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Multinacional americana manda fechar fábrica no Brasil, mas será obrigada a indenizar todos os funcionários demitidos

Multinacional americana terá que pagar indenização para todos os funcionários demitidos.
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Multinacional americana
Multinacional americana terá que pagar indenização para todos os funcionários demitidos. Crédito: Divulgação
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Uma multinacional norte-americana encerrou uma de suas operações industriais no Brasil e dispensou os funcionários. No entanto, o fechamento da fábrica terminou com um acordo que garantiu uma indenização de R$ 35 mil para cada funcionário atingido pelas demissões.

Além do pagamento em dinheiro, os empregados conquistaram a manutenção do plano de saúde, do plano odontológico e do vale-alimentação por mais 12 meses. O pacote surgiu depois de semanas de paralisação e negociações entre a empresa e os representantes dos trabalhadores.

A companhia envolvida no caso é a Parker Hannifin, grupo industrial dos Estados Unidos especializado no desenvolvimento de tecnologias e componentes para sistemas de movimento e controle.

A fábrica encerrada funcionava em Jacareí, no interior de São Paulo. A unidade produzia principalmente válvulas e outros componentes usados em máquinas, equipamentos agrícolas e diferentes aplicações industriais.

Multinacional americana fecha fábrica no Brasil

A Parker Hannifin anunciou em julho a intenção de encerrar a produção na unidade de Jacareí. A medida colocou em risco, de uma só vez, os empregos de cerca de 100 profissionais ligados à planta.

A partir daí, os trabalhadores passaram a pressionar a companhia em busca de alternativas. Entre as possibilidades debatidas estavam a continuidade das atividades e até o aproveitamento de funcionários em outras operações da multinacional.

Entretanto, a empresa manteve o plano de fechamento.

Diante da falta de acordo para preservar os empregos, os metalúrgicos iniciaram uma greve por tempo indeterminado em 20 de julho. Durante a mobilização, eles também organizaram um acampamento e realizaram atos contra o encerramento da fábrica.

A paralisação se estendeu por 38 dias.

Demissões ocorreram durante a mobilização

Enquanto a greve continuava, a Parker avançou com o processo de desligamento dos funcionários.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, todos os trabalhadores da planta receberam a comunicação de demissão em 11 de agosto.

A entidade afirmou ainda que alguns profissionais receberam o aviso por WhatsApp e telegrama.

Mesmo depois das notificações, a mobilização não terminou. Os trabalhadores continuaram cobrando melhores condições para a demissão coletiva e intensificaram os protestos.

Em uma das manifestações, empregados queimaram telegramas de desligamento diante de uma instalação da Parker em São José dos Campos.

Além disso, organizações sindicais de outros países divulgaram manifestações de apoio aos trabalhadores brasileiros. Ainda assim, a multinacional não voltou atrás na decisão de fechar a unidade.

Trabalhadores garantem R$ 35 mil de indenização

Com a manutenção do fechamento, as negociações passaram a se concentrar nas compensações financeiras e nos benefícios destinados aos funcionários dispensados.

Após 38 dias de greve, representantes da Parker e dos empregados chegaram a um acordo durante uma mediação realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas.

Os trabalhadores aprovaram a proposta no fim de agosto.

Pelo acordo, cada funcionário atingido pelo encerramento da fábrica terá direito a uma indenização social de R$ 35 mil.

Além do valor, a empresa deverá manter por 12 meses a assistência médica, o plano odontológico e o vale-alimentação nas condições definidas durante a negociação.

O entendimento também estabeleceu proteções específicas para empregados que apresentem doenças ocupacionais ou sequelas relacionadas a acidentes de trabalho.

Valor da indenização

A indenização de R$ 35 mil ficou muito acima do valor colocado inicialmente sobre a mesa.

De acordo com o sindicato, a primeira proposta da Parker previa apenas R$ 2 mil de indenização social para cada trabalhador.

Com a continuidade da paralisação, a companhia elevou a oferta para R$ 20 mil.

As negociações avançaram novamente até chegar ao valor final de R$ 35 mil por empregado, acompanhado da extensão dos benefícios por um ano.

Dessa maneira, os funcionários não conseguiram impedir o encerramento da fábrica, mas ampliaram de forma significativa o pacote oferecido pela multinacional aos profissionais demitidos.

Multinacional registra faturamento bilionário

O fechamento da unidade de Jacareí ocorreu enquanto a Parker Hannifin mantinha uma operação global de grande porte.

Com sede em Cleveland, no estado americano de Ohio, a companhia atua em diferentes mercados industriais e também fornece tecnologias para o setor aeroespacial.

No ano fiscal encerrado em junho de 2026, a empresa registrou aproximadamente US$ 21,5 bilhões em vendas.

No período fiscal anterior, a receita havia alcançado cerca de US$ 19,85 bilhões.

Já o lucro líquido ficou próximo de US$ 3,65 bilhões no exercício encerrado em 2026.

Assim, o encerramento da operação paulista aconteceu em um período no qual a companhia apresentava receitas e lucros bilionários no mercado, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Multinacional continua atuando no Brasil

O fechamento da fábrica de Jacareí, entretanto, não significa que a Parker Hannifin tenha deixado o mercado brasileiro.

A multinacional continua com outras operações no país, inclusive na região de São José dos Campos.

Portanto, a decisão atingiu especificamente a unidade de Jacareí e os profissionais que trabalhavam nela.

Para esses funcionários, o impacto foi direto: a fábrica encerrou as atividades e todos perderam seus postos de trabalho.

Depois de mais de um mês de mobilização, a empresa manteve o fechamento, enquanto os trabalhadores garantiram uma indenização de R$ 35 mil por pessoa e a continuidade de benefícios como assistência médica, plano odontológico e vale-alimentação por mais 12 meses.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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