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Gigante mundial dos doces fecha única fábrica brasileira e anuncia investimento nos Estados Unidos

A gigante mundial dos doces fechou sua única fábrica brasileira.
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Gigante mundial dos doces
A gigante mundial dos doces fechou sua única fábrica brasileira. Crédito: Divulgação
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Uma das maiores fabricantes de doces do mundo encerrou uma operação industrial que funcionava havia cerca de dez anos. A decisão colocou fim à produção local, atingiu aproximadamente 150 trabalhadores e retirou uma importante fábrica da estrutura internacional da companhia.

Ao mesmo tempo, a multinacional segue um caminho completamente diferente em outro de seus principais mercados. Depois de desembolsar mais de US$ 300 milhões em uma fábrica, a empresa entrou em uma nova fase de crescimento, com investimentos em inovação e abertura de lojas próprias.

A fabricante é a Haribo, gigante alemã conhecida mundialmente pelos tradicionais ursinhos de gelatina Goldbears.

No Brasil, a empresa encerrou a produção de sua única fábrica, localizada em Bauru, no interior de São Paulo. A fabricação terminou em julho de 2026, após aproximadamente uma década de atividades.

Nos Estados Unidos, por outro lado, a companhia mantém sua primeira grande unidade industrial na América do Norte e anunciou, em agosto, uma nova etapa de expansão da marca.

Gigante mundial dos doces fecha fábrica brasileira

A Haribo iniciou a produção em Bauru em 2016. A unidade ganhou importância dentro da estratégia internacional da fabricante e chegou a produzir doces tanto para consumidores brasileiros quanto para exportação.

Inclusive, parte dos produtos fabricados no interior paulista chegou ao mercado norte-americano antes de a companhia construir sua própria fábrica nos Estados Unidos.

Durante seus melhores momentos, a operação brasileira chegou a manter cerca de 350 funcionários. Entretanto, a atividade perdeu força nos últimos anos.

Em 2026, a Haribo comunicou oficialmente que encerraria a fábrica.

Naquele momento, 154 trabalhadores diretos atuavam na unidade, segundo o sindicato responsável por representar os funcionários. Profissionais terceirizados também sofreram impactos com a decisão.

A empresa manteve a fabricação durante os meses seguintes para concluir o processo de desmobilização. Em julho, a produção terminou definitivamente.

Assim, o Brasil deixou de ter uma fábrica da Haribo depois de aproximadamente dez anos de produção, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Por que a gigante mundial dos doces fechou a fábrica?

A companhia atribuiu a decisão a uma análise de sua própria operação no país.

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Entre os pontos mencionados pela Haribo estavam competitividade, ambiente de negócios e sustentabilidade da estrutura industrial no longo prazo. A empresa também citou fatores externos que dificultaram a continuidade da operação.

Porém, a fabricante não divulgou números que comprovassem um prejuízo específico da unidade.

Além disso, a multinacional não apontou impostos, custos trabalhistas, câmbio ou uma medida específica do governo como causa isolada do encerramento.

Portanto, o fechamento fez parte de uma decisão estratégica da própria companhia sobre a viabilidade de manter a produção brasileira.

Gigante mundial dos doces investiu US$ 300 milhões em fábrica nos Estados Unidos

Enquanto reduzia sua estrutura brasileira, a fabricante já construía uma operação muito maior para atender ao mercado norte-americano.

A Haribo investiu mais de US$ 300 milhões em sua fábrica de Pleasant Prairie, no estado de Wisconsin.

O projeto representou o maior investimento realizado pela companhia em seus primeiros 100 anos de história. A primeira etapa previa até 385 empregos diretos.

A produção começou oficialmente em 2023.

A unidade possui aproximadamente 500 mil pés quadrados e iniciou as atividades fabricando principalmente os famosos Goldbears. Quando inaugurou a operação, a empresa informou que já planejava aumentar a produção futuramente.

Dessa forma, a Haribo passou a fabricar seus doces diretamente em um dos maiores mercados consumidores da marca.

Gigante dos doces anuncia nova fase de expansão

A aposta da Haribo nos Estados Unidos continuou em 2026.

Em agosto, a multinacional anunciou oficialmente uma nova fase de crescimento no país. A estratégia inclui investimentos em inovação, novos produtos, experiências para consumidores e expansão física da marca.

Uma das principais novidades foi a estreia das primeiras lojas próprias da Haribo no mercado norte-americano.

A empresa inaugurou uma unidade no Woodbury Common Premium Outlets, em Nova York. Outra operação foi preparada no Wrentham Village Premium Outlets, em Massachusetts.

As lojas permitem que consumidores montem combinações de doces e tenham acesso a produtos sazonais, itens exclusivos e mercadorias ligadas à marca.

Portanto, o cenário contrasta diretamente com o movimento realizado no Brasil.

De um lado, a multinacional terminou sua produção brasileira. Do outro, mantém uma fábrica bilionária em reais e segue ampliando sua estrutura comercial nos Estados Unidos.

Fábrica brasileira não foi transferida para os Estados Unidos

Apesar da diferença entre os dois movimentos, não há indicação de que a Haribo simplesmente tenha transferido a fábrica de Bauru para Wisconsin.

A unidade norte-americana começou a produzir em 2023, três anos antes do encerramento da operação brasileira.

Além disso, a Haribo desenvolveu o projeto norte-americano principalmente para ampliar sua capacidade de atender à demanda dos consumidores dos Estados Unidos.

Também não existe anúncio sobre transferência de máquinas, linhas industriais ou funcionários brasileiros para a unidade norte-americana.

Por isso, os dois movimentos devem ser tratados separadamente: a empresa encerrou sua produção no Brasil enquanto mantém uma estratégia própria de crescimento nos Estados Unidos.

Gigante dos doces continuará vendendo no Brasil?

O fechamento da fábrica não significa necessariamente a saída dos produtos das lojas brasileiras.

Quando anunciou o encerramento das operações industriais, a Haribo informou que pretendia continuar atendendo os consumidores do país. A companhia passou a avaliar alternativas para manter sua presença comercial sem produção local.

Entretanto, com o fim da fabricação em Bauru, os novos produtos destinados ao mercado brasileiro precisarão vir de unidades localizadas no exterior.

Até agora, a companhia não informou publicamente qual fábrica ficará responsável de forma permanente pelo abastecimento do Brasil.

Portanto, também não é correto afirmar que todos os doces vendidos no país passarão a sair da unidade dos Estados Unidos.

Brasil já produziu doces da Haribo para os Estados Unidos

A trajetória da fábrica brasileira guarda ainda uma curiosidade.

Antes de inaugurar sua própria unidade norte-americana, a Haribo utilizou a produção de Bauru para atender também operações de exportação destinadas aos Estados Unidos.

Naquela época, o cenário era diferente. A empresa ainda ampliava sua presença produtiva no Brasil.

Anos depois, a estratégia mudou.

A fábrica norte-americana começou a funcionar em 2023. Já a unidade brasileira entrou em processo de redução da produção e encerrou definitivamente as atividades em julho de 2026.

Gigante mundial dos doces tem mais de 100 anos de história

A Haribo surgiu em 1920, em Bonn, na Alemanha.

O nome da companhia combina partes do nome de seu fundador, Hans Riegel, com o nome da cidade onde o negócio começou: Hans Riegel Bonn.

Com o passar das décadas, a empresa transformou os ursinhos de gelatina em seu principal símbolo.

Hoje, a Haribo se apresenta como líder mundial na fabricação de balas de gelatina e produz mais de 100 milhões de Goldbears por dia em sua estrutura global.

No Brasil, porém, a história industrial chegou ao fim depois de aproximadamente dez anos.

Enquanto fechou sua única fábrica brasileira e encerrou a produção em Bauru, a gigante dos doces mantém uma unidade construída com investimento superior a US$ 300 milhões nos Estados Unidos e avança com uma nova fase de expansão no mercado norte-americano.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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