Um jatinho particular equipado com poltronas que se transformam em camas, cabine espaçosa e autonomia para viagens internacionais foi utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família durante a fuga em direção aos Estados Unidos. A aeronave pode transportar até 12 passageiros e alcançar velocidades superiores a 1.000 km/h.
A viagem aconteceu em meio a uma crise política e judicial envolvendo o parlamentar. Após deixar o território brasileiro pela fronteira terrestre, Flávio embarcou em um avião de luxo acompanhado da esposa e das duas filhas. O destino final previsto era Miami, na Flórida.
Além do conforto, o trajeto da aeronave chamou atenção. O jatinho partiu da Argentina, realizou uma escala no Equador e seguiu em direção ao território americano. Durante o percurso monitorado, o avião evitou cruzar o espaço aéreo brasileiro.
A saída ocorreu poucos dias depois da derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de domingo (25). O senador também enfrentava uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes à Polícia Federal.
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Como é o jatinho de luxo usado por Flávio Bolsonaro na fuga para os EUA?
O avião utilizado pela família é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly. O modelo pertence à categoria de aeronaves executivas de longo alcance e oferece uma estrutura voltada ao conforto durante viagens de várias horas, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Por dentro, o Gulfstream G400 pode contar com poltronas largas, revestimentos sofisticados e espaços destinados ao descanso. Dependendo da configuração, os assentos podem ser convertidos em camas, permitindo que os passageiros durmam durante o voo.
A cabine também oferece espaço para circular e permanecer em pé, diferentemente de modelos menores de aviões particulares. Além disso, as configurações executivas podem incluir mesas de apoio e áreas reservadas para reuniões ou refeições.
O avião identificado na viagem foi fabricado em 2004. Segundo a plataforma de fretamento JETVIP, a aeronave passou por atualizações internas e externas em 2020.
Outro diferencial é sua capacidade de percorrer grandes distâncias sem precisar pousar constantemente. O modelo tem autonomia aproximada de 7.700 quilômetros e pode atingir velocidades próximas de 1.100 km/h.
Entre as principais características da aeronave estão:
- Modelo: Gulfstream G400;
- Matrícula: LV-JQW;
- Operadora: Baires Fly, da Argentina;
- Capacidade: aproximadamente 12 passageiros, conforme a configuração;
- Velocidade de cruzeiro: cerca de 1.000 km/h;
- Velocidade máxima: próxima de 1.100 km/h;
- Autonomia: aproximadamente 7.700 quilômetros;
- Comprimento: cerca de 27 metros;
- Altura interna da cabine: aproximadamente 1,88 metro.
Como Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil?

A fuga aconteceu entre terça-feira (27) e quarta-feira (28) de outubro de 2026. Segundo informações divulgadas pela Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio Bolsonaro atravessou a fronteira acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das filhas Carolina e Luiza.
A família entrou em território argentino às 22h50 de terça-feira, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na região de Puerto Iguazú, na província de Misiones.
As autoridades argentinas informaram que os quatro apresentaram documentos de viagem considerados válidos naquele momento. Além disso, não havia impedimentos registrados pelas autoridades locais para o ingresso no país.
Pouco depois, por volta das 23h30, a família realizou o embarque informado em um voo particular da Baires Fly, com destino inicial a Guayaquil, no Equador. A aeronave decolou já na madrugada de quarta-feira.
Após a escala, o jatinho seguiu rumo a Miami, segundo informações de monitoramento aéreo divulgadas pela imprensa brasileira.
O trajeto chamou atenção porque a aeronave não precisou atravessar o espaço aéreo brasileiro, adotando uma rota internacional a partir da Argentina.
Por que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil?

A saída do senador ocorreu em um momento de pressão judicial, dois dias depois da derrota nas eleições presidenciais de 25 de outubro.
Conforme informado pela imprensa, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, havia determinado a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro no contexto de uma investigação envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro.
Entretanto, o parlamentar não apresentou os documentos dentro do prazo estabelecido. Posteriormente, a Polícia Federal cancelou os passaportes brasileiros, segundo informações divulgadas pela agência Reuters.
As autoridades investigam Flávio por suspeitas envolvendo operações financeiras e possíveis ligações com pessoas investigadas por lavagem de dinheiro. O senador nega irregularidades.
A viagem também surpreendeu integrantes do Partido Liberal (PL). O senador Rogério Marinho, um dos principais aliados de Flávio, afirmou que não havia sido informado previamente sobre a saída do país.
Na segunda-feira (26), o próprio Flávio havia divulgado uma mensagem afirmando que permaneceria no Brasil para liderar a oposição ao governo Lula. No dia seguinte, entretanto, surgiram as primeiras informações sobre sua viagem internacional.
De acordo com o jornal americano The Washington Post, aliados relataram que o senador temia uma possível prisão. Integrantes de seu grupo político, por sua vez, questionaram as medidas judiciais e levantaram acusações de perseguição política.
Estados Unidos confirmaram vistos para Flávio Bolsonaro e família
A viagem também ganhou repercussão internacional depois que autoridades americanas confirmaram a concessão de vistos para Flávio Bolsonaro e familiares.
A informação foi divulgada pela imprensa brasileira e pelo The Washington Post, que ouviu integrantes do governo dos Estados Unidos.
Apesar disso, a concessão de vistos não significa, por si só, que o senador tenha recebido asilo político. Até as informações divulgadas na manhã de quarta-feira (28), não havia confirmação pública de concessão desse status.
O destino previsto do jatinho era Miami, na Flórida. A viagem ocorre enquanto as autoridades brasileiras acompanham os desdobramentos das investigações envolvendo o parlamentar.