O patrimônio de Ilson Mateus Rodrigues, fundador e principal acionista do Grupo Mateus, sofreu uma forte redução em apenas um ano. Segundo dados da lista de bilionários da Forbes, a fortuna do empresário passou de R$ 7,7 bilhões em 2025 para aproximadamente R$ 3,5 bilhões em 2026.
Com isso, cerca de R$ 4,2 bilhões deixaram de fazer parte do patrimônio estimado do empresário no período. Ao mesmo tempo, o Grupo Mateus atravessou uma ampla reorganização de suas operações, que envolveu fechamento de lojas e uma redução expressiva no número de funcionários.
Entre 2025 e o início de 2026, a companhia encerrou 28 unidades e diminuiu seu quadro em aproximadamente 6,6 mil trabalhadores. Além disso, os desligamentos atingiram operações em estados como Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.
A redução patrimonial, porém, não atingiu apenas o fundador. Os filhos de Ilson Mateus, que também aparecem entre os bilionários brasileiros, registraram diminuição em suas fortunas. Dessa forma, considerando os integrantes da família ligados ao negócio, a perda patrimonial chegou a aproximadamente R$ 6,4 bilhões.
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Fortuna de fundador do Grupo Mateus chega a R$ 3,5 bilhões
Boa parte da riqueza de Ilson Mateus está relacionada à participação acionária mantida no Grupo Mateus, empresa negociada na Bolsa de Valores brasileira sob o código GMAT3.
Por isso, mudanças no valor das ações e na avaliação da companhia pelo mercado financeiro também podem provocar grandes oscilações no patrimônio estimado do empresário.
Além disso, o grupo enfrentou um período de mudanças operacionais. Durante esse processo, a companhia revisou despesas, estratégias comerciais e projetos de expansão.
No segundo trimestre de 2026, por exemplo, o Grupo Mateus registrou lucro líquido de R$ 237 milhões. O resultado representou avanço de 11,2% em relação ao primeiro trimestre do mesmo ano.
Por outro lado, quando a comparação é feita com o segundo trimestre de 2025, houve uma retração de 39,3%. Já as vendas no conceito de mesmas lojas recuaram 8%.
Rede de supermercados fechou 28 lojas demitiu 6 mil funcionários
A reorganização também provocou uma redução considerável no número de trabalhadores. O quadro passou de aproximadamente 47,9 mil funcionários para 41,2 mil.
Dessa maneira, a companhia reduziu sua força de trabalho em aproximadamente 13,9% no período.
Segundo a empresa, as 28 unidades encerradas pertenciam à bandeira Eletro Mateus, dedicada à comercialização de eletrodomésticos, móveis e eletrônicos.
Nesse sentido, o fechamento fez parte de uma revisão do portfólio de negócios. Entre os fatores considerados estavam a desaceleração do consumo, a redução do poder de compra e uma estrutura de despesas preparada para um ritmo de expansão que acabou não se concretizando.
Além disso, a companhia promoveu mudanças nos canais de televendas e vendas digitais. Com isso, a direção passou a concentrar esforços na preservação das margens e na rentabilidade das operações que permaneceram abertas.
A partir de agora, novos investimentos também deverão passar por critérios mais rigorosos. Portanto, a estratégia deverá priorizar o retorno financeiro em vez de uma expansão acelerada da quantidade de lojas.
Grupo Mateus manteve receita bilionária
Apesar dos cortes e do fechamento das unidades, o Grupo Mateus continuou apresentando crescimento na receita, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
No segundo trimestre de 2026, a receita líquida alcançou R$ 9,85 bilhões. Assim, o valor ficou 12,2% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.
O lucro bruto, por sua vez, chegou a R$ 2,31 bilhões, representando crescimento de 10,4%.
Além disso, em 2025, o faturamento bruto anual da companhia havia alcançado R$ 43,5 bilhões. Atualmente, o grupo mantém centenas de unidades espalhadas principalmente pelas regiões Norte e Nordeste.
Segundo o Ranking ABRAS 2026, o Grupo Mateus aparece como a terceira maior empresa do setor supermercadista brasileiro, atrás apenas de Carrefour e Assaí.
Rede de supermercados também recebeu autuação de R$ 1,28 bilhão
Além da reestruturação operacional, a companhia enfrentou outro episódio relevante em junho de 2026. Na ocasião, a Receita Federal aplicou um auto de infração que alcança R$ 1,28 bilhão.
Desse montante, aproximadamente R$ 492,9 milhões correspondem ao valor principal. Enquanto isso, cerca de R$ 789 milhões estão relacionados a juros e multas.
A discussão envolve a exclusão de créditos presumidos de ICMS da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido referente aos anos de 2022 e 2023.
Entretanto, o Grupo Mateus classificou a possibilidade de perda como “possível” e informou que pretende contestar a cobrança.
Rede também mudou bandeiras
Enquanto reorganizava parte de sua estrutura, a companhia promoveu mudanças em algumas operações regionais.
Unidades do Mix Mateus localizadas em Pernambuco, Paraíba e Alagoas passaram a funcionar sob a bandeira Novo Atacarejo.
Já duas lojas de varejo situadas em João Pessoa e Recife adotaram a marca Novo Mercatto.
Dessa forma, as alterações passaram a integrar a reorganização das operações da empresa no Nordeste.
Fundador começou com uma mercearia
Antes de construir uma das maiores redes varejistas do país, Ilson Mateus teve uma trajetória distante do universo dos grandes negócios.
Ao longo da juventude, ele trabalhou como engraxate, operário em uma fábrica de cachaça e garimpeiro.
Posteriormente, em 1986, abriu uma pequena mercearia de aproximadamente 50 metros quadrados em Balsas, no Maranhão.
Dois anos depois, porém, o estabelecimento já havia crescido e se transformado em supermercado. A partir daí, a empresa iniciou uma sequência de expansões.
Nas décadas seguintes, o negócio chegou a novas cidades, criou operações de atacado e atacarejo e avançou para outros estados.
Finalmente, em 2020, o Grupo Mateus realizou sua abertura de capital na B3 e passou a ter ações negociadas na Bolsa brasileira.
Quatro décadas depois da abertura da primeira mercearia, a companhia se tornou uma das maiores redes de supermercados e atacarejos do país. Ainda assim, o período recente também trouxe uma forte redução na fortuna estimada de seu fundador, que passou de R$ 7,7 bilhões em 2025 para R$ 3,5 bilhões em 2026.