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Vice-governadora eleita do ES convoca jejum pelo El Niño e pela ‘situação política do Brasil’

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Bispa Eliane, vice-governadora eleita, sorri e faz sinal de V com bandeira do Brasil nos ombros e camisa de Pazolini
Vice-governadora eleita, Bispa Eliane convocou seguidores para um jejum de 24 horas pela nação
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A vice-governadora eleita Bispa Eliane (PL) convocou seus seguidores para um jejum de 24 horas pela nação, a partir das 20h deste sábado (31). Em vídeo nas redes sociais, ela pediu oração por dois motivos: os efeitos do El Niño e o “quadro político que nós estamos vivendo neste momento”.

Eliana Leal Vieira foi eleita no último domingo (25) na chapa de Lorenzo Pazolini (Republicanos), que assume o Governo do Espírito Santo em janeiro. Policial militar da reserva e pregadora evangélica, ela chegou à chapa em agosto por indicação direta do senador Magno Malta (PL). Presidente do partido no estado, Magno apoiou Pazolini na disputa pelo governo. Antes disso, o nome da bispa estava na lista do PL para deputado estadual.

Logo no início do vídeo, a bispa lembrou que jejuns e devocionais já fazem parte da rotina com quem a acompanha há mais tempo. Desta vez, segundo ela, o chamado veio de Deus. “Hoje o Senhor colocou no meu coração que nós precisamos estar orando, jejuando e pagando um preço pela nossa nação”, afirmou.

Como vai funcionar o jejum da Bispa Eliane

O jejum começa às 20h de sábado e termina às 20h de domingo (1º). Cada participante pode escolher a forma de jejuar. Já a vice eleita anunciou que fará jejum de sólidos, sem comer nada ao longo das 24 horas, dedicadas à oração e à consagração “pela nação brasileira”.

Para justificar a convocação, Bispa Eliane recorreu ao livro de Joel. Ela leu o versículo 12 do capítulo 2, que chama o povo à conversão “com jejuns, com choro e com pranto”, e também o versículo 15, que manda “santificar um jejum”. Na leitura dela, a nação descrita pelo profeta vivia um período “não muito diferente” do atual. Além de Joel, a bispa citou Moisés e Ester como exemplos de quem convocou jejuns na Bíblia.

“Guerra espiritual”, El Niño e cenário político

Durante a gravação, a vice eleita defendeu que o momento exige posicionamento “no mundo espiritual”. “Essa guerra não é uma guerra física, é uma guerra espiritual”, disse. Para ela, as armas dessa batalha são declarações proféticas, oração, jejum e clamor.

O primeiro motivo de oração é o El Niño. A bispa pediu que os fiéis supliquem misericórdia diante dos efeitos do fenômeno sobre o país. Previsões do Inpe e da agência americana NOAA apontam um El Niño muito forte, com pico entre outubro e dezembro. No Brasil, ele costuma trazer excesso de chuva ao Sul e seca ao Norte e ao Nordeste.

O segundo motivo é político, mas Bispa Eliane não detalhou a que se referia. O vídeo saiu dias depois do segundo turno em que o presidente Lula (PT) se reelegeu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL). No Espírito Santo, Pazolini contou com o apoio de Flávio durante a campanha.

O pedido do Pai Nosso

No fim da mensagem, a bispa contou que, em oração, sentiu Deus chamar sua atenção para o trecho final do Pai Nosso. De acordo com ela, a frase deve guiar os fiéis nestes dias: “Senhor, livra-nos de todo o mal”.

“É tempo de prantearmos, é tempo de clamarmos diante de Deus e pedirmos misericórdia pela nossa nação”, concluiu.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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