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Crise financeira faz montadora de luxo fechar fábrica, demitir funcionários e sair do Brasil

A montadora de luxo se encontra em grave crise financeira e decidiu fechar sua fábrica no Brasil.
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Montadora de luxo Fábrica Crise
A montadora de luxo se encontra em grave crise financeira e decidiu fechar sua fábrica no Brasil. Crédito: Divulgação
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A crise no mercado de carros de luxo atingiu uma das fábricas mais conhecidas do setor automotivo no Brasil. Depois de anos com baixa produção, a Jaguar Land Rover decidiu encerrar a montagem de veículos no país e colocou centenas de trabalhadores em situação de incerteza.

A decisão afeta a fábrica de Itatiaia, no Rio de Janeiro. No local, a montadora produzia modelos da Land Rover, como o Discovery Sport e o Range Rover Evoque. Agora, a operação brasileira chega ao fim e muda o cenário da indústria automotiva na região.

Além disso, o encerramento da produção acendeu um alerta entre os funcionários. A unidade tem 371 trabalhadores diretos, segundo o sindicato que representa a categoria. Por isso, o principal temor envolve possíveis demissões durante a transição.

A fábrica pode receber uma nova montadora nos próximos meses. No entanto, ainda não existe garantia pública de que todos os empregos serão mantidos caso outra empresa assuma o complexo industrial, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Montadora de luxo encerra produção no Brasil

A Jaguar Land Rover inaugurou a fábrica de Itatiaia para ampliar sua presença no mercado brasileiro. A empresa apostava na montagem local de SUVs de luxo e queria fortalecer a marca no país.

No entanto, a operação nunca alcançou grandes volumes. Com o passar dos anos, a baixa procura pelos modelos montados no Brasil reduziu a força da unidade dentro da estratégia da montadora.

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Além disso, o formato de produção também dificultou a competitividade. A fábrica operava no sistema SKD, em que boa parte das peças chega do exterior quase pronta e a equipe faz apenas a etapa final de montagem no Brasil.

Na prática, esse modelo mantém a operação dependente de componentes importados. Com isso, a fábrica tem menos nacionalização e enfrenta mais dificuldade para competir com marcas que produzem em maior escala no país.

Baixa venda de carros pesou na decisão

Os números de vendas ajudam a explicar a saída da Jaguar Land Rover da produção nacional. Entre janeiro e maio deste ano, o Discovery Sport e o Range Rover Evoque somaram apenas 264 emplacamentos no Brasil.

Esse volume não sustenta uma fábrica dedicada à montagem desses modelos. Por isso, a operação perdeu espaço dentro dos planos da montadora.

Agora, os últimos veículos entram na etapa final de distribuição. A expectativa é que os carros restantes sigam para as concessionárias até meados de julho.

Enquanto isso, funcionários e sindicato aguardam uma definição sobre o futuro da unidade. A empresa ainda não apresentou publicamente todos os detalhes sobre os próximos passos da fábrica.

Funcionários podem ser demitidos

A situação mais delicada envolve os empregos. A fábrica de Itatiaia tem 371 trabalhadores diretos, de acordo com o Sindireal, sindicato dos metalúrgicos da região.

O sindicato acompanha as negociações e cobra a preservação dos postos de trabalho. A entidade quer garantir que os funcionários tenham prioridade caso uma nova montadora assuma a unidade.

Mesmo com o fim da produção da Land Rover, os trabalhadores seguem em cursos de especialização. Dessa forma, a mão de obra pode se preparar para uma possível nova fase da fábrica.

No entanto, a incerteza continua. Até agora, ninguém confirmou se todos os funcionários serão reaproveitados ou se parte da equipe perderá o emprego durante a mudança de operação.

Chery negocia assumir fábrica no Brasil

Uma possível saída envolve a Chery. O grupo chinês, que vem ampliando sua presença no mercado brasileiro, negocia assumir a fábrica de Itatiaia por meio das marcas Omoda e Jaecoo.

A empresa estuda usar o complexo industrial para produzir veículos no Brasil. Além disso, representantes da montadora já participaram de conversas com autoridades locais e estaduais.

As negociações envolvem a Prefeitura de Itatiaia, o Governo do Rio de Janeiro e a Assembleia Legislativa. O principal ponto em discussão envolve incentivos fiscais e condições tributárias para viabilizar a nova operação.

Caso o acordo avance, a unidade deixará de montar SUVs da Land Rover e poderá receber modelos chineses. Assim, a fábrica ganharia uma nova função dentro do setor automotivo nacional.

Fábrica pode produzir até 100 mil carros por ano

O plano em análise pode mudar completamente o futuro da unidade. Em uma primeira fase, a nova montadora poderia adaptar a estrutura para produzir até 87 mil veículos por ano.

Depois disso, a capacidade poderia chegar a cerca de 100 mil carros anuais a partir do segundo semestre de 2027. Com isso, Itatiaia poderia se transformar em uma base importante para a produção de veículos da Omoda e da Jaecoo.

A proposta também prevê maior nacionalização dos modelos. Dessa maneira, a fábrica poderia atender o mercado brasileiro e também países vizinhos.

Portanto, o fim da operação da Land Rover não representa, necessariamente, o fechamento definitivo da fábrica. Ainda assim, os trabalhadores seguem em alerta.

A resposta sobre os empregos depende do avanço das negociações. Até lá, os funcionários continuam sem saber se a chegada da nova montadora vai preservar todos os postos de trabalho ou se parte da equipe será demitida durante a transição.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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