Uma montadora chinesa recebeu uma área pública de grandes proporções para construir uma nova fábrica de veículos no Brasil. O projeto prevê cerca de R$ 5 bilhões em investimentos e pode criar milhares de empregos nos próximos anos.
O terreno possui aproximadamente 1,7 milhão de metros quadrados. O espaço poderá reunir linhas de montagem, centros de distribuição, depósitos, prédios administrativos e empresas fornecedoras de peças e equipamentos.
Além disso, a área permitirá que a fabricante amplie a produção no futuro. Quando todas as etapas estiverem concluídas, o complexo poderá fabricar até 200 mil veículos por ano.
A empresa responsável pelo investimento é a GWM, uma das maiores montadoras da China. A nova fábrica será construída em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, às margens da ES-257, na região de Barra do Riacho.
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Governo aprova doação de terreno para montadora chinesa
O Governo do Espírito Santo decidiu doar o terreno para viabilizar a instalação da fábrica. A transferência da área também recebeu autorização da Assembleia Legislativa.
A medida funciona como um incentivo para atrair o investimento e ampliar a atividade industrial no Estado. No entanto, a empresa deverá utilizar o imóvel para a implantação do complexo automotivo.
Portanto, a montadora terá que cumprir as condições estabelecidas no projeto. A área não poderá ser usada livremente para outra finalidade.
Além do terreno destinado à GWM, o projeto inclui uma segunda área, com aproximadamente 79,5 mil metros quadrados. Nesse caso, o município de Aracruz deverá utilizar o espaço para instalar estruturas públicas relacionadas ao Parklog/ES.
Nova fábrica receberá investimento de aproximadamente R$ 5 bilhões
A GWM planeja investir cerca de R$ 5 bilhões na construção e na instalação do complexo industrial. O valor inclui obras, máquinas, equipamentos, estruturas logísticas e preparação da linha de produção.
A empresa deverá executar o projeto em diferentes etapas. Inicialmente, a fábrica começará com uma capacidade menor. Depois, a montadora poderá ampliar gradualmente o número de veículos produzidos.
Quando estiver funcionando plenamente, a unidade poderá fabricar até 200 mil carros por ano.
A fábrica de Aracruz será a segunda operação industrial da GWM no Brasil. Atualmente, a montadora também mantém uma unidade em Iracemápolis, no interior de São Paulo.
No Espírito Santo, porém, a empresa pretende construir um complexo maior. O projeto poderá reunir não apenas a montagem dos veículos, mas também fornecedores, centros de armazenamento e serviços ligados à cadeia automotiva.
Montadora poderá produzir carros elétricos e híbridos
A futura fábrica terá estrutura para produzir veículos com diferentes tipos de motorização. A expectativa é que a unidade fabrique carros elétricos, híbridos e modelos movidos a combustão, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Entre os veículos previstos aparece o Ora 5, SUV elétrico da GWM. Outros modelos também poderão entrar na linha de produção conforme a empresa ampliar sua operação no país.
Essa flexibilidade permitirá que a montadora acompanhe as mudanças do mercado brasileiro. Atualmente, os veículos híbridos e elétricos ganham espaço, mas os carros a combustão ainda representam grande parte das vendas.
Por isso, a empresa poderá adaptar a produção de acordo com a procura dos consumidores.
Fábrica da GWM pode gerar 10 mil empregos
A instalação da montadora poderá gerar até 10 mil empregos diretos e indiretos. As oportunidades devem surgir durante a construção da fábrica e também após o início da produção.
Na primeira fase, o projeto deverá movimentar principalmente a construção civil. Empresas poderão contratar pedreiros, eletricistas, operadores de máquinas, técnicos, engenheiros e motoristas.
Depois, a fábrica precisará de profissionais para atuar na montagem dos veículos, manutenção, logística, segurança, tecnologia, automação e controle de qualidade.
Além disso, a chegada da GWM deverá movimentar outros setores. Restaurantes, transportadoras, hotéis, imobiliárias e empresas de prestação de serviços poderão ampliar suas atividades.
Fornecedores de peças também poderão instalar unidades próximas à montadora. Dessa forma, o impacto econômico não ficará restrito aos trabalhadores contratados diretamente pela fábrica.
Moradores poderão receber qualificação profissional
A GWM também pretende firmar parcerias com instituições de ensino e escolas técnicas. O objetivo será preparar profissionais para as futuras vagas da indústria automotiva.
Os cursos poderão atender áreas como mecânica, eletrônica, logística, automação industrial e operação de máquinas.
Além disso, a empresa precisará de trabalhadores capacitados para lidar com baterias, motores elétricos e sistemas eletrônicos utilizados nos veículos mais modernos.
A qualificação antecipada poderá aumentar as chances de contratação de moradores de Aracruz e de outros municípios do Espírito Santo.
Durante a discussão da doação, deputados também defenderam que a empresa priorize a mão de obra local.
Proximidade com portos ajudou na escolha
A localização do terreno teve peso importante na escolha do Espírito Santo. A área fica próxima de estruturas portuárias e de grandes empreendimentos industriais.
Entre os pontos próximos estão o Portocel, a Suzano e a área planejada para o Parklog/ES. Além disso, o terreno possui acesso pela rodovia ES-257.
Essa posição facilita o transporte de peças, equipamentos e veículos. A empresa também poderá utilizar os portos da região para receber componentes e enviar carros para outros mercados.
Inicialmente, a fábrica deverá atender os consumidores brasileiros. Posteriormente, a GWM poderá exportar veículos para outros países da América Latina.
Argentina, México, Chile, Colômbia e Uruguai aparecem entre os possíveis destinos.
Assim, Aracruz poderá se tornar uma base de produção e exportação da montadora chinesa no continente.
Doação do terreno provocou debate
A transferência da área pública para a empresa provocou discussões na Assembleia Legislativa. Parte dos deputados destacou o potencial econômico do projeto.
Segundo os defensores da proposta, a fábrica poderá gerar empregos, aumentar a arrecadação e atrair novas empresas para o Espírito Santo.
Por outro lado, alguns parlamentares cobraram mais detalhes sobre as contrapartidas oferecidas pela montadora.
Também surgiram questionamentos sobre os impactos ambientais e os efeitos do empreendimento para as comunidades que vivem na região de Barra do Riacho.
Além disso, deputados pediram garantias de que a empresa investirá na formação profissional e na contratação de trabalhadores locais.
Apesar dos questionamentos, a maioria dos parlamentares aprovou a doação. Com isso, o Governo do Estado poderá avançar com a transferência da área.
Fábrica da montadora chinesa deve ficar pronta em 2029
O lançamento oficial do projeto aconteceu no dia 30 de junho. A cerimônia reuniu executivos brasileiros e chineses, autoridades estaduais e representantes do setor produtivo.
Agora, a empresa deverá avançar com os estudos técnicos, os projetos de engenharia e o licenciamento ambiental.
Em seguida, começará a preparação do terreno e a construção das primeiras estruturas da fábrica.
A previsão é inaugurar o complexo em 2029. No entanto, a produção deverá crescer aos poucos até alcançar a capacidade máxima prevista.
Caso o cronograma seja cumprido, o Espírito Santo entrará no mapa nacional da indústria automotiva.
Além disso, a instalação da GWM poderá transformar Aracruz em um novo polo de produção de carros elétricos, híbridos e movidos a combustão no Brasil.