A Toyota vai encerrar uma das fases mais marcantes de sua trajetória no Brasil. No dia 30 de junho, a montadora fechará a fábrica de Indaiatuba, no interior de São Paulo, unidade que ficou conhecida por produzir o Corolla Sedan no país durante quase três décadas.
A planta começou a operar em 1998 e se tornou uma das mais importantes da marca no mercado brasileiro. Desde então, mais de 1 milhão de veículos saíram da linha de montagem da unidade, que chegou a reunir cerca de 1.500 funcionários.
Agora, a Toyota vai concentrar a produção em Sorocaba, também no interior paulista. A mudança faz parte de uma reorganização industrial anunciada pela empresa em 2024 e marca uma nova etapa da operação da montadora no Brasil.
Toyota transfere produção do Corolla
O fechamento da fábrica de Indaiatuba não significa saída da Toyota do Brasil. Pelo contrário, a empresa decidiu centralizar a operação em Sorocaba, onde já vinha ampliando sua estrutura produtiva.
Leia também
Com isso, a produção do Corolla Sedan, antes ligada diretamente à fábrica de Indaiatuba, passa a fazer parte do complexo de Sorocaba. A unidade ganha ainda mais peso dentro da estratégia nacional da montadora.
Segundo a Toyota, a mudança busca tornar a operação mais eficiente, moderna e alinhada aos planos globais da empresa. A montadora também afirma que a concentração das atividades ajuda a preparar a produção para novos modelos e tecnologias.
A decisão, no entanto, encerra um ciclo importante em Indaiatuba. A cidade abrigou por 28 anos uma das fábricas mais simbólicas da Toyota no país, especialmente pela ligação direta com o Corolla, um dos sedãs mais vendidos do Brasil.
Nova fábrica da Toyota será inaugurada
Apesar do fechamento em Indaiatuba, a Toyota mantém planos de expansão no mercado brasileiro. A empresa prevê inaugurar, em novembro de 2026, uma segunda fábrica em Sorocaba.
A nova unidade faz parte de um pacote de investimentos de R$ 11 bilhões anunciado pela montadora para o Brasil até 2030. O projeto inclui aumento da capacidade produtiva, preparação para novos veículos e avanço em tecnologias de eletrificação.
Entre os pontos centrais da estratégia estão os modelos híbridos, segmento em que a Toyota já tem forte presença no país. A ampliação em Sorocaba também reforça a aposta da empresa em uma operação mais concentrada e com maior escala.
De acordo com a montadora, a expansão do complexo paulista já criou cerca de 2 mil empregos diretos. A empresa também informou que conduziu a transição dos trabalhadores de Indaiatuba com negociação, oferecendo alternativas de transferência e programas de desligamento voluntário.
Funcionários tiveram opção de transferência
Quando anunciou a mudança, a Toyota informou que a prioridade seria transferir os empregados de Indaiatuba para Sorocaba. Na época, o presidente da Toyota do Brasil, Evandro Maggio, afirmou que o novo complexo teria capacidade para absorver todos os trabalhadores da unidade que seria encerrada.
A transferência, no entanto, envolveu negociação com os sindicatos. Parte dos trabalhadores optou por seguir para Sorocaba. Outra parte preferiu aderir ao pacote de desligamento.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região avalia que a ampliação da Toyota pode fortalecer toda a cadeia automotiva da região. Segundo o presidente da entidade, Leandro Soares, além dos empregos diretos anunciados pela empresa, o investimento pode movimentar fornecedores e gerar cerca de 8 mil postos indiretos.
A entidade acompanha o processo de transferência dos funcionários e afirma que monitora o cumprimento dos compromissos assumidos pela montadora.
Fechamento teve greve e acordo com trabalhadores
O anúncio do encerramento das atividades em Indaiatuba, feito em 2024, gerou reação entre os funcionários. Na época, trabalhadores cruzaram os braços e abriram negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região.
Após as conversas, a Toyota firmou um acordo com os empregados. Segundo o presidente do sindicato, Jair dos Santos, a empresa vem cumprindo o que foi negociado.
O pacote garantiu condições diferentes para quem decidiu sair da empresa e para quem aceitou a transferência para Sorocaba. Os trabalhadores que optaram pelo desligamento receberam 45 salários, além de dois salários extras por ano trabalhado na montadora.
O acordo também garantiu estabilidade até julho de 2026, manutenção do convênio médico e do cartão cesta por 36 meses após a demissão.
Já os funcionários transferidos para Sorocaba terão estabilidade até julho de 2029. Quem aceitou trabalhar na nova cidade, mas não mudou de residência, recebeu dois salários e mais R$ 15 mil. Os empregados que decidiram mudar de cidade tiveram direito a 2,4 salários adicionais.
O acordo ainda permite que o trabalhador transferido peça desligamento em até sete meses depois da mudança. Nesse caso, ele mantém o direito ao pacote negociado, com desconto dos valores pagos durante o processo de transferência.
Fim de uma fábrica, mas não dos investimentos da Toyota
O fechamento da fábrica de Indaiatuba encerra um capítulo histórico da Toyota no Brasil. A unidade foi responsável por consolidar a produção nacional do Corolla e teve papel importante na presença da marca no país.
Por outro lado, a montadora tenta transformar a mudança em uma nova fase de expansão. Com a concentração em Sorocaba, a Toyota pretende aumentar a eficiência da operação, ampliar a produção e preparar a estrutura brasileira para os próximos anos.
Na prática, a empresa fecha uma fábrica tradicional, mas reforça sua aposta no Brasil com novos investimentos, mais empregos em Sorocaba e uma estratégia voltada para modelos mais modernos e eletrificados.
