Um galpão logístico de 36 mil metros quadrados às margens da BR-101, em Pitanga, virou peça central da crise da Apex Partners. O galpão da Apex na Serra, batizado de Apex Log Pitanga, serve de garantia em um empréstimo de R$ 57,3 milhões que o grupo fez junto ao Banco Daycoval. Agora, o Ministério Público do Espírito Santo pede que o banco não execute, não venda e não transfira o imóvel enquanto a Justiça decide quem tem direito sobre ele.
A informação foi publicada na coluna Abdo Filho de A Gazeta. O promotor Bruno Araújo Guimarães, da 16ª Promotoria de Justiça Cível de Vitória, assinou a manifestação no último sábado (3). O documento integra o processo em que a Apex pede recuperação judicial, com dívidas que chegam perto de R$ 1 bilhão.
O que é o galpão da Apex na Serra
Inaugurado em fevereiro de 2024, o Apex Log Pitanga fica no km 263 da BR-101. O condomínio logístico ocupa um terreno de 107 mil metros quadrados e recebeu investimento anunciado de R$ 118 milhões.
Apesar do nome, o dinheiro não saiu do caixa da Apex. Investidores bancaram a obra por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCP), enquanto a plataforma atuou como sócia ostensiva, responsável pela captação e pela gestão. Segundo ação movida pelos investidores, a Apex entrou com apenas R$ 100 por contrato.
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Garantia ao banco e aluguéis retidos
O nó está na garantia. Na Justiça, os investidores afirmam que a Apex ofereceu o galpão, sem autorização deles, em garantia de R$ 61 milhões em operações com o Daycoval. Eles dizem ainda que o imóvel ficou vinculado a um limite de crédito de R$ 134 milhões no Sicoob, em favor de outra empresa do grupo.
Desde agosto, os aluguéis deixaram de chegar a quem financiou a obra. De acordo com os investidores, o dinheiro passou a seguir para o banco. Por isso, o maior receio é que o Daycoval execute a garantia fiduciária e fique com o imóvel.
Em 10 de setembro, 25 investidores, que somam R$ 68 milhões em compromissos de investimento, pediram que as duas empresas ligadas ao empreendimento fiquem fora da recuperação judicial. Caso isso não aconteça, querem a proteção do imóvel e das receitas, além de prestação de contas.
O que o MP propõe para o galpão em Pitanga
Para o promotor, tirar as empresas do processo não pode deixar o galpão desprotegido. Ele defende que a proteção continue até que a Justiça, em cooperação com a 6ª Vara Cível de Vitória, decida sobre a validade da garantia.
Guimarães também ressalta que a medida não cancela nem reduz a garantia do banco. O argumento dele é econômico: um galpão alugado e conservado vale mais do que um galpão vazio, inclusive para o próprio credor.
A saída defendida pelo MP passa por um acordo. Entre as alternativas citadas estão o refinanciamento da dívida pelos participantes, a limitação da garantia à dívida do empreendimento, a destinação ordenada dos aluguéis ou a venda do imóvel a preço de mercado. Nenhuma delas, no entanto, funciona se o galpão for a leilão antes de as partes negociarem.
Caso Apex muda de juiz
Enquanto isso, o processo principal mudou de mãos. Na segunda-feira (5), o juiz Marcos Pereira Sanches se declarou suspeito, alegando amizade íntima com uma parte que pede a exclusão de empresas da recuperação. Em seguida, o substituto provisório, Rogério Almeida, também se declarou suspeito, e o caso passou à juíza Sayonara Bittencourt, da 4ª Vara da Fazenda Pública Estadual.
A Justiça ainda não aceitou o pedido de recuperação judicial, já que a administradora judicial apontou pendências de documentação nas empresas do grupo. Já a Apex sustenta que incluiu os veículos de investimento no processo justamente para proteger os investidores.
Um galpão logístico de 36 mil metros quadrados às margens da BR-101, em Pitanga, virou peça central da crise da Apex Partners. O galpão da Apex na Serra, batizado de Apex Log Pitanga, serve de garantia em um empréstimo de R$ 57,3 milhões que o grupo fez junto ao Banco Daycoval. Agora, o Ministério Público do Espírito Santo pede que o banco não execute, não venda e não transfira o imóvel enquanto a Justiça decide quem tem direito sobre ele.
A informação foi publicada na coluna Abdo Filho de A Gazeta. O promotor Bruno Araújo Guimarães, da 16ª Promotoria de Justiça Cível de Vitória, assinou a manifestação no último sábado (3). O documento integra o processo em que a Apex pede recuperação judicial, com dívidas que chegam perto de R$ 1 bilhão.
O que é o galpão da Apex na Serra
Inaugurado em fevereiro de 2024, o Apex Log Pitanga fica no km 263 da BR-101. O condomínio logístico ocupa um terreno de 107 mil metros quadrados e recebeu investimento anunciado de R$ 118 milhões.
Apesar do nome, o dinheiro não saiu do caixa da Apex. Investidores bancaram a obra por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCP), enquanto a plataforma atuou como sócia ostensiva, responsável pela captação e pela gestão. Segundo ação movida pelos investidores, a Apex entrou com apenas R$ 100 por contrato.
Garantia ao banco e aluguéis retidos
O nó está na garantia. Na Justiça, os investidores afirmam que a Apex ofereceu o galpão, sem autorização deles, em garantia de R$ 61 milhões em operações com o Daycoval. Eles dizem ainda que o imóvel ficou vinculado a um limite de crédito de R$ 134 milhões no Sicoob, em favor de outra empresa do grupo.
Desde agosto, os aluguéis deixaram de chegar a quem financiou a obra. De acordo com os investidores, o dinheiro passou a seguir para o banco. Por isso, o maior receio é que o Daycoval execute a garantia fiduciária e fique com o imóvel.
Em 10 de setembro, 25 investidores, que somam R$ 68 milhões em compromissos de investimento, pediram que as duas empresas ligadas ao empreendimento fiquem fora da recuperação judicial. Caso isso não aconteça, querem a proteção do imóvel e das receitas, além de prestação de contas.
O que o MP propõe para o galpão em Pitanga
Para o promotor, tirar as empresas do processo não pode deixar o galpão desprotegido. Ele defende que a proteção continue até que a Justiça, em cooperação com a 6ª Vara Cível de Vitória, decida sobre a validade da garantia.
Guimarães também ressalta que a medida não cancela nem reduz a garantia do banco. O argumento dele é econômico: um galpão alugado e conservado vale mais do que um galpão vazio, inclusive para o próprio credor.
A saída defendida pelo MP passa por um acordo. Entre as alternativas citadas estão o refinanciamento da dívida pelos participantes, a limitação da garantia à dívida do empreendimento, a destinação ordenada dos aluguéis ou a venda do imóvel a preço de mercado. Nenhuma delas, no entanto, funciona se o galpão for a leilão antes de as partes negociarem.
Caso Apex muda de juiz
Enquanto isso, o processo principal mudou de mãos. Na segunda-feira (5), o juiz Marcos Pereira Sanches se declarou suspeito, alegando amizade íntima com uma parte que pede a exclusão de empresas da recuperação. Em seguida, o substituto provisório, Rogério Almeida, também se declarou suspeito, e o caso passou à juíza Sayonara Bittencourt, da 4ª Vara da Fazenda Pública Estadual.
A Justiça ainda não aceitou o pedido de recuperação judicial, já que a administradora judicial apontou pendências de documentação nas empresas do grupo. Já a Apex sustenta que incluiu os veículos de investimento no processo justamente para proteger os investidores.
Entenda o escândalo da Apex
A crise veio a público no início de agosto, quando a Apex Partners anunciou o afastamento do presidente e fundador, Fernando Cinelli, e do diretor financeiro, Eduardo Siqueira, por envolvimento em supostas “inconsistências financeiras”. No dia seguinte, a Justiça concedeu uma proteção cautelar que suspendeu execuções contra o patrimônio de 178 empresas do conglomerado.
Os números assustaram o mercado capixaba. Segundo a petição do grupo, a dívida líquida consolidada saltou de R$ 413 milhões, em janeiro de 2025, para R$ 975 milhões, em junho de 2026.
Com o prazo dado pela Justiça, a Apex, considerada a maior plataforma de investimentos do Espírito Santo, protocolou o pedido de recuperação judicial em 14 de setembro. O caso envolve quase 8 mil investidores. Desde então, o processo virou uma disputa em várias frentes. O próprio Cinelli contestou o pedido, alegando que a assembleia que o autorizou tratou apenas da ratificação da medida cautelar. Ao mesmo tempo, investidores de empreendimentos imobiliários, como o galpão de Pitanga, tentam tirar seus projetos do processo.