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Dólar dá o maior salto em 27 anos: veja o que pode ficar mais caro no seu bolso

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Mãos seguram notas de dólar sobre mesa com calculadoras, em imagem ilustrativa da alta do dólar
Alta do dólar pode chegar ao preço de eletrônicos, combustíveis e viagens se o câmbio seguir elevado
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A alta do dólar desta segunda-feira (26) entrou para a história do mercado brasileiro e pode chegar, aos poucos, ao bolso de quem nunca comprou uma ação. No primeiro pregão após o segundo turno das eleições, o dólar comercial fechou em alta de 8,21%, a R$ 5,403.

Segundo levantamentos de mercado, foi a maior alta diária do dólar desde janeiro de 1999. Ao mesmo tempo, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, na maior perda percentual desde março de 2020. Logo na abertura, o circuit breaker, mecanismo que trava os negócios quando a queda passa de um limite, suspendeu as operações por 30 minutos

Por que houve a alta do dólar

Segundo corretoras e gestoras, o movimento não se deve à vitória em si, mas à reversão de posições de investidores que apostavam em uma mudança de governo. Parte do mercado apostava na vitória de Flávio Bolsonaro, que liderou o primeiro turno, e precisou refazer as posições depois do resultado, que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além disso, os investidores agora acompanham os sinais do governo sobre as contas públicas do próximo mandato.

Nesta terça-feira (27), o mercado ensaiou uma recuperação. Por volta das 10h15, o dólar à vista caía 0,86%, cotado a R$ 5,3543, enquanto o Ibovespa subia 0,43%. Também pela manhã, o Banco Central afirmou não identificar riscos relevantes à estabilidade financeira nacional.

O que pode ficar mais caro com a alta do dólar

O efeito nas lojas não é imediato. Comércio e indústria trabalham com estoques comprados antes da disparada, por isso o celular na vitrine não ficará 12% mais caro amanhã apenas porque o dólar teve uma sessão de forte valorização. Ainda assim, o impacto depende do tempo de permanência do câmbio elevado e dos custos de cada setor.

Celulares e eletrônicos

Smartphones, notebooks, videogames e peças de computador dependem de componentes importados. Na Zona Franca de Manaus, fábricas de eletrônicos, motocicletas e eletrodomésticos compram em dólar boa parte dos componentes, e a alta eleva de imediato o custo de produção em reais, antes mesmo de qualquer repasse ao preço final.

Gasolina e diesel

O petróleo é cotado em dólar, e o câmbio pesa direto na conta da Petrobras. O conselho da estatal se reuniu nesta segunda e, segundo fontes da Broadcast, um reajuste de diesel e gasolina está em avaliação, mas não há decisão anunciada. Como referência, na semana de 11 a 17 de outubro, a Petrobras indicava preço médio nacional de R$ 6,53 por litro de gasolina comum.

Pão, macarrão e biscoitos

O Brasil importa boa parte do trigo que consome. Por isso, pão, macarrão, biscoitos e outros produtos que utilizam trigo importado costumam sentir o câmbio semanas depois, quando os moinhos renovam as compras. Por enquanto, não é possível afirmar que pão e macarrão já encareceram por causa da alta desta segunda-feira.

Viagens e compras internacionais

Quem tem viagem marcada para fora sente primeiro. Companhias aéreas, hotéis e sites estrangeiros cobram na moeda americana, e o dólar turismo pode diferir do comercial, já que cartões e instituições podem cobrar margens e tributos. Para não concentrar tudo em um dia ruim, uma saída comum é comprar a moeda aos poucos.

Remédios, peças e carros

Veículos importados, pneus, sensores e módulos eletrônicos também ficam expostos ao dólar alto. O mesmo vale para medicamentos e fertilizantes, que dependem de insumos comprados no exterior. No caso do adubo, o custo extra chega primeiro ao produtor rural e pode aparecer mais adiante no preço dos alimentos.

A inflação já vinha pressionada

A disparada chega em um momento de preços em alta. A prévia da inflação oficial subiu 0,32% em outubro de 2026, pressionada principalmente por alimentos e combustíveis, e acumula alta de 4,62% em 12 meses. No mesmo levantamento do IBGE, o óleo diesel subiu 3,70%, o etanol avançou 2,73% e a gasolina ficou 0,92% mais cara.

Dólar alto também tem quem ganhe no Espírito Santo

Por outro lado, a alta do dólar favorece quem vende para fora. A economia capixaba tem forte ligação com a exportação de minério, aço, celulose, café e rochas ornamentais, setores que recebem em dólar. Na Serra e na Grande Vitória, portanto, as indústrias exportadoras tendem a ver a receita em reais crescer enquanto o câmbio seguir alto.

Para o consumidor, o recado é não decidir no susto. O câmbio já recuou nesta terça, e o tamanho do repasse para os preços vai depender de quanto tempo o dólar ficar nesse patamar.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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