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Dona do Oreo, Lacta e Bis fecha fábrica histórica e encerra produção de biscoitos

A dona das marcas Oreo, Lacta e Bis fechou uma fábrica histórica.
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Dona do Oreo, Lacta e Bis
A dona das marcas Oreo, Lacta e Bis fechou uma fábrica histórica. Crédito: Divulgação
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A gigante responsável por marcas como Oreo, Lacta e Bis encerrou uma de suas fábricas históricas depois de cerca de 90 anos de atividade. Com a decisão, as linhas industriais pararam definitivamente e a unidade deixou de produzir biscoitos.

O fechamento também atingiu dezenas de trabalhadores e encerrou uma longa trajetória industrial iniciada ainda na década de 1930. Em seus melhores momentos, a fábrica chegou a reunir aproximadamente 1.200 funcionários, mas vinha reduzindo fortemente sua estrutura ao longo dos últimos anos.

A empresa responsável pela decisão é a Mondelēz International, uma das maiores fabricantes de chocolates e biscoitos do mundo. No Brasil, o grupo controla marcas extremamente conhecidas, como Lacta, Bis, Oreo, Sonho de Valsa, Club Social, Trident e Tang.

A fábrica fechada ficava em Château-Thierry, na França, e era conhecida historicamente como Belin-LU. A produção terminou definitivamente em 14 de novembro de 2025, quando os últimos biscoitos deixaram as linhas industriais.

Fábrica encerra produção após cerca de 90 anos

A história industrial da unidade começou em 1931.

Desde então, a fábrica se tornou uma referência na produção de biscoitos e acompanhou diferentes mudanças de controle e de marcas ao longo de nove décadas.

Mais recentemente, a instalação fazia parte da estrutura industrial da Mondelēz, companhia que adquiriu a operação LU dentro das transformações societárias que antecederam a criação do atual grupo.

Depois de aproximadamente 90 anos, porém, a empresa concluiu que não compensava manter a fábrica funcionando.

As máquinas pararam definitivamente em novembro de 2025.

Último biscoito marcou o fim da fábrica

O encerramento teve forte impacto simbólico na cidade.

Segundo registro feito durante a despedida dos funcionários, o último biscoito saiu da linha às 9h35 do dia 14 de novembro de 2025.

A partir daquele momento, a unidade deixou de realizar qualquer produção industrial de biscoitos.

O fechamento encerrou uma operação que fazia parte da economia local havia várias gerações.

Muitos trabalhadores da região construíram toda a carreira profissional dentro da fábrica.

Quais biscoitos eram produzidos?

Apesar de a Mondelēz ser dona de Oreo, Lacta e Bis, esses não eram os produtos fabricados naquela unidade.

A antiga fábrica LU-Belin produzia principalmente biscoitos recheados e cobertos com chocolate.

Entre os produtos estavam versões de Pépito, Kango, Guet Apens, Oro Cereal e biscoitos da linha regional da LU.

No caso de Pépito, a fábrica produzia itens como Pockitos e Pockitos Maxi Croustillant.

Portanto, o encerramento da unidade retirou dali a fabricação dessas linhas de biscoitos.

Isso não significa, porém, que todas essas marcas tenham desaparecido do mercado.

Produção foi transferida

A Mondelēz decidiu reorganizar a fabricação.

Parte das atividades que estavam concentradas na fábrica histórica passou para outras instalações industriais.

Documentos do governo francês registram que a companhia planejou transferir parte da capacidade para sua fábrica de La Haye-Fouassière, também na França.

Além disso, discussões posteriores no Parlamento francês apontaram transferência de parte da produção para a República Tcheca.

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Assim, o fechamento não representou o fim do negócio de biscoitos da Mondelēz.

A companhia concentrou a fabricação em outras plantas.

Funcionários demitidos

Quando anunciou o encerramento, a fábrica mantinha pouco mais de 60 trabalhadores permanentes.

Documentos oficiais indicavam 61 funcionários com contratos permanentes diretamente envolvidos no plano de fechamento.

A Prefeitura de Château-Thierry informou posteriormente que cerca de 60 empregados permanentes perderiam seus postos, alguns antes do desligamento das máquinas e outros nos meses seguintes.

Além deles, o impacto alcançou outros profissionais.

Havia aproximadamente 20 trabalhadores temporários e cerca de 20 funcionários de empresas terceirizadas cujos empregos também ficaram ameaçados pelo encerramento.

Portanto, o impacto sobre a economia local ultrapassou os empregados contratados diretamente pela Mondelēz.

Fábrica já chegou a ter 1.200 trabalhadores

O número atual de empregados era muito menor do que no passado.

Durante uma discussão no Parlamento francês, o então ministro da Economia Bruno Le Maire afirmou que a fábrica havia chegado a empregar aproximadamente 1.200 pessoas, contra cerca de 60 no momento em que o fechamento entrou em discussão.

Isso mostra que a unidade já vinha passando por uma redução profunda ao longo das décadas.

Mesmo assim, o encerramento definitivo provocou forte reação na cidade.

A fábrica representava quase um século de história industrial e mantinha uma relação direta com diferentes gerações de moradores.

Por que a dona do Oreo, Lacta e Bis fechou a fábrica?

A empresa apresentou vários fatores para justificar a decisão.

Um deles foi a necessidade de realizar investimentos elevados para modernizar máquinas, infraestrutura e instalações.

Segundo a companhia, as características do próprio prédio dificultavam a instalação de novas linhas modernas de fabricação.

A Mondelēz também apontou perda de competitividade.

Além disso, a operação enfrentava redução de volumes e perda de negócios com determinados clientes.

Custos e concorrência também pesaram

Documentos oficiais franceses registraram outros problemas citados pela direção da empresa.

Entre eles estavam a inflação de matérias-primas, como açúcar e farinha, além do aumento dos custos de energia.

A companhia também enfrentava forte concorrência das marcas próprias dos supermercados.

Nesse cenário, a fábrica passou a apresentar rentabilidade considerada muito baixa pelo grupo.

Somados, esses fatores levaram a Mondelēz a decidir pela concentração da produção em outras unidades.

Tentativa de encontrar comprador não evitou fechamento

Antes do encerramento, autoridades francesas pressionaram a companhia para procurar um possível comprador.

A legislação do país determinava que a Mondelēz buscasse interessados capazes de assumir a instalação e preservar a atividade industrial.

O governo também acompanhou negociações relacionadas aos trabalhadores.

No entanto, as tentativas não impediram o fim da produção.

Em novembro de 2025, as linhas foram desligadas definitivamente.

Funcionários saíram em diferentes etapas

O processo de redução não aconteceu de uma única vez.

O plano previa saídas sucessivas conforme a produção diminuía.

Documentos governamentais indicavam 12 desligamentos em abril de 2025, 11 em junho, 30 em novembro e outros oito previstos para maio de 2026.

Dessa forma, a Mondelēz desmontou gradualmente a estrutura antes e depois do último dia de fabricação.

O encerramento industrial propriamente dito ocorreu em novembro de 2025.

Oreo, Lacta e Bis não vão acabar

Apesar do peso das marcas no título, existe uma diferença importante.

Oreo, Lacta e Bis continuam sendo produzidos e comercializados normalmente.

A fábrica francesa que fechou não era responsável pela fabricação dessas marcas.

A Mondelēz possui uma rede global com mais de 130 unidades industriais e mantém uma grande estrutura de produção em diferentes continentes.

O fechamento aconteceu em uma unidade específica da divisão de biscoitos.

Portanto, não significa que a companhia esteja encerrando sua produção mundial de biscoitos.

Dona do Oreo, Lacta e Bis é uma das gigantes mundiais dos snacks

A Mondelēz está entre as maiores fabricantes de snacks do planeta.

Em 2025, a companhia registrou aproximadamente US$ 38,5 bilhões em receitas líquidas.

Seu portfólio global inclui marcas como Oreo, Ritz, LU, Milka, Cadbury, Toblerone e Lacta.

A cadeia global da empresa inclui mais de 130 fábricas, aproximadamente 320 armazéns e mais de 60 mil trabalhadores ligados diretamente à área de suprimentos.

Assim, a companhia continua com uma enorme estrutura industrial apesar do encerramento da fábrica histórica.

E qual é a situação no Brasil?

No Brasil, o cenário é diferente.

A Mondelēz informa possuir mais de 8 mil trabalhadores no país e duas grandes fábricas. Juntas, as unidades industriais brasileiras empregam mais de 5 mil pessoas.

Uma delas fica em Curitiba, no Paraná, e está entre as maiores fábricas da companhia.

A segunda fica em Vitória de Santo Antão, Pernambuco.

Essa instalação produz justamente algumas das marcas mais conhecidas pelos brasileiros.

Oreo e Bis são produzidos no Brasil

Segundo a própria Mondelēz, a fábrica de Vitória de Santo Antão produz Bis, Sonho de Valsa, Oreo e Club Social.

A unidade também possui grande importância dentro da estrutura mundial da companhia.

A empresa classifica a instalação como sua terceira maior operação global e a maior operação de wafers da cadeia de suprimentos da Mondelēz.

Portanto, não existe relação entre o fechamento francês e um encerramento da fabricação de Oreo ou Bis no Brasil.

Essas marcas seguem normalmente nas linhas brasileiras.

Lacta também permanece estratégica

A Lacta continua sendo uma das marcas mais importantes da companhia no mercado brasileiro.

A Mondelēz classifica a Lacta como a principal marca de chocolates do Brasil e destaca sua presença centenária no país.

Dentro da família aparecem produtos conhecidos como Bis, Sonho de Valsa, Laka e Diamante Negro.

Assim, o grupo continua investindo e produzindo suas principais marcas no mercado nacional.

Encerramento fecha capítulo iniciado em 1931

O fechamento da antiga fábrica Belin-LU colocou fim a uma história iniciada em 1931.

Depois de aproximadamente 90 anos de atividade, a Mondelēz desligou definitivamente as linhas de produção e encerrou a fabricação de biscoitos naquele endereço.

A medida atingiu cerca de 60 trabalhadores permanentes, além de temporários e funcionários de empresas terceirizadas.

Ao mesmo tempo, parte da produção passou para outras fábricas do grupo.

Dessa forma, a dona de Oreo, Lacta e Bis encerrou uma de suas unidades mais antigas, mas segue mantendo uma enorme estrutura mundial de produção e continua fabricando normalmente suas principais marcas, inclusive no Brasil.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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