar, ardência nos olhos, irritação na pele e desconforto causado pelo funcionamento contínuo da fábrica.
A mobilização ganhou força em 2023, quando moradores protocolaram uma petição na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo pedindo providências sobre as emissões da unidade. A partir das denúncias, o Ministério Público passou a acompanhar o caso.
Nos últimos meses, o tema também foi discutido em audiências públicas e reuniões com órgãos municipais e estaduais. Segundo relatos apresentados nesses encontros, a indústria operava inclusive durante a madrugada, com emissão de fumaça e mau cheiro pela chaminé.
Multinacional diz que seguia a legislação
Em nota enviada ao Estadão, a Isover afirmou que opera no local há mais de 70 anos em conformidade com a legislação e com critérios de sustentabilidade e segurança da saúde humana estabelecidos por entidades nacionais e internacionais.
A companhia também informou que adotou um Plano de Melhoria Ambiental. Entre as ações citadas estão investimentos em isolamento acústico, tecnologias para reduzir emissão de vapor de água e programas de comunicação com a comunidade local.
Mesmo com essas medidas, o acordo definiu o fim da produção industrial na unidade. A área deverá continuar sendo discutida entre autoridades, empresa e moradores, principalmente em relação ao futuro do imóvel e às medidas ambientais necessárias após a paralisação das atividades fabris.
Com isso, a fábrica encerra uma longa trajetória industrial em Santo Amaro e passa a ter outra função dentro da operação da multinacional no Brasil.