O ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT) publicou um vídeo nas redes sociais em que chama de covardia a atitude de políticos que se escondem depois de perder uma eleição. Sem citar nomes [e nem precisava], ele abre a gravação com uma frase famosa de Jair Bolsonaro. O recado, no entanto, tem endereço claríssimo: o filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro (PL), que deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos dois dias após perder o segundo turno para Lula (PT).
Vidigal gravou o vídeo no consultório, em Carapina, onde voltou a atender como médico do SUS há cerca de 15 dias. Logo na primeira frase, recorre à citação: “Um político que já foi presidente da República dizia o seguinte: que o soldado que tem medo de morrer na guerra é um covarde”. O nome do autor não aparece, mas a origem é conhecida. Afinal, “o soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde” virou bordão de Jair Bolsonaro, repetido por ele em diversas ocasiões.
O recado de Sérgio Vidigal
Na sequência, Vidigal lembra a própria trajetória. “Eu já fui prefeito algumas vezes, já ganhei eleição, já perdi eleição”, diz. Segundo ele, ganhando ou perdendo, o político representa uma parcela da população que confiou nele e passa a ser o líder dessas pessoas.
Por isso, o ex-prefeito afirma estar incomodado com o que tem visto na política brasileira. “Eu fico muito triste quando vejo hoje políticos que, ao perder a eleição, primeiro, não têm como voltar ao trabalho porque não têm profissão; e segundo, se escondem, fogem da realidade”, declara.
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O trecho mais duro vem em seguida. “Se tem realmente um adjetivo que não cabe na minha história, e que não deve caber na história de político nenhum, chama-se covardia”, afirma. Para Vidigal, quem entra na política precisa encarar “tantas vitórias quanto derrotas”, porque o eleitor que confiou no candidato continua esperando ser representado, “com mandato ou sem mandato”.
Ao fim do vídeo, ele devolve a pergunta ao público: “O que é que você pensa daqueles que se acovardam diante de uma adversidade?”.
Flávio Bolsonaro deixou o país após a derrota
O vídeo chega no auge da repercussão da saída de Flávio do Brasil. O senador perdeu o segundo turno no domingo (25), quando Lula conquistou o quarto mandato. Ainda na noite da apuração, Flávio disse que era impossível reconhecer o resultado e, no dia seguinte, anunciou que pediria a cassação da chapa vencedora.
Antes da viagem, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia determinado o recolhimento dos passaportes do senador. Mesmo assim, Flávio deixou o país na madrugada de terça-feira (27). Segundo a CNN Brasil, ele chegou aos Estados Unidos no mesmo dia, com a mulher e as duas filhas. Enquanto isso, a Polícia Federal apura se a saída ocorreu pela fronteira com a Argentina. Um aliado afirma que o senador deve pedir asilo político ao governo de Donald Trump.
Por que a fala de Vidigal pesa na Serra
O posicionamento ganha força pelo tamanho de quem fala. Médico psiquiatra, Vidigal governou a Serra por quatro mandatos (1997 a 2000, 2001 a 2004, 2009 a 2012 e 2021 a 2024) e é o prefeito mais longevo da história da cidade. Além disso, foi vereador, deputado estadual e deputado federal.
A derrota também faz parte do currículo. Em 2012, ele perdeu a tentativa de reeleição para Audifax Barcelos e só voltou à prefeitura oito anos depois, pelas urnas. Em 2024, abriu mão do quinto mandato e elegeu o sucessor, Weverson Meireles (PDT). Neste ano, ficou fora da disputa e retomou a rotina de médico.
Mesmo sem cargo eletivo, Vidigal segue como o político mais influente da Serra, seja pela longevidade, seja pelas entregas que marcaram suas gestões. Quando ele resolve falar, a cidade escuta.