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Navio chinês gigante com torre de 156 metros viaja 45 dias até o Brasil para construir maior ponte da América Latina

Navio chinês gigante viaja 45 dias até o Brasil para construir a maior ponte da América Latina.
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Navio chinês gigante Maior ponte da América Latina
Navio chinês gigante viaja 45 dias até o Brasil para construir a maior ponte da América Latina. Crédito: Divulgação
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Um gigante da engenharia naval deixou a China rumo ao Brasil para participar de uma das obras de infraestrutura mais ambiciosas em execução no país. A embarcação possui 130,5 metros de comprimento, carrega uma torre de trabalho que alcança 156 metros de altura e consegue movimentar estruturas de até 700 toneladas.

Considerado pelos responsáveis pelo projeto o maior navio de cravação de estacas do mundo, o equipamento iniciou uma viagem de aproximadamente 45 dias. Será também sua primeira missão internacional, justamente em uma obra que exigirá fundações em uma das regiões mais profundas já enfrentadas por uma ponte marítima.

O destino final é a Baía de Todos-os-Santos, onde o CRCC Bridge Piling No. 1, também chamado de Tie Jian Da Qiao Zhuang 1, terá papel fundamental na construção da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, na Bahia. A estrutura terá 12,4 quilômetros sobre a água e, segundo o Governo da Bahia, será a maior ponte da América Latina nesse critério.

Navio saiu da China para viagem de 45 dias até o Brasil

A embarcação iniciou o deslocamento no dia 27 de setembro a partir do Porto de Lüsi, na província chinesa de Jiangsu. Antes da partida, as equipes responsáveis definiram uma operação específica para a viagem, com estudos da rota, análise de riscos e monitoramento durante todo o percurso, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

O trajeto mostra a dimensão da operação. O navio deixa a região da foz do Rio Yangtzé, passa pelo Estreito de Malaca, contorna o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, entra no Atlântico Sul e segue em direção ao Nordeste brasileiro.

Ao todo, a rota prevista alcança aproximadamente 11.300 milhas náuticas. O planejamento indica que a embarcação chegará primeiro às águas próximas de Recife, antes de seguir para a área onde trabalhará na Bahia. A estimativa é completar essa etapa da travessia em cerca de 45 dias.

Torre do navio tem impressionantes 156 metros

O tamanho da embarcação chama atenção, mas a principal estrutura fica acima do convés.

O CRCC Bridge Piling No. 1 mede 130,5 metros de comprimento e 40,8 metros de largura. Entretanto, sua torre de cravação alcança 156 metros de altura, dimensão superior à altura de muitos arranha-céus residenciais brasileiros.

Essa estrutura permite ao navio trabalhar com estacas gigantes. A embarcação consegue içar componentes de até 700 toneladas, instalar estacas com até 7 metros de diâmetro e operar em águas com profundidade de até 70 metros. Algumas das estacas que o equipamento pode manipular ultrapassam 120 metros de comprimento.

Segundo informações divulgadas sobre a embarcação, o navio reúne marcas de destaque entre equipamentos desse tipo, principalmente pela altura da estrutura de cravação, capacidade de levantamento das estacas e profundidade operacional.

Navio consegue posicionar estacas com precisão de centímetros

Outro aspecto impressionante não aparece apenas no tamanho.

Para instalar fundações gigantes no ponto correto, o navio combina posicionamento dinâmico com um sistema de ancoragem. Sensores acompanham vento, ondas e correntes enquanto propulsores corrigem continuamente a posição da embarcação.

Além disso, o sistema utiliza navegação de alta precisão integrada ao BeiDou, a constelação chinesa de satélites. Com isso, o equipamento consegue controlar o posicionamento das estacas na escala de centímetros, mesmo trabalhando em águas profundas.

A tecnologia também aproveita parte da energia produzida pelo próprio movimento da gigantesca estrutura hidráulica. O sistema transforma em eletricidade parte da energia gerada durante a descida ou inclinação da torre, com taxa de recuperação que pode chegar a 40%.

Gigante será usado para instalar as fundações da ponte

Toda essa capacidade será necessária porque o trecho central da futura ponte atravessa uma região extremamente profunda da Baía de Todos-os-Santos.

Na área onde ocorrerá parte das fundações do trecho principal, a água chega a aproximadamente 64 metros de profundidade. Por isso, equipamentos convencionais enfrentariam limitações para posicionar e cravar estacas de grandes dimensões com estabilidade.

A profundidade representa um dos principais desafios de engenharia do empreendimento e ajuda a explicar a mobilização de um equipamento especialmente preparado para operações marítimas desse porte.

Na prática, as estacas funcionarão como parte da base que transfere para o solo submarino as enormes cargas produzidas pelo tabuleiro, pilares, torres, veículos, vento e demais esforços que atuarão sobre a futura ponte.

Vão central da ponte aumentou para 682 metros

O projeto também ganhou uma atualização importante em 2026.

O vão principal da área estaiada passou de 482 para 682 metros, mudança projetada para ampliar a segurança da navegação de grandes embarcações. Com a alteração, a estrutura entrará no grupo das maiores pontes estaiadas do mundo considerando o comprimento do vão principal.

Além disso, o trecho central terá aproximadamente 85 metros de altura livre acima do nível do mar. A dimensão considera a passagem de embarcações de grande porte, incluindo navios Panamax, Neo-Panamax, grandes petroleiros, porta-contêineres e navios de cruzeiro.

Por isso, a engenharia da obra precisa conciliar dois desafios: construir fundações em águas extremamente profundas e, ao mesmo tempo, deixar um corredor suficientemente largo e alto para preservar a navegação na baía.

Ponte terá 12,4 quilômetros inteiramente sobre a água

Quando concluída, a Ponte Salvador–Ilha de Itaparica terá 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos. O Governo da Bahia afirma que ela será a maior ponte da América Latina considerando a extensão construída sobre lâmina d’água.

Entretanto, a ponte representa apenas uma parte do empreendimento. Todo o Sistema Viário Oeste alcançará aproximadamente 46,8 quilômetros, incluindo novos acessos, túneis, viadutos, uma nova rodovia na Ilha de Itaparica e a duplicação de um trecho da BA-001.

Em Salvador, o projeto prevê cerca de 4 quilômetros de acessos e dois novos túneis paralelos aos existentes na Via Expressa. Já do outro lado, uma nova via expressa de aproximadamente 22 quilômetros atravessará parte da ilha, enquanto outros 8,8 quilômetros da BA-001 passarão por duplicação.

Investimento chega a R$ 11,6 bilhões

O investimento estimado oficialmente chegou a R$ 11,6 bilhões. Em divulgações mais recentes, o Governo da Bahia também passou a tratar o empreendimento como um projeto de aproximadamente R$ 12 bilhões.

As obras civis começaram em julho de 2026, e centenas de trabalhadores já atuam nos canteiros de São Roque do Paraguaçu, Vera Cruz e Salvador. Milhares de toneladas de materiais e equipamentos também foram mobilizadas para permitir o avanço das primeiras etapas.

O cronograma estabelece 2031 como prazo para conclusão do empreendimento. Depois disso, a concessionária assumirá a operação e a manutenção do sistema conforme o contrato de concessão.

Navio que trouxe 800 toneladas da China

A viagem do CRCC Bridge Piling No. 1 representa uma operação diferente daquela realizada em também esse ano.

Na ocasião, outro navio partiu de Xangai transportando mais de 800 toneladas de materiais, distribuídos em 44 contêineres. A carga reunia cerca de 1.550 itens avaliados em US$ 3,5 milhões e percorreu aproximadamente 17 mil quilômetros até Salvador.

Aquele carregamento trouxe painéis, peças metálicas e componentes destinados principalmente à estrutura provisória que servirá como plataforma de trabalho sobre a água.

Agora, o equipamento que atravessa os oceanos é o próprio navio especializado que executará parte das fundações da ponte.

Antes da ponte de 12,4 km, obra terá plataforma provisória de 12 km

Outro número ajuda a dimensionar a complexidade da construção.

Antes de concluir a ponte definitiva, as equipes vão implantar uma Plataforma Linear Provisória com aproximadamente 12 quilômetros. Ela ficará paralela ao futuro eixo da ponte e funcionará como uma espécie de estrada industrial sobre a água.

Máquinas, equipamentos, guindastes, materiais e trabalhadores poderão circular pela plataforma durante diferentes fases da construção. A solução busca diminuir a dependência de embarcações de apoio e criar pontos fixos para a execução das estruturas.

Enquanto essa frente avança, o gigantesco navio chinês atravessa Ásia, Oceano Índico, costa africana e Atlântico em sua primeira operação fora da China. Quando chegar ao Brasil, o CRCC Bridge Piling No. 1 terá uma das tarefas mais difíceis da obra: cravar no fundo da Baía de Todos-os-Santos as fundações que ajudarão a sustentar a maior ponte sobre lâmina d’água da América Latina.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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