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Donos de terrenos sem uso na Serra pagarão mais imposto e poderão perder a área

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Todo imóvel urbano que não esteja sendo utilizado ou edificado poderá ser notificado pela Prefeitura. Crédito: divulgação.
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A Prefeitura da Serra encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que promete mudar a forma como o município lida com terrenos vazios, imóveis abandonados e a especulação imobiliária. O texto, que integra o novo Plano Diretor Municipal Sustentável (PDMS), cria um conjunto de instrumentos legais para garantir que a propriedade urbana cumpra sua função social, conforme previsto na Constituição Federal e no Estatuto da Cidade.

De acordo com o projeto, todo imóvel urbano que não esteja sendo utilizado ou edificado poderá ser notificado pela Prefeitura para regularizar sua situação. O proprietário terá 12 meses para dar uma destinação adequada ao imóvel e, no caso de terrenos vazios, até 24 meses para iniciar obras.

Se o bem permanecer sem uso, o município aplicará sanções graduais podendo chegar à desapropriação. Ficam isentos da obrigação apenas imóveis com função ambiental comprovada, bens de valor histórico e cultural, áreas de clubes e entidades filantrópicas sem fins lucrativos e propriedades de cooperativas habitacionais.

IPTU progressivo: imposto pode chegar a 15% do valor do imóvel

Um dos pontos mais rígidos da proposta é a aplicação do IPTU progressivo no tempo, previsto nos artigos 8º e 9º do projeto. Se o proprietário ignorar a notificação de utilização compulsória, o imposto sobre o imóvel aumentará gradativamente por cinco anos consecutivos, até atingir 15% do valor venal da propriedade (preço estimado que um imóvel teria em uma venda à vista, usado pela prefeitura). Atualmente essa alíquota varia de 0,20% a 2,00%, dependendo das características do local e tamanho da área do terreno.

As alíquotas no caso desses terrenos abandonados ou imóveis em desuso serão escalonadas da seguinte forma:

  • 1º ano: 3%
  • 2º ano: 6%
  • 3º ano: 9%
  • 4º ano: 12%
  • 5º ano: 15%

Para exemplificar, um proprietário de terreno não edificado e sem uso na Serra, com valor venal de R$ 2 milhões, pagaria, no quinto ano de aplicação do IPTU progressivo, o equivalente a R$ 300 mil de imposto. Após esse período, se o terreno permanecer ocioso, a Prefeitura poderá desapropriá-lo mediante pagamento em títulos da dívida pública, conforme o artigo 10 do projeto.

O texto veda qualquer isenção ou anistia fiscal para imóveis sujeitos ao IPTU progressivo, reforçando o caráter punitivo da medida contra o abandono urbano.

Imóveis abandonados poderão ser incorporados ao patrimônio público

Outra questão relevante é o mecanismo de arrecadação de bens vagos, que trata diretamente da perda de propriedade por abandono. O projeto define como imóvel abandonado aquele que:

  • estiver desocupado e sem uso;
  • não tiver posse reconhecida por ninguém;
  • não for objeto de pagamento de IPTU há 36 meses.

A partir da constatação, o município abrirá um processo administrativo que poderá resultar na incorporação do imóvel ao patrimônio público, sem indenização. Se o proprietário não se manifestar e não quitar débitos em até três anos, o bem passa definitivamente ao domínio do Município. Esses imóveis poderão ser destinados a programas de habitação popular, projetos sociais, educacionais ou leiloados, com o valor revertido ao Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano

Medida mira especuladores e reforça função social da cidade, diz prefeito Weverson

Segundo defesa feita pelo prefeito Weveson Meireles no escopo do documento, o projeto cria instrumentos para enfrentar a especulação imobiliária, desestimulando o acúmulo de terrenos ociosos em áreas urbanizadas, muitas vezes mantidos apenas para valorização futura. O texto explicita que o objetivo é “garantir o uso social da propriedade e ampliar o acesso à moradia digna”, além de combater a degradação urbana causada por imóveis abandonados.

A proposta foi lida no Expediente da Câmara da Serra durante a sessão ordinária desta quarta-feira (5) e está apta a ser votada nas próximas sessões. Se for aprovada pelos vereadores e posteriormente sancionada pelo prefeito, as novas normas passarão a funcionar como instrumento de apoio técnico à aplicação do Plano Diretor Municipal Sustentável (PDMS) — o principal mecanismo de Política Urbana Municipal, responsável por disciplinar o uso e a ocupação do solo em todo o território da cidade.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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