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Crise econômica: Argentina perde multinacional para o Brasil, que terá investimento de R$ 300 milhões

Em crise econômica, a Argentina perdeu uma multinacional para o Brasil.
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Multinacional Brasil Argentina
Em crise econômica, a Argentina perdeu uma multinacional para o Brasil. Crédito: Divulgação
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O Brasil vai assumir uma produção industrial que, até pouco tempo, funcionava na Argentina. A mudança envolve uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos do mundo e deve transformar uma cidade paulista em um polo estratégico para a fabricação de máquinas de lavar na América Latina.

Ao mesmo tempo, a empresa anunciou um investimento superior a R$ 300 milhões. O projeto prevê modernização das linhas de montagem, instalação de robôs e aumento do uso de componentes nacionais.

Além disso, a expansão deve movimentar fornecedores e gerar cerca de 2,8 mil empregos diretos e indiretos.

A empresa responsável pela transferência é a Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul. A multinacional decidiu levar para sua fábrica de Rio Claro, no interior de São Paulo, a produção de lavadoras que antes acontecia em Pilar, na região metropolitana de Buenos Aires.

Argentina perde produção de multinacional para o Brasil

A Whirlpool encerrou a fabricação de máquinas de lavar na Argentina e começou a reorganizar sua estrutura industrial na América do Sul. Com isso, a unidade brasileira passará a produzir modelos que antes saíam da fábrica argentina.

A companhia inaugurou a planta de Pilar em 2022 e apresentou o projeto como uma aposta importante no país vizinho. No entanto, menos de três anos depois, a multinacional decidiu fechar a unidade.

A fábrica tinha capacidade para produzir até 300 mil máquinas de lavar por ano. Agora, a empresa vai direcionar parte dos equipamentos e da estrutura industrial para ampliar a produção em Rio Claro.

A mudança ocorre em meio às dificuldades enfrentadas pela economia argentina. Além disso, várias empresas passaram a rever custos, operações e investimentos no país.

Oficialmente, a Whirlpool afirma que a transferência pretende melhorar a eficiência, reduzir despesas e tornar a produção mais competitiva, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

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Brasil vai fabricar modelos que eram produzidos na Argentina

A fábrica paulista ficará responsável principalmente pelos modelos conhecidos como front-load, que possuem abertura frontal. Essa categoria inclui máquinas de lavar e equipamentos lava e seca.

Nos últimos anos, esses produtos ganharam espaço no mercado brasileiro. Eles ocupam menos espaço em determinados ambientes e, além disso, oferecem ciclos automatizados, economia de água e diferentes funções de lavagem e secagem.

Ao concentrar a fabricação em Rio Claro, a Whirlpool pretende produzir em maior escala. Da mesma forma, a empresa poderá usar a unidade brasileira para atender outros mercados da América Latina.

Com isso, o Brasil ganha mais importância dentro da estratégia regional da multinacional. A fábrica paulista receberá novas tecnologias e assumirá uma operação que funcionava na Argentina.

Fábrica da Brastemp e Consul receberá mais de 20 robôs

A Whirlpool vai usar o investimento de mais de R$ 300 milhões para ampliar e modernizar a fábrica de Rio Claro. Entre as principais mudanças, a empresa planeja instalar mais de 20 robôs industriais nas linhas de montagem.

Esses equipamentos atuarão em diferentes etapas da fabricação das lavadoras. Assim, a companhia pretende aumentar a produtividade, padronizar processos e reduzir o tempo necessário para produzir cada máquina.

Além dos robôs, a fábrica receberá novas ferramentas, sistemas automatizados e adaptações para fabricar os modelos transferidos da Argentina.

A empresa prevê que as primeiras lavadoras produzidas na nova estrutura comecem a sair da linha de montagem em setembro.

Novas máquinas terão 95% de peças brasileiras

Outro ponto importante do projeto envolve a participação de fornecedores instalados no Brasil. A Whirlpool estima que aproximadamente 95% dos componentes usados nas novas lavadoras terão fabricação nacional.

Dessa forma, a empresa reduzirá a dependência de produtos importados. Ao mesmo tempo, a operação ficará menos exposta à alta do dólar, aos atrasos no transporte internacional e às dificuldades para importar componentes.

Além disso, a medida deve beneficiar empresas brasileiras que produzem peças, embalagens, sistemas eletrônicos e outros materiais utilizados na fabricação de eletrodomésticos.

Portanto, o investimento não ficará restrito à fábrica da Whirlpool. A expansão também pode movimentar toda a cadeia industrial ligada à produção de máquinas de lavar.

Investimento de multinacional pode gerar 2,8 mil empregos

A empresa estima que a ampliação possa gerar aproximadamente 2,8 mil postos de trabalho diretos e indiretos. O cálculo considera contratações na fábrica e oportunidades abertas em fornecedores, transportadoras e prestadores de serviços.

Rio Claro já abriga uma operação importante da Whirlpool. Porém, com a transferência da produção argentina, a cidade ganhará ainda mais peso dentro da estrutura da multinacional.

O anúncio do investimento reuniu executivos da companhia, representantes do governo paulista, autoridades municipais e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

Com a expansão, a região poderá fortalecer sua atividade industrial e aumentar a produção brasileira de eletrodomésticos para o mercado interno e para exportação.

Multinacional continuará vendendo produtos na Argentina

Mesmo após encerrar a produção de máquinas de lavar em Pilar, a Whirlpool continuará vendendo seus produtos na Argentina.

A multinacional manterá sua estrutura comercial e de distribuição no país. Para isso, poderá importar eletrodomésticos fabricados em outras unidades do grupo.

Assim, a companhia não deixará completamente o mercado argentino. A principal mudança ocorre na área industrial, já que o Brasil assumirá a produção que funcionava no país vizinho.

Ainda assim, a decisão representa uma perda importante para a indústria argentina. Enquanto a fábrica de Pilar encerra as atividades, a unidade brasileira receberá novos equipamentos, investimentos e aumento de produção.

Brasil ganha espaço na disputa por investimentos

A transferência mostra como grandes empresas estão reorganizando suas fábricas na América do Sul. Nesse processo, elas avaliam custos de produção, infraestrutura, fornecedores, tamanho do mercado consumidor e condições econômicas.

Para a Whirlpool, concentrar a fabricação em uma unidade maior pode facilitar a produção em escala e reduzir despesas. Para o Brasil, por outro lado, a mudança significa mais investimentos, compras de componentes nacionais e geração de empregos.

A Argentina, no entanto, perde uma fábrica que havia sido apresentada como símbolo da retomada da produção local de eletrodomésticos.

Com o novo projeto, Rio Claro deve se consolidar como um dos principais centros de fabricação de lavadoras da Whirlpool na América Latina. A unidade produzirá equipamentos das marcas Brastemp e Consul e assumirá uma operação que durou menos de três anos no país vizinho.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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