A Apex Partners contratou a Grant Thornton Brasil, braço nacional de uma das maiores redes de auditoria e consultoria do mundo, para fazer uma perícia contábil e financeira em todo o grupo. O trabalho inclui procedimentos de investigação forense e deve medir o tamanho das distorções, apontar responsáveis e servir de base técnica para esclarecer a crise que levou a companhia a pedir recuperação judicial.
A contratação chega no momento em que a disputa com o fundador e presidente afastado, Fernando Cinelli, esquenta na Justiça do Espírito Santo. Nas últimas duas semanas, ele perdeu provisoriamente o direito de voto na holding que controla o grupo e não conseguiu barrar a assembleia de sócios que vai decidir os rumos da recuperação.
Como vai funcionar a perícia na Apex Partners
Segundo a empresa, os peritos vão analisar os números contábeis e financeiros das sociedades do grupo e também a forma como a companhia tomava decisões. O objetivo é identificar e quantificar eventuais distorções, apurar responsabilidades, medir os impactos no patrimônio e refazer as demonstrações financeiras.
Ao fim do trabalho, a Grant Thornton vai entregar pareceres periciais. De acordo com a Apex, esses documentos vão orientar o esclarecimento dos fatos, a avaliação patrimonial das empresas e a definição das medidas cabíveis.
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A consultoria atua em auditoria, tributos, perícia contábil, investigações financeiras e resolução de disputas. Em todo o mundo, a rede reúne cerca de 80 mil profissionais em mais de 150 mercados e faturou US$ 8,5 bilhões em 2025. No Brasil, são aproximadamente 2 mil profissionais em 17 escritórios.
Antes da chegada dos peritos, a equipe interna passou meses reorganizando a contabilidade e a administração para estruturar as informações. A atual gestão afirma que a contratação reforça o compromisso com a transparência e com a apuração rigorosa dos fatos. Ao mesmo tempo, a companhia trabalha para antecipar o plano de recuperação judicial enquanto aguarda a decisão da Justiça, com a meta de refundar o grupo e repactuar os negócios com investidores e associados.
Cinelli perde voto e não consegue travar assembleia
Fundador da Apex, Cinelli presidiu a holding e as empresas controladas até 5 de agosto, quando o Conselho de Administração o afastou após apurações internas apontarem inconsistências financeiras. Desde então, o embate com a nova gestão foi parar nos tribunais.
No dia 22 de outubro, a juíza Danielle Nunes Marinho, da 11ª Vara Cível de Vitória, suspendeu de forma provisória o direito de voto dele na ABM Partnership, holding que está no topo do grupo. A decisão atendeu em parte a uma ação de dez sócios e da própria holding, que tentam excluir Cinelli da sociedade por falta grave. Entre os pontos citados pela magistrada está a transferência de R$ 5 milhões da conta da holding para a conta pessoal do empresário, entre maio e julho deste ano.
Dias depois, a mesma juíza negou o pedido de Cinelli para votar na reunião de sócios sobre a recuperação judicial e derrubou a suspensão do encontro. Na prática, as quotas dele, que somam 31,80% do capital, deixam de contar no quórum de 75% exigido pelo acordo de sócios. Sem essa decisão, o empresário teria força para barrar sozinho o pedido.
Bloqueio de bens e investigação paralela
Em agosto, a Justiça também bloqueou bens de Cinelli a pedido da Apex. A empresa aponta mais de R$ 23 milhões em movimentações para contas pessoais sem lastro identificado e pediu a ampliação do bloqueio até esse valor. Mais tarde, o Tribunal de Justiça manteve o bloqueio, mas suspendeu a quebra do sigilo bancário do empresário.
Enquanto isso, Cinelli contratou por conta própria a FTI Consulting, consultoria internacional especializada em contabilidade forense, para conduzir uma apuração que ele chama de independente sobre as operações do grupo. Com isso, o caso passa a ter duas investigações em curso, uma de cada lado da disputa.
O que diz Cinelli
A defesa afirma que as decisões sobre o voto são provisórias e não retiram de Cinelli a condição de sócio nem a titularidade das cotas. O empresário nega ter sido o único responsável pelas decisões financeiras da Apex e sustenta que a administração tomava as principais medidas de forma coletiva. Ele também contesta a forma como a nova gestão estruturou o pedido de recuperação judicial, protocolado em 14 de setembro e ainda em análise na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória.
Na Serra, os investidores do Apex Log Pitanga, galpão logístico do grupo no município, acompanham cada passo do caso para saber o que vai acontecer com seus aportes.