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Gigante americana manda fechar fábrica no Brasil e demitir todos os funcionários após 50 anos

Gigante americana fecha fábrica no Brasil e demite funcionários.
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Gigante americana no Brasil
Gigante americana fecha fábrica no Brasil e demite funcionários. Crédito: Divulgação
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Uma gigante americana que contava com aproximadamente 950 funcionários no Brasil decidiu fechar uma de suas fábricas e demitir trabalhadores. A medida encerrou uma operação industrial com décadas de história e provocou uma mobilização dos empregados, que tentaram impedir o fechamento da unidade.

A decisão atingiu uma fábrica responsável pela produção de componentes utilizados em máquinas agrícolas e equipamentos industriais. A unidade empregava cerca de 100 profissionais e fazia parte da estrutura de uma multinacional com presença em dezenas de países.

Além do encerramento das atividades, a companhia anunciou uma reorganização operacional que incluía desligamentos e a possibilidade de transferência de funcionários. Entretanto, a decisão encontrou resistência dos trabalhadores, que iniciaram uma greve para reivindicar a preservação dos empregos.

O movimento durou 38 dias e levou o caso à Justiça do Trabalho. Após várias negociações, a empresa aceitou um acordo que garantiu indenizações de R$ 35 mil aos empregados dispensados, além da manutenção de benefícios por um ano.

Gigante americana fecha fábrica no Brasil e e demite funcionários

A empresa responsável pelo fechamento é a Parker Hannifin, multinacional americana especializada em tecnologias de movimento e controle industrial. A companhia anunciou, em 17 de julho de 2026, que encerraria as atividades de sua fábrica em Jacareí, no interior de São Paulo.

A unidade, que existia há aproximadamente 50 anos, produzia válvulas destinadas principalmente aos setores agrícola e de máquinas. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, aproximadamente 100 trabalhadores estavam vinculados à fábrica quando a decisão foi comunicada.

Na justificativa apresentada à entidade sindical, a Parker Hannifin informou que buscava uma otimização operacional. Dessa maneira, a empresa decidiu encerrar as atividades da planta, prevendo demissões ou transferências para outras unidades.

O anúncio também representou o fim de uma longa trajetória industrial. A fábrica teve origem nas operações da Schrader Bellows, que já atuava na região na década de 1970. Posteriormente, a estrutura passou a integrar a Parker Hannifin, em 1985, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Apesar das tentativas de negociação, a companhia manteve a decisão de fechar a unidade. Em 11 de agosto, durante a paralisação dos funcionários, a empresa comunicou as demissões dos trabalhadores.

O sindicato contestou a medida e afirmou que os desligamentos durante a greve contrariavam a legislação trabalhista.

Trabalhadores fizeram greve após anúncio do fechamento da fábrica

A reação dos empregados começou poucos dias depois do anúncio. Em 20 de julho, os metalúrgicos iniciaram uma greve por tempo indeterminado para tentar preservar os postos de trabalho.

Inicialmente, os representantes sindicais solicitaram que a empresa reconsiderasse o fechamento. Como alternativa, também defenderam a transferência dos profissionais para outras instalações da multinacional.

Sem um entendimento imediato, os trabalhadores ampliaram as manifestações. No dia 3 de agosto, montaram um acampamento em frente à unidade da Parker em São José dos Campos, onde permaneceram durante as negociações.

O sindicato também passou a reivindicar compensações financeiras para os funcionários que perderiam seus empregos.

A primeira proposta apresentada pela companhia previa uma indenização social de R$ 2 mil. Entretanto, os trabalhadores rejeitaram o valor e mantiveram a mobilização.

Posteriormente, a negociação avançou para uma proposta de R$ 20 mil, que também não encerrou o impasse.

Gigante americana aceita pagar indenização de R$ 35 mil após fechamento

O conflito chegou ao fim depois de uma audiência de mediação realizada em 26 de agosto, no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), em Campinas.

A negociação reuniu representantes da Parker Hannifin, do sindicato e do Ministério Público do Trabalho. No dia seguinte, os trabalhadores aprovaram a proposta em assembleia, encerrando a greve de 38 dias.

O acordo estabeleceu uma indenização social de R$ 35 mil para cada empregado dispensado, além das verbas rescisórias previstas na legislação.

A companhia também assumiu o compromisso de manter o plano de saúde, a assistência odontológica e o vale-alimentação por 12 meses.

Além disso, o entendimento estabeleceu condições específicas para empregados com estabilidade relacionada à aposentadoria e para trabalhadores que aceitaram transferências para outras unidades.

O pagamento das indenizações ficou previsto para 10 de setembro de 2026.

Gigante americana tinha 950 funcionários e cinco fábricas no Brasil

A Parker Hannifin possui uma trajetória de mais de cinco décadas no mercado brasileiro. Fundada em 1917, nos Estados Unidos, a multinacional atua no desenvolvimento de tecnologias utilizadas em máquinas, veículos, aeronaves e diferentes processos industriais.

Uma apresentação corporativa divulgada em 2026 apontava que a empresa possuía aproximadamente 950 funcionários e cinco unidades fabris no Brasil, além de faturamento anual superior a R$ 1 bilhão.

Esses números, entretanto, são anteriores ao fechamento da unidade de Jacareí. Portanto, não representam necessariamente o quadro atual de trabalhadores da companhia.

Apesar da decisão, a Parker Hannifin não encerrou suas operações no mercado brasileiro. A multinacional mantém outras instalações, incluindo seu complexo industrial em São José dos Campos.

Assim, o fechamento de Jacareí representa uma redução da estrutura produtiva da companhia no país, mas não sua saída definitiva do Brasil.

O encerramento também marca o fim de uma operação industrial com aproximadamente cinco décadas de história e provoca mudanças na vida dos profissionais que trabalhavam na fábrica.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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