Uma nova rodovia com seis faixas, ciclovia, viadutos, elevados e até um mergulhão promete mudar a circulação de veículos em uma das regiões mais movimentadas da Grande Vitória. Com investimento estimado em aproximadamente R$ 260 milhões, a Terceira Via foi planejada para criar uma alternativa aos corredores que concentram diariamente longos congestionamentos.
O projeto terá 4,25 quilômetros de extensão e ficará inteiramente dentro do território da Serra. Mesmo sem avançar para dentro de Vitória, a nova ligação deve melhorar o deslocamento entre os dois municípios ao aliviar o tráfego da Avenida Mestre Álvaro, antiga BR-101, e da Rodovia Norte-Sul.
A rodovia começará em Hélio Ferraz, nas proximidades da divisa com Vitória e do Shopping Mestre Álvaro. A partir desse ponto, seguirá por áreas próximas a Manoel Plaza, São Geraldo, Jardim Limoeiro e São Diogo, até chegar à Avenida Brasil, em Novo Horizonte.
Ao longo de todo o percurso, os motoristas terão três faixas de circulação em cada sentido, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Leia também
O projeto também prevê uma ciclovia contínua, além de estruturas destinadas a eliminar cruzamentos considerados críticos e reduzir a quantidade de semáforos no trajeto.
Terceira Via terá viadutos, elevados e mergulhão
A nova rodovia não será apenas uma avenida aberta entre os bairros. O projeto inclui a construção de viadutos, elevados e um mergulhão para separar fluxos de veículos e evitar interrupções em pontos de grande movimento.
Na prática, essas estruturas permitirão que parte dos veículos atravesse determinados cruzamentos sem precisar parar. A expectativa é diminuir retenções, reduzir o risco de acidentes e tornar o deslocamento mais rápido, principalmente nos horários de entrada e saída dos trabalhadores.
A Terceira Via também dará continuidade ao binário de Jardim Limoeiro. Dessa forma, a Avenida Brasil, em Novo Horizonte, será conectada à região de Hélio Ferraz e à Rodovia Norte-Sul, criando um novo corredor paralelo aos acessos mais utilizados atualmente.
Bairros como Carapina, Manoel Plaza, Novo Horizonte, Hélio Ferraz, São Geraldo, São Diogo e Jardim Limoeiro devem sentir diretamente os efeitos da mudança. A rodovia ainda facilitará o acesso às áreas industriais, portuárias e logísticas instaladas na região, conforme explicado pela Prefeitura da Serra.
Nova rodovia terá investimento de R$ 260 milhões

O investimento para tirar a Terceira Via do papel gira em torno de R$ 260 milhões. A Prefeitura da Serra estruturou o financiamento junto ao Novo Banco de Desenvolvimento, instituição internacional conhecida como Banco dos BRICS.
O projeto já passou por diferentes estimativas. Em etapas anteriores, a Prefeitura falava em um investimento superior a R$ 240 milhões. O valor mais recente divulgado para a construção da rodovia, no entanto, chegou a aproximadamente R$ 260 milhões.
A administração municipal considera a Terceira Via um dos maiores investimentos em mobilidade urbana já conduzidos por uma prefeitura no Espírito Santo.
“A Terceira Via é um investimento histórico para a mobilidade da Serra. Com o projeto, vamos trabalhar para dar mais fluidez ao trânsito, integrando a via à Avenida Mestre Álvaro e a outros eixos importantes da nossa cidade”, afirmou o prefeito Weverson Meireles.
Acordo libera áreas essenciais para a Terceira Via
Um dos principais obstáculos para o avanço da rodovia estava na liberação dos terrenos por onde o novo corredor deverá passar. Grande parte do traçado atravessa áreas ligadas à Vale e à ArcelorMittal Tubarão.
No início de julho, a Prefeitura da Serra e as duas empresas assinaram um protocolo de intenções para acelerar esse processo. Dos aproximadamente 121 mil metros quadrados necessários para a implantação da obra, cerca de 83% pertencem à Vale e à ArcelorMittal.
A Vale manifestou interesse em abrir mão da indenização por uma área superior a 91 mil metros quadrados, localizada no entorno da Unidade Tubarão. No entanto, para permitir a passagem da rodovia, o muro de proteção da empresa deverá ganhar um novo traçado.
A ArcelorMittal, por sua vez, já concluiu o procedimento relacionado ao terreno necessário para o projeto. Segundo a Prefeitura, a empresa disponibilizou a área sem gerar custos para o município.
Para a secretária de Obras da Serra, Izabela Roriz, o entendimento com as empresas libera uma das etapas mais importantes da Terceira Via.
“As obras da Terceira Via, assim como as previstas para a Avenida Mestre Álvaro e as em andamento no Contorno de São Domingos, vão garantir cada vez mais eficiência no trânsito, melhorar a segurança e impulsionar a valorização de áreas litorâneas”, declarou.
Obra pode abrir novo eixo de desenvolvimento na Serra
Além de aliviar o trânsito, a Terceira Via poderá provocar mudanças urbanas e econômicas nos bairros próximos ao novo corredor.
A abertura da rodovia deve facilitar a implantação de sistemas de drenagem, melhorar a organização das áreas ocupadas e permitir a recuperação de pontos que atualmente apresentam infraestrutura limitada.
Com acessos mais rápidos, terrenos e imóveis próximos ao traçado também podem ganhar valorização. A expectativa é que a região atraia novos comércios, serviços, empreendimentos imobiliários, centros de distribuição e empresas ligadas aos setores industrial e logístico.
A nova ligação ainda deve reduzir custos no transporte de mercadorias e facilitar o deslocamento dos trabalhadores que circulam diariamente entre áreas residenciais, indústrias e empresas instaladas entre Serra e Vitória.
Quando começam as obras da Terceira Via?
Apesar do avanço nas negociações, a assinatura do protocolo não autoriza o começo imediato das obras. No entanto, a construção já tem previsão e deve ser iniciada no ano de 2027.
A Prefeitura ainda precisa concluir procedimentos administrativos e jurídicos, publicar o decreto de utilidade pública das áreas envolvidas e formalizar os acordos específicos com as empresas.
Somente depois dessas etapas o município poderá avançar definitivamente na contratação e na execução do projeto. Portanto, a Terceira Via deu mais um passo importante, mas ainda precisa superar novas fases antes de começar a receber máquinas e trabalhadores.
Quando estiver concluída, a rodovia deverá funcionar como um terceiro grande corredor na região, distribuindo melhor os veículos que atualmente dependem da Avenida Mestre Álvaro e da Rodovia Norte-Sul para circular entre a Serra e Vitória.
