Dois homens de 83 e 85 anos, com os joelhos gastos pela artrose, estrearam no último sábado (17) a primeira cirurgia robótica de joelho do Espírito Santo, segundo o hospital. Os procedimentos aconteceram no Hospital Vitória Apart, na Serra, onde os dois receberam prótese total de joelho com a ajuda de um robô chamado Cori.
De acordo com o hospital, as duas cirurgias correram bem, e a previsão era de alta na segunda-feira (19). Colocar prótese de joelho não é novidade no Estado, que já fazia o procedimento pelo método convencional. A diferença está no jeito de planejar e encaixar a peça.
Como funciona a cirurgia robótica de joelho
A artrose desgasta a articulação de um jeito diferente em cada pessoa. Por isso, o robô usa duas câmeras e sensores presos ao joelho do paciente para acompanhar, em tempo real, a posição e os movimentos da articulação.
Com esses dados, o cirurgião ajusta o encaixe da prótese à anatomia e às deformidades de quem está na mesa. O ortopedista Cid Moura Jr., que conduziu os procedimentos, comparou o sistema a um GPS. Na prática, sai de cena o planejamento quase igual para todos e entra uma cirurgia sob medida.
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Hospitais que já usam o equipamento em outros estados destacam ainda que ele dispensa tomografia ou ressonância antes da operação.
Quem opera é o médico
Apesar do nome, o robô não faz a cirurgia sozinho. Ele funciona como um assistente de precisão e não decide nada no lugar da equipe. Segundo o próprio hospital, a tecnologia também não substitui a avaliação clínica de cada paciente.
Antes da estreia, enfermeiros e demais profissionais fizeram um treinamento na sexta-feira (16) sobre o funcionamento do aparelho e os cuidados de esterilização.
A técnica, aliás, não é inédita no país. Em Passo Fundo (RS), por exemplo, um hospital usa o Cori desde 2022. Para o capixaba, o ganho é não precisar mais sair do Estado para fazer o procedimento.
Plano de saúde cobre cirurgia robótica de joelho?
Essa é a pergunta que mais interessa a quem convive com dor no joelho. Hoje, a cirurgia robótica de joelho não está no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a lista de procedimentos que os planos são obrigados a pagar.
Até agora, a única cirurgia com robô de cobertura obrigatória é a retirada da próstata, que entrou no rol neste ano. No caso do joelho, a Justiça já decidiu que a operadora pode negar a técnica robótica quando oferece a prótese convencional na própria rede.
Em outras palavras, quem quiser o robô pode ter de negociar com o plano, recorrer à Justiça ou pagar do próprio bolso.
O que ainda não se sabe
O hospital não divulgou o preço da cirurgia nem quantos procedimentos pretende fazer por mês. Também não está claro se algum plano já aceita cobrir a técnica na unidade da Serra.
Entre os ortopedistas, o tema ainda divide opiniões. Parte dos especialistas defende a precisão maior no encaixe da prótese, enquanto outra parte avalia que os estudos ainda não mostram vantagem clara sobre a cirurgia convencional.
Para quem sofre com artrose, no fim, o objetivo continua o mesmo: voltar a caminhar com menos dor.