Um trabalhador chinês morreu depois de cair de cerca de 13 metros dentro da fábrica da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, e o acidente na BYD virou alvo de inquérito do Ministério Público do Trabalho (MPT). Segundo a Polícia Civil, a vítima se chamava Xiaoqing Huang. Ele prestava serviço por meio de uma empresa terceirizada, e a queda aconteceu na tarde de segunda-feira (19), por volta das 14h.
Como aconteceu o acidente na BYD
De acordo com as informações iniciais, ele fazia um serviço no teto de uma das áreas da fábrica quando caiu. Logo depois da queda, Xiaoqing Huang estava consciente. Como não falava português, outro colega chinês fazia a tradução e se comunicava com ele.
Em seguida, a equipe de socorro o levou ao Hospital Santa Helena, mas ele não resistiu aos ferimentos.
A altura da queda ainda gera dúvida. Segundo a BYD, o trabalhador caiu de uma altura aproximada de 13 metros. Já o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari estima que o acidente tenha ocorrido a uma altura de aproximadamente 15 metros.
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Sindicato aponta falha de segurança
O sindicato informou que a vítima era um trabalhador chinês da construção civil, vinculado à empresa Open, prestadora de serviços da BYD. Além disso, a entidade disse ter recebido relatos de que ele estaria trabalhando em altura sem cinto de segurança adequado e utilizando uma corda que não estaria devidamente ancorada.
A organização também relatou condições de trabalho consideradas inadequadas em outras áreas do complexo e cobrou fiscalização, apuração rigorosa da morte e suspensão das atividades em locais que apresentem risco grave e iminente. No entanto, essas suspeitas ainda dependem de confirmação oficial.
O que o MPT vai investigar
Com o inquérito, o MPT quer apurar as responsabilidades pelo acidente e verificar se as normas de segurança do trabalho foram seguidas pelo empregador, tanto com a oferta de equipamentos de proteção individual quanto de treinamento de protocolos de atividade de risco. Ao mesmo tempo, outros órgãos públicos, como a Polícia Civil, também vão contribuir com a investigação.
O que diz a BYD
Em nota, a montadora lamentou a morte e informou que ele era funcionário de uma empresa prestadora de serviços que atuava no Complexo Industrial de Camaçari. A empresa também afirmou que as circunstâncias do acidente estão sendo apuradas e que presta todo o apoio necessário à família.
Morte acontece em plena expansão da fábrica
A tragédia acontece num momento de aceleração em Camaçari. Desde a inauguração, em outubro de 2025, a fábrica trabalha no sistema SKD, em que o carro chega em partes grandes e só é montado no Brasil. Agora, a BYD tenta nacionalizar a produção e ergue novas áreas, como estamparia, soldagem e pintura.
Segundo comunicado da própria montadora, o complexo reúne 9 mil funcionários diretos, e a empresa prevê incorporar outros 500 até o final de 2026. Por lá, a BYD já investiu R$ 5,5 bilhões, e a capacidade inicial anunciada é de 150 mil veículos por ano.
Não é a primeira vez que o canteiro da fábrica entra na mira do MPT. Em dezembro de 2024, o órgão resgatou trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão nas obras do complexo, contratados por uma empreiteira terceirizada. Por isso, a investigação da nova morte deve olhar de perto as condições de quem trabalha nas obras da montadora.