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Gigantes dos supermercados e farmácias anunciam fim da escala 6×1 para todos os trabalhadores

Grandes redes de supermercados e farmácias anunciaram o fim da escala 6x1.
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Grandes redes de supermercados e farmácias anunciaram o fim da escala 6x1. Crédito: Divulgação
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Uma mudança importante começa a transformar a rotina de milhares de trabalhadores do varejo brasileiro. Grandes redes de supermercados e farmácias decidiram abandonar a tradicional escala 6×1 e passaram a garantir dois dias de folga por semana.

Entre as empresas que avançaram estão gigantes como Raia, Drogasil, Drogaria São Paulo, Pacheco e Savegnago. Em algumas dessas redes, a escala 5×2 já alcança toda a operação.

Outras companhias também começaram a seguir o mesmo caminho. Extrabom, Supernosso, Coop, Farmácias São João e Supermercados Pague Menos implantaram o novo formato em parte das lojas ou iniciaram processos de expansão.

Na escala 5×2, o funcionário trabalha durante cinco dias e descansa em outros dois. No entanto, existe um detalhe importante: sair da escala 6×1 não significa necessariamente reduzir a jornada semanal.

Diversas empresas continuam adotando as 44 horas previstas atualmente na legislação. A diferença é que essas horas passam a ser distribuídas em cinco dias.

Raia e Drogasil deixam escala 6×1 em farmácias

Uma das maiores mudanças ocorreu dentro da RD Saúde, responsável pelas bandeiras Raia e Drogasil, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

A companhia implantou a esala 5×2 em sua rede de mais de 3,5 mil farmácias espalhadas pelo Brasil. Com isso, os funcionários passaram a trabalhar cinco dias e contar com duas folgas semanais.

A mudança começou de forma gradual. Primeiro, a empresa adotou o modelo para determinados cargos. Depois, ampliou a escala até alcançar toda a rede.

A estratégia também busca enfrentar um problema crescente no varejo: a dificuldade para contratar e manter trabalhadores.

Mesmo com dois dias de descanso, porém, a RD Saúde manteve a jornada semanal de 44 horas. Assim, o número de dias trabalhados diminuiu, mas as horas foram redistribuídas.

Drogaria São Paulo e Pacheco também acabam com escala 6×1

O Grupo DPSP adotou caminho semelhante.

A companhia, responsável pelas redes Drogaria São Paulo e Drogarias Pacheco, implantou a escala 5×2 em suas unidades.

A mudança alcança aproximadamente 24 mil profissionais. Dessa forma, os trabalhadores passaram a contar com dois dias de descanso durante a semana.

Antes, a escala 6×1 garantia apenas uma folga depois de seis dias trabalhados.

A empresa também mantém a carga semanal prevista para as funções. Portanto, a principal mudança ocorre na distribuição dos dias de trabalho e descanso.

Savegnago leva escala 5×2 para supermercados

Os supermercados também começaram a abandonar a escala 6×1.

O Grupo Savegnago iniciou a mudança por meio de uma experiência em uma unidade. Depois dos primeiros resultados, decidiu expandir o formato para as lojas da bandeira Savegnago Supermercados.

No novo sistema, os trabalhadores cumprem cinco dias de expediente e recebem duas folgas.

Para completar as 44 horas semanais em apenas cinco dias, a jornada diária chega a aproximadamente 8 horas e 48 minutos.

O grupo também começou a levar o modelo para unidades do Paulistão Atacadista.

A mudança coloca uma das maiores redes supermercadistas do país entre as empresas que decidiram reorganizar a jornada dos funcionários.

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Extrabom amplia fim da escala 6×1 no Espírito Santo

No Espírito Santo, o Grupo Coutinho também começou a trocar a escala 6×1 pelo modelo 5×2.

A implantação começou em três unidades do Extrabom: Laranjeiras, na Serra; Praia das Gaivotas, em Vila Velha; e Vila Rubim, em Vitória.

Os trabalhadores dessas lojas passaram a receber duas folgas semanais.

Depois disso, o grupo iniciou uma expansão gradual do formato. A companhia também controla as bandeiras Extraplus e Atacado Vem e possui milhares de funcionários no Estado.

A intenção anunciada pela empresa é ampliar o modelo para mais trabalhadores conforme o avanço da implantação.

Supermercado programa expansão do 5×2 para as lojas

O Grupo Supernosso também decidiu mudar sua organização de trabalho.

A empresa começou com aproximadamente 500 funcionários de três unidades. O projeto envolveu lojas das bandeiras Supernosso e Apoio Mineiro.

Depois dos primeiros resultados, a companhia anunciou um cronograma para levar o modelo a outras unidades.

Com a mudança, a jornada diária passou de aproximadamente 7 horas e 20 minutos para 8 horas e 48 minutos. Dessa forma, a empresa mantém as 44 horas semanais e libera uma segunda folga.

Segundo a companhia, a experiência ajudou na retenção de funcionários e também aumentou o interesse pelas vagas abertas.

Coop acaba com escala 6×1 nas drogarias

A Coop decidiu adotar estratégias diferentes dentro de suas operações.

Nas drogarias, a escala 5×2 passou a valer em todas as unidades. Assim, os funcionários desse segmento conquistaram dois dias de descanso por semana.

Já nos supermercados, a mudança começou por meio de projetos-piloto.

A empresa decidiu avaliar o comportamento das lojas, das equipes e da operação antes de ampliar o formato para todo o segmento alimentar.

Portanto, enquanto as drogarias já deixaram a escala 6×1, os supermercados avançam de forma gradual.

Farmácias São João testam jornada com duas folgas

A Farmácias São João também entrou no movimento.

A companhia iniciou testes da escala 5×2 em parte de suas unidades. A rede possui mais de mil lojas e milhares de trabalhadores.

Neste momento, porém, o novo sistema ainda não alcança toda a empresa.

O objetivo do projeto é analisar os efeitos da mudança sobre a operação das lojas e sobre a rotina dos funcionários antes de uma eventual expansão.

Supermercados Pague Menos também adotam escala 5×2

Outra rede que começou a testar o novo formato foi a Supermercados Pague Menos.

A companhia iniciou a experiência em algumas lojas e passou a ampliar o sistema gradualmente.

No modelo, os funcionários trabalham cinco dias e descansam dois.

A rede supermercadista não possui relação com a companhia de farmácias que também utiliza o nome Pague Menos.

Por que supermercados e farmácias estão deixando a escala 6×1?

A disputa por trabalhadores aparece entre os principais fatores citados pelas próprias empresas para justificar as mudanças.

Supermercados e farmácias possuem operações extensas. Muitas unidades funcionam durante a noite, aos sábados, domingos e feriados.

Por décadas, a escala 6×1 ajudou a montar equipes capazes de atender durante esses períodos.

Entretanto, empresas do varejo passaram a relatar dificuldades para preencher vagas e reduzir a saída de funcionários.

Nesse cenário, oferecer duas folgas semanais virou uma estratégia para tornar as oportunidades de trabalho mais atraentes.

Além disso, a discussão nacional sobre o futuro da escala 6×1 colocou a jornada de trabalho no centro do debate trabalhista brasileiro.

Fim da escala 6×1 não significa trabalhar 40 horas

Escala de trabalho e jornada semanal são coisas diferentes.

A escala determina quantos dias o funcionário trabalha antes dos períodos de descanso. Já a jornada estabelece quantas horas precisam ser cumpridas durante a semana.

Por isso, uma empresa pode adotar o sistema 5×2 e continuar mantendo 44 horas semanais.

Nesse caso, o trabalhador ganha uma segunda folga, mas passa mais horas no trabalho durante cada um dos cinco dias de expediente.

Foi justamente essa alternativa adotada por várias redes do varejo.

A proposta que tramita no Congresso vai além. O texto também prevê a redução da jornada semanal máxima.

Câmara aprovou fim da escala 6×1 e jornada de 40 horas

Enquanto empresas mudam suas escalas por iniciativa própria, o Congresso Nacional analisa uma alteração para todo o mercado de trabalho.

A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a PEC 221/2019 em 27 de maio de 2026.

O texto estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias, além de dois dias de descanso.

No primeiro turno, a proposta recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. Depois, no segundo turno, foram 461 votos a favor e 19 contra.

A PEC também determina que a mudança ocorra sem redução salarial.

Redução da jornada acontecerá gradualmente

Caso a PEC conclua toda a tramitação e seja promulgada, a mudança não acontecerá de uma única vez.

Dois meses depois da publicação da emenda, o limite semanal passará das atuais 44 horas para 42 horas.

Nesse momento, os trabalhadores também passarão a ter dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Depois de mais 12 meses, a jornada máxima chegará às 40 horas.

Assim, a transição completa ocorrerá 14 meses após a promulgação.

Fim da escala 6×1 avançou no Senado

A proposta também avançou no Senado.

No dia 2 de setembro, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou a PEC 221/2019.

O relator, senador Omar Aziz, manteve o texto que havia passado pela Câmara. Dessa forma, continuam previstas a jornada máxima de 40 horas, duas folgas semanais e a manutenção dos salários.

Depois da aprovação na comissão, a PEC seguiu para o Plenário do Senado.

Escala 6×1 ainda está permitida no Brasil

Apesar das mudanças feitas pelas empresas e das votações no Congresso, a escala 6×1 continua permitida pela legislação brasileira.

A PEC ainda precisa passar por dois turnos de votação no Plenário do Senado.

Por se tratar de uma mudança constitucional, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em cada turno.

Se o Senado aprovar exatamente o mesmo texto da Câmara, o Congresso poderá promulgar a emenda. Não existe sanção ou veto presidencial nesse tipo de proposta.

Se houver mudança no conteúdo, entretanto, o texto precisará retornar para nova análise da Câmara.

Enquanto essa tramitação continua, grandes empregadores decidiram se antecipar.

Redes de farmácias e supermercados já colocaram milhares de funcionários no modelo 5×2. Algumas concluíram a mudança em suas lojas. Outras avançam gradualmente.

Assim, a escala de seis dias de trabalho para apenas um de descanso começa a perder espaço dentro de algumas das maiores empresas do varejo brasileiro.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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