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Ciclovia será construída debaixo do mar com acesso à BR-101 e 870 metros de travessia submersa

Ciclovia será construída debaixo do mar com 870 metros de travessia.
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Ciclone debaixo do mar
Ciclovia será construída debaixo do mar com 870 metros de travessia. Crédito: Divulgação
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Uma ciclovia debaixo do mar será construída no Brasil e permitirá que milhares de pessoas atravessem um canal marítimo utilizando bicicletas. A estrutura terá um trecho submerso de aproximadamente 870 metros e fará parte de um empreendimento bilionário que também contará com passagem exclusiva para pedestres.

O projeto prevê uma ligação entre duas cidades separadas por um dos canais portuários mais movimentados do país. Atualmente, quem precisa atravessar a região de bicicleta depende de embarcações. Com a nova infraestrutura, os ciclistas terão uma alternativa permanente para realizar o deslocamento.

A construção também contará com acessos especiais, elevadores e uma galeria protegida para garantir a circulação de pessoas abaixo da água. Além disso, o empreendimento terá conexões rodoviárias que permitirão chegar à BR-101, importante corredor de transporte do litoral brasileiro.

Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, a obra deverá começar em 2027. O cronograma estabelece a conclusão dos trabalhos até 2030 e o início da operação em 2031, quando ciclistas, pedestres e motoristas poderão utilizar a nova travessia.

Onde será construída a ciclovia debaixo do mar?

A ciclovia ficará dentro do futuro túnel Santos-Guarujá, que ligará as duas cidades do litoral de São Paulo por baixo do canal do Porto de Santos.

O empreendimento será o primeiro túnel imerso do Brasil e oferecerá uma alternativa de deslocamento para moradores, trabalhadores e turistas da Baixada Santista.

A nova passagem conectará a região de Outeirinhos e do Macuco, em Santos, ao distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá.

Atualmente, milhares de pessoas utilizam balsas e outras embarcações para atravessar o canal. Entretanto, as filas e o movimento dos navios podem aumentar o tempo de espera.

Segundo dados divulgados pelo Governo de São Paulo, aproximadamente 7,7 mil ciclistas e 7,6 mil pedestres realizam diariamente a travessia entre as duas margens.

Com a construção do túnel, parte desses usuários poderá trocar o transporte aquaviário pela nova passagem submersa.

A estrutura terá aproximadamente 1,5 quilômetro de extensão total, considerando o túnel e seus acessos. Desse percurso, 870 metros ficarão instalados sob o canal portuário.

Portanto, a ciclovia permitirá atravessar uma estrutura fechada de concreto posicionada abaixo da água, sem contato direto com o mar, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Como será a ciclovia construída debaixo do mar?

Uma das principais características do projeto será a separação entre os espaços utilizados por ciclistas, pedestres e veículos motorizados.

Em vez de compartilhar a passagem com carros e caminhões, os usuários de bicicletas contarão com uma área própria dentro da estrutura submersa.

O projeto prevê uma galeria central destinada à circulação de pedestres e ciclistas, isolada das pistas utilizadas pelos veículos.

Dessa forma, as pessoas poderão atravessar o canal sem precisar disputar espaço com o trânsito rodoviário.

Para chegar à ciclovia, os responsáveis construirão edifícios específicos nas duas extremidades do túnel.

Essas estruturas permitirão o acesso à galeria subterrânea por meio de elevadores, escadas fixas e escadas rolantes, conforme os estudos ambientais do empreendimento.

Assim, quem estiver utilizando uma bicicleta poderá entrar na estrutura por uma das margens, atravessar o canal e sair na cidade vizinha.

Outro ponto importante envolve o funcionamento do túnel. O empreendimento contará com sistemas de iluminação, ventilação, monitoramento e equipamentos de segurança.

Essas instalações serão essenciais para permitir a circulação de pessoas em uma passagem fechada que ficará permanentemente sob o canal marítimo.

Ciclovia debaixo do mar terá acesso à BR-101

Ciclovia
Túnel terá ciclovia e espaço para pedestres. Crédito: Divulgação

Além da passagem destinada aos ciclistas, o empreendimento contará com um conjunto de intervenções para melhorar as conexões rodoviárias da região.

Os responsáveis planejam construir rampas, viadutos e novos acessos, além de realizar adaptações em vias existentes.

No Guarujá, uma das principais ligações envolverá a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, que integra o sistema viário utilizado por motoristas e caminhões que circulam pela Baixada Santista.

Por meio dessa rodovia, será possível alcançar outras estradas, incluindo a BR-101, conhecida como Rodovia Rio-Santos.

Portanto, o empreendimento terá acesso indireto à rodovia federal, utilizando as conexões existentes na região.

Entretanto, essa ligação rodoviária não significa que a ciclovia terá uma saída exclusiva diretamente para a BR-101.

Os ciclistas utilizarão acessos próprios nas duas margens, enquanto os veículos motorizados contarão com as conexões previstas no sistema viário.

Mesmo assim, a integração representa uma mudança importante na mobilidade regional, reunindo diferentes formas de transporte em um mesmo empreendimento.

Travessia de bicicleta debaixo do mar será gratuita?

Outra novidade envolve o custo para utilizar a futura ciclovia.

De acordo com informações apresentadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos durante audiência na Câmara dos Deputados, a passagem de pedestres e ciclistas pela galeria central será gratuita.

Isso significa que os usuários de bicicletas não deverão pagar pedágio para utilizar a travessia, conforme o modelo anunciado pelo Governo Federal.

A medida pretende facilitar o deslocamento de quem utiliza a bicicleta como principal meio de transporte para trabalhar, estudar ou realizar atividades diárias.

Atualmente, muitos desses trabalhadores precisam embarcar com suas bicicletas para chegar ao outro lado do canal.

Com a nova ligação, a população terá uma alternativa que não dependerá diretamente dos horários das embarcações.

Além disso, a implantação da ciclovia poderá incentivar o uso da bicicleta em deslocamentos cotidianos, oferecendo uma conexão permanente entre as duas cidades.

Como será construída uma ciclovia no fundo do mar?

Túnel debaixo do mar
Túnel terá seis faixas, ciclovia e acesso à BR-101. Crédito: Divulgação

A construção utilizará uma tecnologia conhecida como túnel imerso, diferente da escavação subterrânea convencional.

Nesse método, os trabalhadores fabricarão grandes estruturas de concreto fora da água e posteriormente realizarão a instalação no fundo do canal.

O projeto prevê seis módulos gigantes, que formarão a estrutura principal da passagem submersa.

Primeiramente, as equipes construirão uma doca seca, onde poderão produzir e preparar os elementos de concreto.

Depois, os trabalhadores utilizarão procedimentos específicos para permitir que as estruturas flutuem e sejam transportadas até os locais de instalação.

Enquanto isso, outras equipes prepararão uma trincheira no leito do canal, utilizando equipamentos de dragagem.

Na etapa seguinte, os engenheiros realizarão a descida controlada dos módulos até o fundo da água.

Após posicionar as estruturas, os profissionais executarão as conexões e os serviços de vedação necessários para formar um túnel contínuo.

No interior dessa passagem ficarão a ciclovia, o espaço para pedestres, as pistas destinadas aos veículos e as instalações técnicas.

O túnel contará com seis faixas rodoviárias, sendo três em cada sentido. Uma das faixas de cada direção poderá ser adaptada futuramente para receber o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

A construção também deverá preservar a navegação pelo canal, permitindo que grandes navios continuem chegando ao Porto de Santos.

Ciclovia fará parte do primeiro túnel imerso do Brasil

O empreendimento utilizará uma solução de engenharia inédita no país.

Embora o Brasil já possua túneis rodoviários e passagens subterrâneas, o túnel Santos–Guarujá será o primeiro construído no território nacional com a tecnologia de imersão de grandes módulos.

A presença de uma ciclovia dentro dessa estrutura representa um dos aspectos mais diferentes do projeto.

Em vez de construir apenas uma ligação para veículos, os responsáveis reservaram espaço para quem pretende atravessar o canal caminhando ou pedalando.

Essa característica também diferencia o empreendimento de túneis rodoviários convencionais, que geralmente não possuem espaços exclusivos para bicicletas.

O objetivo é integrar diferentes modalidades de transporte e criar uma alternativa para os deslocamentos realizados diariamente entre as duas cidades.

Além disso, a nova estrutura deverá reduzir o tempo de travessia dos veículos motorizados para menos de cinco minutos, enquanto o percurso rodoviário atual pode levar aproximadamente uma hora.

Para os ciclistas, o tempo dependerá da velocidade de deslocamento e dos procedimentos de entrada e saída da galeria.

Quando começa a construção da ciclovia debaixo do mar?

A implantação da ciclovia acompanhará o cronograma de construção do túnel Santos–Guarujá.

O empreendimento será executado por meio de uma parceria entre o Governo Federal, o Governo de São Paulo e a iniciativa privada.

Em setembro de 2025, o grupo português Mota-Engil venceu o leilão da concessão. Posteriormente, em janeiro de 2026, ocorreu a formalização do contrato.

A TSG Concessionária assumiu a responsabilidade pela construção, operação e manutenção da estrutura, dentro de uma concessão de 30 anos.

Em julho de 2026, a assinatura do Termo de Transferência Inicial marcou uma nova etapa contratual. Desde então, as equipes avançam no desenvolvimento dos projetos e nos preparativos para a implantação.

O planejamento atualizado estabelece o seguinte cronograma:

  • 2026: elaboração dos projetos de engenharia, estudos complementares e procedimentos de licenciamento.
  • 2027: início previsto das obras, implantação dos canteiros e construção da doca seca.
  • 2028: fabricação dos módulos de concreto que formarão o túnel.
  • 2029: transporte, imersão e montagem das estruturas no fundo do canal.
  • 2030: conclusão dos acabamentos, instalação dos equipamentos e realização dos testes operacionais.
  • 2031: previsão de abertura do túnel e da passagem para ciclistas e pedestres.

Entretanto, essas datas ainda poderão passar por ajustes conforme o andamento dos trabalhos e as exigências técnicas e ambientais.

Se o cronograma for cumprido, a população poderá atravessar o canal de bicicleta por uma estrutura submersa a partir de 2031.

Com isso, o Brasil terá seu primeiro túnel imerso em funcionamento, reunindo uma ciclovia, passagem para pedestres, seis faixas de veículos e conexões rodoviárias que permitirão alcançar a BR-101.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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