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Famosa rede de lojas demite 2 mil trabalhadores em apenas 2 dias após rombo de R$ 10 bilhões

Os 2 mil trabalhadores foram demitidos em apenas dois dias.
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Os 2 mil trabalhadores foram demitidos em apenas dois dias. Crédito: Divulgação
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Uma das redes varejistas mais conhecidas do Brasil promoveu uma onda de demissões concentrada em apenas dois dias enquanto tenta reduzir drasticamente o tamanho da operação. Aproximadamente 2 mil trabalhadores perderam seus empregos.

Os desligamentos aconteceram junto com o fechamento de centenas de lojas espalhadas pelo país. Além disso, poucos dias depois, o mercado conheceu a dimensão do problema financeiro enfrentado pela companhia: um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões somente no segundo trimestre de 2026.

A empresa por trás dos cortes é a Casas Bahia, uma das gigantes brasileiras do varejo de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos. A companhia atravessa uma profunda reestruturação e já admite avaliar novas alternativas para reorganizar suas dívidas, inclusive uma possível recuperação judicial.

Quase 2 mil funcionários deixam a rede de lojas em dois dias

A velocidade dos desligamentos chama atenção.

Na primeira rodada, aproximadamente 600 funcionários foram dispensados. Já na segunda, a empresa realizou cerca de 1,3 mil novos cortes, segundo informações da própria empresa.

Assim, aproximadamente 1,9 mil trabalhadores foram atingidos em um intervalo de apenas dois dias.

O número representa quase 2 mil postos de trabalho eliminados durante uma das maiores mudanças recentes na estrutura da varejista.

Ao mesmo tempo, a Casas Bahia iniciou o fechamento de 298 lojas, reduzindo fortemente sua presença física pelo Brasil. Os pontos encerrados representam aproximadamente 28,7% da rede que a companhia mantinha antes da nova reorganização.

Rede de lojas registra prejuízo de R$ 10 bilhões

Dois dias depois dos cortes, outro número colocou a situação financeira da companhia no centro das atenções.

Neste domingo, 16 de agosto, a Casas Bahia divulgou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. No mesmo período do ano anterior, a perda havia sido de R$ 555 milhões.

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O resultado também marcou o oitavo trimestre consecutivo de prejuízo da varejista.

Apesar do número bilionário, existe uma diferença importante. Dos R$ 10,1 bilhões contabilizados como prejuízo, cerca de R$ 9,1 bilhões vieram de efeitos não recorrentes e sem impacto imediato no caixa.

Portanto, os R$ 10,1 bilhões não representam simplesmente dinheiro que saiu do caixa da empresa durante três meses.

Sem esses efeitos extraordinários, porém, a Casas Bahia ainda teria registrado prejuízo ajustado de R$ 978 milhões, mostrando que as dificuldades não se resumem a ajustes contábeis.

O que provocou o prejuízo bilionário?

Grande parte da perda surgiu depois que a empresa revisou diferentes ativos registrados em seu balanço.

Entre os principais impactos aparece uma baixa de aproximadamente R$ 5,7 bilhões relacionada a impostos diferidos. Também houve ajustes envolvendo ágio, contratos, reorganização de funcionários e fechamento de lojas.

Além disso, a companhia enfrenta um ambiente considerado difícil para o varejo de bens duráveis.

Juros elevados encarecem o crédito, enquanto o endividamento das famílias limita a capacidade de compra dos consumidores. Ao mesmo tempo, fornecedores passaram a enfrentar maior restrição na concessão de crédito comercial à varejista.

Diante desse cenário, a Casas Bahia decidiu diminuir compras de mercadorias e trabalhar com uma operação menor.

Quase 300 lojas entram no plano de redução

A nova estratégia representa uma mudança significativa para uma empresa que durante décadas apostou justamente na expansão de sua rede física, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Agora, a prioridade passou a ser rentabilidade e geração de caixa.

Por isso, além das aproximadamente 2 mil demissões, a companhia fechou 298 lojas e começou a revisar contratos, despesas, investimentos e estoques.

A ideia é concentrar recursos nas operações consideradas capazes de apresentar maior retorno.

Nos canais digitais, por exemplo, a estratégia também mudou. A empresa pretende priorizar vendas capazes de gerar margem e caixa, mesmo que isso signifique abrir mão de crescimento acelerado em algumas categorias.

Funcionários relatam surpresa com os cortes

A forma como parte das demissões ocorreu também provocou reação sindical.

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (Secor) afirmou que trabalhadores foram surpreendidos pelas mudanças. De acordo com a entidade, houve funcionários que chegaram para trabalhar e encontraram unidades fechadas.

Por causa disso, o sindicato anunciou que pretende entrar com uma ação coletiva relacionada às demissões e cobrar esclarecimentos sobre a condução dos desligamentos.

Os cortes também produziram histórias individuais de trabalhadores que passaram muitos anos dentro da companhia e agora precisam buscar novas oportunidades profissionais.

Recuperação judicial da Casas Bahia passa a ser avaliada 

Enquanto reduz lojas e funcionários, a Casas Bahia também estuda medidas mais profundas para reorganizar sua situação financeira.

A companhia confirmou que avalia alternativas formais para renegociar passivos e obrigações. Entre elas aparecem uma nova recuperação extrajudicial ou até uma recuperação judicial.

Isso não significa que a Casas Bahia já tenha entrado em recuperação judicial.

Até agora, a possibilidade está apenas entre as alternativas analisadas pela administração. Entretanto, sua inclusão no planejamento demonstra o tamanho do desafio enfrentado pela empresa.

A varejista já utilizou um mecanismo semelhante anteriormente. Em 2024, a Casas Bahia entrou em recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas e encerrou aquele processo meses depois.

Patrimônio da Casas Bahia fica negativo

Outro indicador reforçou a preocupação com o balanço.

Depois dos ajustes realizados no segundo trimestre, o patrimônio líquido da Casas Bahia ficou negativo em aproximadamente R$ 8,1 bilhões.

Além disso, a EY, responsável pela auditoria externa, apontou uma incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia e se absteve de apresentar uma conclusão sobre as demonstrações intermediárias analisadas.

Por outro lado, a empresa continua operando, vendendo produtos em suas lojas remanescentes e pelos canais digitais. Portanto, não existe falência decretada nem pedido de recuperação judicial apresentado até o momento.

O que existe é uma reestruturação agressiva. Em poucos dias, a Casas Bahia cortou cerca de 2 mil trabalhadores, fechou 298 lojas e revelou um prejuízo contábil superior a R$ 10 bilhões, enquanto procura alternativas para voltar a equilibrar suas finanças.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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