Uma multinacional de grande porte decidiu encerrar uma de suas fábricas no Brasil e dispensar todos os trabalhadores ligados à operação. A medida provocou uma longa reação dos funcionários, que cruzaram os braços e pressionaram a companhia por compensações maiores.
A disputa se estendeu por mais de um mês. Embora os empregados não tenham conseguido impedir o fechamento, a mobilização terminou com uma indenização de R$ 35 mil para cada trabalhador, além da continuidade de benefícios por mais um ano.
A empresa responsável pela decisão é a Parker Hannifin, multinacional norte-americana especializada em tecnologias de movimento e controle. A unidade encerrada funcionava em Jacareí, no interior de São Paulo.
Cerca de 100 profissionais trabalhavam na fábrica, responsável principalmente pela produção de componentes e válvulas destinadas aos segmentos agrícola e de máquinas.
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A Parker comunicou ainda em julho que pretendia encerrar as atividades da planta de Jacareí.
Logo após receberem a notícia, os trabalhadores iniciaram uma mobilização para tentar preservar os empregos. Entre as alternativas discutidas estavam a continuidade da produção e a transferência de parte dos funcionários para outras operações da companhia.
No entanto, a multinacional manteve a decisão, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Diante disso, os metalúrgicos iniciaram uma greve por tempo indeterminado em 20 de julho. Além da paralisação, funcionários montaram um acampamento e passaram a cobrar uma nova negociação com a multinacional.
O movimento buscava principalmente evitar a demissão coletiva ou conseguir melhores condições para os profissionais afetados pelo fechamento.
Multinacional demite todos os funcionários
A crise se aprofundou em agosto.
De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a Parker comunicou em 11 de agosto a demissão de todos os trabalhadores vinculados à fábrica de Jacareí.
Alguns profissionais receberam os avisos por WhatsApp e telegrama.
Naquele momento, porém, a greve ainda estava em andamento. Por isso, o sindicato questionou a forma utilizada pela companhia para fazer os desligamentos e manteve os protestos.
Em uma das manifestações, trabalhadores chegaram a queimar os telegramas de demissão em frente a outra unidade da Parker, localizada em São José dos Campos.
Além disso, entidades sindicais de outros países manifestaram apoio aos funcionários brasileiros.
Mesmo com a pressão, a multinacional não desistiu do encerramento da fábrica.
Funcionários garantem indenização
Como a empresa manteve o fechamento, a negociação passou a se concentrar nas condições oferecidas aos demitidos.
Depois de 38 dias de greve, representantes dos trabalhadores e da Parker chegaram a um acordo durante uma mediação no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas.
Os funcionários aprovaram a proposta no fim de agosto.
Pelo acordo, cada empregado atingido pelo fechamento terá direito a uma indenização social de R$ 35 mil.
Além desse valor, a Parker manterá o plano médico, o plano odontológico e o vale-alimentação durante 12 meses, conforme as condições negociadas.
O acordo também prevê tratamento específico para empregados com doenças ocupacionais ou sequelas provocadas por acidentes de trabalho.
Indenização de R$ 35 mil
A mobilização dos funcionários aumentou de maneira expressiva o pacote oferecido pela multinacional.
Segundo o sindicato, a primeira proposta apresentada pela Parker previa somente R$ 2 mil de indenização social para cada empregado.
Com o avanço da greve e das negociações, a companhia elevou o valor para R$ 20 mil.
Ainda assim, os trabalhadores continuaram pressionando por uma compensação maior.
Ao final das negociações, as partes chegaram aos R$ 35 mil por profissional, além da manutenção dos benefícios por um ano.
Assim, embora o movimento não tenha conseguido salvar a fábrica, os empregados ampliaram significativamente as condições financeiras oferecidas após as demissões.
Multinacional registra bilhões em vendas
O encerramento da unidade brasileira ocorre em um momento de resultados bilionários para a Parker Hannifin no mercado internacional.
Com sede em Cleveland, no estado norte-americano de Ohio, a empresa fornece componentes e tecnologias para diferentes segmentos da indústria e também para o setor aeroespacial.
No ano fiscal encerrado em junho de 2026, a companhia registrou aproximadamente US$ 21,5 bilhões em vendas.
No exercício anterior, as receitas haviam alcançado cerca de US$ 19,85 bilhões.
Além disso, a Parker informou lucro líquido próximo de US$ 3,65 bilhões no período.
Portanto, o fechamento da fábrica aconteceu enquanto a multinacional ampliava seu faturamento global e apresentava resultados bilionários.
Fechamento da fábrica não significa saída do Brasil
Apesar do encerramento da unidade de Jacareí, a Parker Hannifin continua atuando no mercado brasileiro.
A medida atingiu especificamente essa operação industrial. A empresa ainda mantém outras atividades no país, inclusive na região de São José dos Campos.
Por isso, a decisão não representa uma saída completa da multinacional do Brasil.
Para os cerca de 100 trabalhadores da fábrica, entretanto, o impacto foi definitivo. A companhia encerrou os postos de trabalho e manteve o plano de fechamento.
Depois de semanas de paralisação e negociações, os empregados terminaram a disputa com indenização de R$ 35 mil por pessoa e benefícios garantidos durante mais 12 meses.