A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que devolveu o mandato ao vereador Cleber Serrinha (MDB), nesta terça-feira (27), chegou no momento mais sensível da política da Serra. Faltam menos de quatro semanas para a eleição da Câmara da Serra, marcada para 23 de novembro, e o retorno de Serrinha abre uma porta que pode mudar a disputa pela Mesa Diretora.
Serrinha não é um caso isolado. Em 23 de setembro de 2025, o juiz Gustavo Grillo o afastou junto com outros três vereadores, no mesmo processo: Saulinho da Academia (PDT), então presidente da Casa, Teilton Valim (PDT) e Wellington Alemão (Rede). Os quatro respondem à mesma denúncia do Ministério Público, que trata de supostas negociações para aprovar uma emenda a um projeto de regularização de imóveis em 2024.
Argumento do STJ pode valer para os outros vereadores afastados
A ministra Maria Marluce Caldas entendeu que o afastamento perdeu a proporcionalidade. Segundo ela, a medida já passava de 13 meses, a fase de produção de provas terminou em julho e não há registro de que o vereador tenha descumprido ordens judiciais.
Formalmente, a decisão vale apenas para Serrinha. Nos bastidores, porém, as primeiras leituras de fontes ouvidas pela coluna apontam que a argumentação da magistrada serve, quase ponto por ponto, para os outros três. Afinal, o processo é o mesmo, a instrução terminou para todos e o tempo de afastamento é idêntico. Por isso, novas decisões podem sair a qualquer momento.
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Há, no entanto, uma ressalva: a decisão é individual da relatora, e o Ministério Público ainda pode recorrer à turma do STJ.
Saulinho pode voltar como presidente da Câmara da Serra
Se Saulinho retornar, volta ao cargo que ocupava antes do afastamento: a presidência da Câmara. Desde então, quem conduz a Casa de forma provisória é o vice-presidente, Dr. William Miranda (União), que herdou o espólio político de Saulinho.
Na prática, Saulinho poderia presidir a própria sessão que vai escolher a nova Mesa Diretora. E, mesmo que isso não aconteça a tempo, o cenário já gera insegurança jurídica. Suplentes que hoje ocupam as cadeiras podem votar na eleição da Câmara e, poucos dias depois, perder a titularidade. Um voto dado por quem não estará mais na Casa vira munição para questionamentos.
A volta de Serrinha, aliás, já mexe na conta. Seu suplente, Marcelo Leal (MDB), esteve no almoço promovido por Rodrigo Caldeira no último dia 16, um dos encontros que deram a largada na corrida pela Mesa. Com o retorno do titular, Leal deixa a Câmara.
Por que a eleição da Câmara da Serra pesa tanto para Weverson
O contexto maior explica a temperatura. A partir de janeiro, Lorenzo Pazolini (Republicanos) assume o Governo do Estado. Na Serra, seu principal aliado é o deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos), reeleito neste mês como o mais votado da cidade e líder da oposição mais dura ao prefeito Weverson Meireles (PDT).
Com um governo estadual alinhado à oposição, ter uma Câmara parceira deixa de ser conveniência e passa a ser condição de governabilidade. Além disso, a Mesa eleita agora comanda o Legislativo no biênio 2027-2028, período que inclui a eleição municipal.
Xambinho, Caldeira e Fabricinho no centro da articulação
Outro personagem com interesse direto é o deputado estadual Alexandre Xambinho (Podemos). Como a coluna mostrou, ele reuniu em um churrasco os oito vereadores que apoiaram sua campanha e propôs a Weverson que apoiasse um deles para a presidência da Casa. Nos bastidores, a preferência recai sobre Rodrigo Caldeira (Republicanos), justamente um nome que atua em campo oposto ao de Saulinho e William.
Ao lado de Caldeira está o ex-controlador-geral da Câmara Fabrício Alves de Oliveira, o Fabricinho, que coorganizou o churrasco e, nos últimos dez anos, exerceu influência decisiva sobre os rumos da Casa.
Naquela ocasião, Weverson pediu ao grupo que deixasse o assunto para depois do segundo turno. O segundo turno passou no domingo (25). Dois dias depois, o STJ mexeu nas peças do tabuleiro. Se os outros três vereadores voltarem antes de 23 de novembro, a eleição da Câmara da Serra pode acabar conduzida pelo grupo que, até aqui, corria atrás.